A comunicação e a servidão. Por Elaine Tavares

No Palavras Insurgentes

Quando em 1938 o jovem Orson Welles levou a sociedade estadunidense a beira do delírio coletivo com a apresentação radiofônica de uma invasão alienígena – na verdade a dramatização da novela de George Wells, Guerra dos Mundos – ficou bastante claro o poder que o rádio – naqueles dias uma mídia insurgente – desempenhava. Sua penetração era avassaladora e o que era veiculado na caixinha de som assumia status de verdade absoluta. A sociedade já não estava mais refém dos ilustrados, que sabiam ler, e desvendavam as letras dos jornais. Pelo rádio, a informação falada podia chegar a qualquer pessoa e em qualquer lugar. Abria-se o espaço para a liberdade do conhecimento. Só que não.

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O desespero que leva à esperança

Wolfgang Streeck alertou: depois da crise de 2008, o capitalismo desiste de criar ilusões de justiça social. Surgem Trumps e Bolsonaros com a missão de implantar a “ditadura do mercado”. Recuperar a democracia exige novas estratégias das esquerdas

por Almir Felitte, em Outras Palavras

Os últimos tempos, no Brasil, foram tão recheados de absurdos políticos que, por vezes, até custa pensar que o novo Governo está aí há pouco mais de um semestre apenas. Aliás, desde o golpe de 2016, a sensação que fica é a de que a elite brasileira e toda a sua máquina direitista passaram um verdadeiro rolo compressor sobre a oposição e o próprio povo brasileiro. Motivos mais do que suficientes para essa mesma oposição já ter percebido o sinal claro de que não há mais espaços para conciliações.

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Mudar o mundo sem desprezar o poder

As estratégias que propunham ignorar a disputa pelo Estado mostraram-se insuficientes. Volta a crescer, entre a esquerda anticapitalista, uma abordagem que inclui pressionar as instituições por dentro, até superá-las

Por Paul Christopher Gray | Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

O dramaturgo comunista Bertolt Brecht escreveu uma vez: “o indivíduo pode ser aniquilado/mas o Partido não pode ser aniquilado”. E, no entanto, na era neoliberal, o partido foi aniquilado — só restam os indivíduos. Ou, ao menos, é o que parecia até alguns anos atrás. Partidos comunistas viraram forças políticas insignificantes ou, como no caso da China, estão estabelecendo o capitalismo. Enquanto isso, muitos dos partidos social-democráticos vêm abandonando quaisquer tentativas de chegar ao socialismo através de reformas graduais.

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Dia de inspeção em Congonhas. Por Antonio Claret Fernandes

O Inspetor, nesse dia, está particularmente feliz. Ele gosta da sua profissão. Não esconde isso de ninguém. Vê-se, sem esforço, pela sua cara. Meio bonachão e muito contente. Ganha bem. Mora numa mansão no Rio de Janeiro; coincidentemente no Botafogo, mesmo bairro do escritório da Vale. E ainda é cotejado por grandes empresas. Recebe regalos por favores aqui e ali. Segue a prática comum no ambiente privado, onde a corrupção, ao contrário do que pensa o senso comum, é maior do que no público.

Mas, para além da satisfação normal, a proximidade da inspeção em Congonhas, com 24 barragens de rejeito, para onde já está a caminho, o deixa especialmente feliz. Ele adora aquela cidade. A sua história. O seu relevo.

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O enigma da sobrevivência neoliberal

Como um projeto fracassado, social e economicamente, mantém-se há 30 anos? Em parte, devido ao poder de uma minoria ínfima. Mas é preciso encontrar resposta mais profunda – e, em especial, uma saída que convença as maiorias

Por Robert Kuttner* | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Desde o final dos anos 1970, vivemos um enorme experimento para testar a afirmação segundo a qual mercados “livres” realmente funcionam bem. Esta ressurreição ocorreu apesar do fracasso do laissez-faire, nos anos 1930, a humilhação consequente da teoria dos mercados “livres” e, em contraste, o sucesso do capitalismo regulado, durante o boom de três décadas do pós-II Guerra.

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Partido Verde e agricultores alemães querem bloquear acordo UE-Mercosul

Gabriel Bonis, para a BBC News Brasil

Nos moldes atuais, o princípio de acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, anunciado na última semana, tem grandes chances de ser rejeitado no continente europeu. Deputados do Partido Verde na Alemanha, no Reino Unido e no Parlamento da UE, além da Associação Alemã de Agricultores, já se mobilizam nos bastidores para impedir a ratificação do documento.

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A doença nossa de cada dia

por Guilherme Carvalho, em Macaréu Amazônico

Durante a semana que passou recebi por whatsapp uma charge em que o médico perguntava ao paciente onde doía. Este, por sua vez, respondia: “a realidade”. De fato, a realidade tem se mostrado muito dura, particularmente às pessoas que definem o capitalismo como um sistema incapaz de resolver os principais males que afligem a humanidade. Para estas a destruição das políticas sociais inclusivas, o desmantelamento do Estado nacional, o recrudescimento das desigualdades, os ataques aos direitos humanos, a desconstrução da democracia e o avanço destruidor sobre o meio ambiente doem de maneira profunda.

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