A Humilhação como Método. Por Eugênio Bucci

A humilhação espetacular não é mero efeito colateral, mas o núcleo da nova política externa: onde a força se encena para anular a soberania alheia, transformando a realidade em um palco de dominação sem roteiro

Em A Terra é Redonda

A captura – ou rapto, ou sequestro – de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado, foi amplamente analisada e comentada na imprensa. Só ficou faltando um pedaço. Além das razões geopolíticas (que levam a Casa Branca a tentar expulsar as influências russas e chinesas do mar do Caribe e da América do Sul), além das pressões exercidas sobre o presidente pela indústria petrolífera norte-americana (que quer beber o óleo extra pesado das águas venezuelanas) e além da ameaça de perda de popularidade interna (que o governo imagina conseguir desviar com agressividade bélica em plagas estrangeiras), há um quarto fator a se levar em conta. (mais…)

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Herlon Bezerra: “Natal na Neve” no Sertão pernambucano? É racismo ambiental e religioso

“É um Natal sem África e sem Sertão, como se Deus só pudesse nascer num cartão-postal europeu.”

Brasil de Fato

Querida gente leitora do Brasil de Fato Pernambuco, esta conversa continua a anterior, Cristianismo: uma religião de matriz africana. Ali, propus que “num país erguido sobre o trabalho escravo e o racismo, urge um cristianismo descolonizado, capaz de reconhecer-se religião de matriz africana”, abrindo caminho para uma conversão antirracista e ecossocialista, que abandone a fé usada como arma contra o povo e abrace uma fé aliada das lutas por justiça”. (mais…)

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SC: A identidade branca como política de Estado. Por Marlon Ricardo de Amorim

O projeto aprovado não é um equívoco técnico nem um debate legítimo sobre políticas públicas. É uma tomada de posição política clara em defesa da preservação de privilégios raciais historicamente construídos neste estado

Santa Catarina voltou ao centro do debate nacional ao aprovar, na Assembleia Legislativa, um projeto que extingue as cotas raciais nas universidades estaduais e ainda prevê punições financeiras às instituições que insistirem em mantê-las. A medida, que aguarda sanção do governador, é apresentada por seus defensores como defesa da igualdade e do mérito. Mas, observada à luz da história e da formação social do estado, revela outra coisa. Não se trata de neutralidade, modernização ou justiça. Trata-se de uma escolha política consciente, que reafirma uma tradição catarinense de proteção de privilégios raciais, agora atualizada sob a linguagem técnica da legalidade e da eficiência administrativa. (mais…)

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A Terra como sujeito político: o grito de resistência que vem das mulheres indígenas

Para a escritora Moira Millán, a esperança contra o fascismo reside em ouvir a natureza. Confira no Bem Viver!

Beatriz Drague Ramos, no Brasil de Fato

Uma das principais vozes na articulação das Mulheres Indígenas pelo Bem Viver na Argentina, Moira Millán se destaca como ativista, escritora e se define como “weichafe” (guerreira) do povo Mapuche. Com uma trajetória marcada pela luta incansável em defesa dos territórios ancestrais, contra o avanço de megaprojetos extrativistas e pela denúncia do que ela classifica como “terricídio”, um conceito que engloba a destruição sistemática de todas as formas de vida e dos ecossistemas. (mais…)

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Congresso: Quando o porão transborda. Por Ricardo Queiroz Pinheiro

PEC da Anistia, queda-de-braço com o STF, cassação de deputados… Há lógica por trás dos abusos: sustentar impasses institucionais permanentes, o que move as negociatas, e garantir o controle do orçamento público, que financia o poder. 2026 promete ser ainda mais intenso…

Em Outras Palavras

A dinâmica da política tende a amortecer conflitos até que eles se tornem materialmente incontornáveis. Nesse percurso, intervêm vários filtros: a voracidade dos pregadores de certezas, o comportamento de torcida, o viés analítico que transforma processo em episódio. Soma-se a isso a ansiedade dos noticiários, que fragmenta o movimento em cenas isoladas e empobrece a leitura do que efetivamente se desloca. Há um ponto, porém, em que os acordos deixam de caber no porão, os bastidores já não absorvem as tensões e o cálculo passa a se impor com mais nitidez. Interesses antes dispersos se aproximam, decisões ganham peso imediato e a engrenagem começa a ranger. (mais…)

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A pedagogia de guerra nas escolas cívico-militares

Já são centenas delas no Brasil. O currículo oculto: propagandear a militarização da sociedade como saída à indisciplina e aos baixos resultados nos índices escolares. Docilizar corpos periféricos. E ocultar as raízes estruturais das desigualdades

Por Ronaldo Queiroz de Morais*, em Outras Palavras

Destituído de ilusão, toda sociedade moderna arrasta algum grau importante de militarização. Afinal, o sonho militar de sociedade anunciado por Michel Foucault é, demasiadamente, moderno. Entretanto, o Brasil constitui-se como sociedade militarizada antes mesmo de tornar-se nação e de efetivar-se como Estado Moderno no sentido weberiano, ou seja, de estabelecer o monopólio da violência a partir de instituições militares realmente militarizadas. A independência brasileira manteve o sistema escravocrata no território nacional e, inexoravelmente, arremeteu a força das armas contra a população escravizada e empobrecida. Nessa perspectiva, é possível discorrer que a história do Brasil independente é a história da incessante descarga de endocolonização junto à população tradicionalmente oprimida. (mais…)

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