Debate do aborto: por que a Espanha avança e o Brasil caminha para mais restrições?

Enquanto a Espanha se move para blindar o direito ao aborto em sua Constituição, o Brasil aprofunda a criminalização

Por Guilherme Cavalcanti | Edição: Thiago Domenici, Agência Brasil

Neste mês de outubro de 2025, enquanto o governo de Pedro Sánchez anunciava a intenção de inscrever o direito ao aborto na Constituição da Espanha, como uma muralha contra o avanço da extrema-direita no país, o Brasil dava mais um passo contra a criminalização, com o voto do agora ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que decidiu pela descriminalização até a 12ª semana, sob o argumento de que o aborto é “questão de saúde pública, não de direito penal”. (mais…)

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Em reunião inédita, MPF ouve mulheres indígenas Xokleng em José Boiteux (SC) sobre violência e acesso à justiça

Encontro revelou falha em mecanismos de proteção às mulheres indígenas; criação de uma casa de apoio foi proposta na reunião

Ministério Público Federal em SC

O Ministério Público Federal (MPF) promoveu uma reunião técnica inédita para realizar uma escuta ativa e qualificada das mulheres indígenas da Terra Indígena Laklānō-Xokleng, no município de José Boiteux (SC). O encontro ocorreu no último dia 6 de outubro, no espaço comunitário da Aldeia Plipatol. (mais…)

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Trabalho: Como o patriarcado sabota as mulheres

Apesar de avanços, desigualdades são brutais. Mais escolarizadas, ganham menos e não atingem cargos de liderança. Predominam em empregos temporários e precários. “Diversidade” nas empresas é retórica. Realidade é ainda pior para mulheres negras

Por Erik Chiconelli Gomes, em Outras Palavras

Perspectivas Históricas e Construção Social das Desigualdades

A história do trabalho feminino no Brasil carrega consigo marcas profundas de uma construção social desigual que atravessa gerações. Desde o processo de industrialização iniciado no século XIX, as mulheres brasileiras ocuparam posições específicas no mercado de trabalho, frequentemente associadas a funções consideradas extensões do trabalho doméstico e maternal. Como demonstram as análises históricas, durante o final do século XIX e início do século XX, costureiras, mucamas e lavadeiras constituíam as principais ocupações femininas remuneradas, estabelecendo um padrão de segregação ocupacional que persistiria por décadas (MONTELEONE, 2019). Esse processo não foi acidental, mas sim resultado de representações sociais que naturalizavam certas atividades como femininas, relegando às mulheres as funções menos valorizadas econômica e socialmente. (mais…)

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Vereadores emplacam leis de ‘síndrome pós-aborto’ não reconhecida por entidades de saúde

Projetos criam data de síndrome que não é reconhecida pela OMS nem pela Associação Brasileira de Psiquiatria

Por Mariama Correia | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Vereadores de extrema direita do PL, União Brasil e MDB, de diversos estados no Brasil, estão apresentando projetos de lei para instituir a “semana de combate à síndrome pós-aborto” no calendário oficial de várias cidades brasileiras. A reportagem da Agência Pública localizou propostas quase idênticas em Maceió (AL), Recife (PE), São Paulo (SP), Lages (SC) e Manacapuru (AM). Os textos preveem as mesmas ações de conscientização sobre o adoecimento psicológico que seria causado pela interrupção da gravidez. Acontece que a síndrome pós-aborto não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), nem pela Associação Brasileira de Psiquiatria, que informou à reportagem que ela “não está em manuais de classificação de doenças mentais, portanto, não tem relação com questões ligadas à saúde mental”. (mais…)

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Uso político da guerra traz desafios para movimentos contra a opressão feminina no Irã

Luta das mulheres contra a opressão no Irã segue viva em meio à escalada de conflitos na região

Por Andrea DiP, Ricardo Terto, Stela Diogo, Rafaela de Oliveira | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

O lançamento da operação Rising Lion por Israel, em 13 de junho deste ano, trouxe mais desafios ao movimento feminista do Irã, que tem se fortalecido desde 2022. A operação militar gerou uma série de ataques a instalações nucleares no país. O conflito durou 12 dias e deixou centenas de mortos, incluindo crianças. “As pessoas não conseguem dormir, estão esperando os novos ataques, e isso realmente afeta a vida diária”, diz a pesquisadora, professora e escritora iraniana Firoozeh Farvardin. (mais…)

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Solução ao aborto para muitos, entrega à adoção tem entraves e gera julgamentos à mulher

Estudo demonstra que profissionais da saúde ignoram lei sobre o tema e tentam evitar doação por motivos religiosos

Por Amanda Audi | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

“Não aborte, entregue o bebê para adoção.” O slogan é frequentemente usado por militantes contrários ao aborto para defender que gestantes, inclusive vítimas de estupro, levem a gravidez até o fim. Mas um estudo pioneiro, feito a partir da percepção de profissionais de saúde – muitas vezes responsáveis por intermediar a entrega do bebê – revela que mesmo este caminho é marcado por violências contra as mulheres. (mais…)

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“Macho para quem?” Companheiros são maioria entre agressores de mulheres indígenas no MA

Das agressões cometidas contra mulheres indígenas no MA, 46% são violência sexual; 35% das vítimas têm de 10 a 14 anos

Por Gisa Carvalho, Layane Jamille Garcêz Santos, Sarah Fontenelle Santos, Sylmara Durans | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

Entre as violências sofridas pelas mulheres indígenas do Maranhão, em 2024, 53% foram cometidas pelos próprios maridos das vítimas. Além disso, do total, 46% eram de violência sexual e 42% incluíam agressões físicas. Meninas de 10 a 14 anos foram 35% das vítimas de tais crimes, segundo o mesmo levantamento. (mais…)

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