A nova escravidão

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Sempre que se fala em escravidão, vem à mente a cena do negro, acorrentado, vindo para a América nos navios negreiros do século 17 e 18. Naqueles dias, durante o processo de invasão e dominação dos territórios africanos e americanos, esse era o grande negócio. Usar as pessoas como mão de obra barata para a acumulação de riqueza. Portugal e Espanha desbravaram os novos espaços, destruíram as comunidades existentes e implantaram o saque. A Inglaterra dominou a rota e o mercado do tráfico. Tudo era uma grande operação comercial destinada a enriquecer uns poucos. Esse longo processo foi o responsável pela dizimação dos povos originários no chamado “novo mundo”, nossa Abya Yala, e pela desagregação comunitária nos espaços do continente africano. E foi essa movimentação de conquista de território e escravidão que deu força ao sistema capitalista. A tal da revolução industrial, tão decantada pelos ingleses, nunca teria existido se não fosse esse quadro de exploração, dor e miséria. Para que a Europa se fizesse rica, a América e a África tiveram de ser destruídas. (mais…)

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Navios portugueses e brasileiros fizeram mais de 9 mil viagens com escravos da África para o Brasil

Por Amanda Rossi, da BBC News Brasil

O Brasil ainda não estava no mapa do mundo quando, em 1482, uma dúzia de embarcações portuguesas aportou no oeste da África com uma missão dada pelo rei dom João 2º: construir uma fortaleza militar para defender os interesses econômicos de Portugal na região. Os porões dos navios estavam carregados de material de construção e havia na tripulação dezenas de pedreiros e carpinteiros. Era uma empreitada pioneira, já que nenhuma outra nação europeia havia feito nada semelhante. (mais…)

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A luta (e a criação) anti-racista vão ao cinema

“O nó do diabo” recria a escravidão e suas sequelas em diferentes momentos históricos. Em “Auto de Resistência”, cinco casos de matança de inocentes disfarçadas de confronto no Rio de Janeiro

Por José Geraldo Couto*, em Outras Palavras

Sob qualquer ponto de vista, o traço essencial de nossa formação como sociedade, nosso pecado original, nosso trauma não resolvido, é sem dúvida a escravidão, que imperou oficialmente entre nós por mais de trezentos anos e deixou marcas profundas. Dois filmes em cartaz, um de ficção e um documentário, investigam com brio e vigor essa infâmia histórica e seu legado de segregação e violência nos dias de hoje. (mais…)

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Achille Mbembe: O devir-negro do mundo

Reviravolta: no instante em que o capitalismo quer reduzir-nos todos a coisa e mercadoria, o negro tornou-se símbolo do oposto: desejo consciente de vida, força engajada no ato de criação

Por Achille Mbembe | Tradução: Sebastião Nascimento, em Outras Palavras

Queríamos escrever este livro* à semelhança de um rio com múltiplos afluentes, neste preciso momento em que a História e as coisas se voltam para nós, e em que a Europa deixou de ser o centro de gravidade do mundo. Efetivamente, esse é o grande acontecimento ou, melhor diríamos, a experiência fundamental da nossa época. Em se tratando, porém, de medir as implicações e avaliar todas as consequências dessa reviravolta, estamos ainda nos primeiros passos.De resto, se tal revelação nos é graciosamente concedida, se ela suscita perplexidade ou se, em vez disso, mergulha-nos num tormento, uma coisa é certa: esse desmantelamento, também ele carregado de perigos, abre novas possibilidades para o pensamento crítico, e isso é parte do que tentaremos examinar neste ensaio. (mais…)

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A Abolição veio, mas não libertou e nem democratizou o país

Neste 13 de maio só a continuidade da luta e da rebeldia são plausíveis, não há comemorações, pois o Estado continua assumindo o papel repressivo do senhor de engenho

Por Raumi Joaquim de Souza*, na Página do MST

A Lei Áurea, sancionada em maio de 1988, não aboliu somente a escravatura, mas também a esperança de ser livre. Mas, como já diria o ditado: “a esperança é a última que morre”. E neste 13 de maio completou 130 anos de uma abolição inacabada e o povo negro prossegue ainda explorado construindo sua história e edificando a preço de sangue e suor a sonhada liberdade. Decretou-se abolição, mas no sentido político e social não se resolveu o problema da desigualdade social e racial, pelo contrário, intensificou e institucionalizou o racismo. (mais…)

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Muito além da princesa Isabel, 6 brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil

Conheça a história de Luís Gama, André Rebouças, Maria Tomásia Figueira Lima, Adelina, Dragão do Mar e Maria Firmina Reis, importantes abolicionistas brasileiros

por Amanda Rossi e Camila Costa, em Folha de S.Paulo

O fim da escravidão no Brasil completa 130 anos em 13 de maio deste ano. Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Pedro 2º, assinou a Lei Áurea, decretando a abolição – sem nenhuma medida de compensação ou apoio aos ex-escravos. (mais…)

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130 anos de uma abolição inacabada

A lei que aboliu a escravidão após três séculos de trabalho forçado libertou e ao mesmo tempo abandonou pessoas

Por Juliana Gonçalves, em Brasil de Fato

Conservadora e curta, com pouco mais de duas linhas, a Lei nº 3.353, a chamada Lei Áurea, decretou, no dia 13 de maio de 1888, o fim legal da escravidão no Brasil. Mas se a escravidão teve seu fim do ponto de vista formal e legal há 130 anos, a dimensão social e política está inacabada até os dias atuais. Essa é a principal crítica de estudiosos e militantes dos movimentos negros à celebração do 13 de maio como o dia do fim da escravatura. (mais…)

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MPF recomenda alteração do nome de avenida de bandeirante escravocrata em Manaus (AM)

Nova identificação da avenida Domingos Jorge Velho deverá ser escolhida por participação popular

O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação à Prefeitura de Manaus para que altere o nome da avenida Domingos Jorge Velho, bandeirante brasileiro que tornou-se reconhecido por ter comandado, no final do século XVII, a campanha final contra o Quilombo dos Palmares, em defesa do sistema escravista no Brasil. A Prefeitura tem o prazo de 45 dias para promover a mudança no nome da avenida, localizada no bairro Dom Pedro, zona Oeste de Manaus, devendo a nova identificação homenagear personalidade histórica, lugar ou elemento com referência à causa negra, a ser escolhido por participação popular.

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Brasil viveu um processo de amnésia nacional sobre a escravidão, diz historiadora

Sancionada pela princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888, a lei que aboliu a escravidão após mais de três séculos de trabalho forçado no Brasil “saiu muito curta, muito pequena, muito conservadora”, descreve Lilia Moritz Schwarcz

Em entrevista à BBC Brasil, a historiadora diz que as consequências dessa virada de página abrupta, sem políticas para incluir os ex-escravos à sociedade, são sofridas até hoje. (mais…)

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O legado de negros muçulmanos que se rebelaram na Bahia antes do fim da escravidão

André Bernardo, Do Rio de Janeiro para a BBC Brasil

Salvador, 25 de janeiro de 1835. Foi num sobrado de dois andares, na Ladeira da Praça, que teve início o maior e mais importante levante urbano de africanos escravizados já registrado no Brasil. Era por volta de 1h da madrugada quando um grupo de 50 africanos, das mais diferentes etnias, ocupou as ruas da capital baiana. O levante entrou para a história como a Revolta dos Malês. (mais…)

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