Teologia da luta pela terra e por moradia​. Por Gilvander Moreira[1]

Etimologicamente, Teologia é uma palavra da língua grega composta por teo = Deus, e logia = ciência.  Entretanto, teologia não é apenas ‘ciência de Deus’ e nem é apenas reflexão sobre as coisas relativas a Deus, ao pós-morte, às coisas de fé. Teologia é pensar a partir dos injustiçados qualquer assunto em uma perspectiva de fé no Deus da vida, mistério de infinito amor que nos envolve. Portanto, qualquer assunto pode e deve ser teologizado. Teologia que não for libertadora não é teologia, podendo ser dogmatismo disfarçado de teologia.

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Boaventura: o desenvelhecimento do mundo

Pessoas de todas as idades voltam a se insurgir. Buscam zonas libertadas de capitalismo, colonialismo e patriarcado. Sondam economias comunitárias, indígenas, feministas, cooperativas. E os poderes: irão finalmente envelhecer?

por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

Na vida pessoal, o envelhecimento depende menos da idade fisiológica do que da idade social. A idade social é inversamente proporcional à capacidade de pensar, sentir e viver o novo como futuro, como tarefa, como presente por experimentar. É-se tanto mais jovem quanto maior é a capacidade de viver a vida como se ela fosse uma experiência de constantes recomeços que apontassem não para repetições do passado, mas antes para futuros – mapas por explorar e caminhos por trilhar com disponibilidade para enfrentar riscos, assumir ignorâncias e responder a desafios novos. É o futuro como antecipação, como “ainda não”, como latência, como potência. Como sabemos que nunca vivemos senão no presente, o futuro é sempre o presente incompleto, o presente como tarefa, como acontecimento, pelo qual somos pessoalmente responsáveis. Ter futuro é ser dono do presente. Pelo contrário, é-se tanto mais velho quanto mais se vive convencido de que o mundo já decidiu por nós o que podemos esperar ou não esperar e que, consequentemente, o futuro está fechado para nós. Envelhecer é, pois, viver de repetição ou em repetição como se cada repetição fosse única e irrepetível. É passar os dias como se fossem os dias a passar com a indiferença do passeio diário.

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Após 15 anos da morte de Dorothy Stang, a impunidade ainda persiste em Anapu

Por Maria Fernanda Ribeiro, Amazônia Real

Palavras como generosidade, renúncia, doação, dignidade, solidariedade, sacrifício, coragem, justiça e amor foram as mais proferidas durante as celebrações que marcaram os 15 anos da morte da missionária Dorothy Stang, aos 73 anos, no município de Anapu, no Pará. Irmã Doti, como era conhecida, foi assassinada por dois pistoleiros e seu corpo atravessado por seis tiros enquanto caminhava por uma estrada de terra do PDS Esperança, Projeto de Desenvolvimento Sustentável que ela criou para assentar famílias pobres da Transamazônica. Era uma manhã de 12 de fevereiro de 2005.

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Nota Pública da CPT: 15 anos sem irmã Dorothy Stang

Na CPT

A direção nacional e coordenação executiva da CPT divulgam Nota pelos 15 anos do assassinato de irmã Dorothy Stang, em que destacam : “O exemplo de Dorothy nos comove e nos incita à continuidade de sua luta, como tem feito o Pe. Amaro Lopes, seu sucessor, perseguido e acusado injustamente. Dizia Ir. Dorothy pouco antes de ser assassinada: “Não vou fugir nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar”. Sejamos fiel a ela, como ela foi no Caminho de Jesus”. Confira: 

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Dimensão religiosa na luta pela terra e por direitos. Por Gilvander Moreira[1]

No Brasil, é impossível compreender a luta pela terra e por direitos sem a compreensão do fenômeno religioso manifestado pelos sujeitos da luta pela terra e por direitos. O fenômeno religioso aparece explicitamente nos discursos dos sujeitos que fizeram e continuam protagonizando a luta pela terra e por direitos. Podemos citar alguns exemplos como amostra. Na marcha do MST[2] de Goiânia a Brasília, dia 7 de maio de 2005, alguns camponeses devotamente liam um salmo na Bíblia. Perguntamos: “A Bíblia precisa estar na marcha?” Obtivemos como resposta: “Sem dúvida, pois Deus caminha conosco. Aqui descobrimos que somos Povo de Deus em busca de terra, pão e liberdade. Deus está conosco. Infeliz quem tenta impedir nosso projeto que é libertar a mãe terra!”, respondeu-nos um camponês idoso na Marcha.

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Retrospectiva: proteção a direitos fundamentais marca atuação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão em 2019

Defesa de direitos sociais e proteção da dignidade humana estiveram no foco dos trabalhos, que também mobilizou Procuradorias Regionais dos Direitos do Cidadão em todo o país

PFDC

O ano de 2019 foi marcado por graves ameaças a direitos sociais e efetivos retrocessos no campo dessas garantias, demandando da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) uma atuação incisiva na defesa de direitos fundamentais e de proteção da dignidade humana.

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No Chile, não era paz, era silêncio. E no Brasil? Por Carol Proner

É triste ver o fascismo mostrando a cara com tanta sinceridade no Chile e no Brasil, mas, e ao menos nas ruas de Santiago, o que se sente é que a reação está à flor da pele e que o povo não vai mais ficar calado até que ocorra uma transformação efetivamente profunda”, afirma a jurista Carol Proner

No Brasil 247

Acabo de voltar de Santiago, de um evento que debateu as crises democráticas no Brasil, no Chile, na AL etc. e, ao final, nos convidaram para ir às manifestações que acontecem todas as sextas-feiras desde o histórico 28 de outubro de 2019. 

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“É o agronegócio que está dando as cartas no país”, critica filha de Chico Mendes

Ao Brasil de Fato, Angela Mendes explica a aliança criada com o cacique Raoni contra retrocessos do governo Bolsonaro

Lu Sudré, Brasil de Fato

À beira do rio Xingu, no estado do Mato Grosso, nasceu uma nova frente em defesa do meio ambiente e dos povos da floresta. No último dia 15 de janeiro, ao lado do cacique Raoni, Angela Mendes, filha do líder seringueiro Chico Mendes, e a indígena Sônia Guajajara oficializaram uma aliança contra as políticas adotadas por Jair Bolsonaro (sem partido) nas áreas ambiental e indígena. 

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