Geopolítica em perspectiva gângster. Por Jayati Ghosh

Nos últimos séculos, os países que exerceram liderança souberam combinar poder superior com instituições internacionais e regras estabilizadoras. Ao romper com elas, Trump espalha a instabilidade e o risco de conflitos devastadores. Só a ação coletiva pode enfrentá-los

Em Outras Palavras

Há método por trás da aparente loucura da abordagem — transacional e baseada em esferas de influência – de Donald Trump, em relação à geopolítica e à economia global. Em nenhum momento essa lógica ficou mais clara do que no sequestro ilegal do presidente venezuelano Nicolás Maduro e em seus esforços contínuos para garantir o controle das reservas de petróleo do país. (mais…)

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Eleições: A direita sem candidato dos sonhos. Por Rômulo Paes de Sousa

O bolsonarismo quer, a todo custo, que Flávio esteja na urna. E o recuo de Tarcísio revela a dependência da direita ao ex-presidente. Farialimers, pastores, jornalões e Centrão reféns de uma agenda que exige a infame anistia aos golpistas

Em Outras Palavras

A melhora dos resultados do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto selou, na prática, o enterro da última quimera daqueles que apostavam em Tarcísio de Freitas como único representante do direitismo na disputa presidencial. Farialimers, pastores influentes, grandes jornais, partidos do Centrão e até a ex-primeira-dama defendiam que o governador de São Paulo liderasse uma ampla frente de direita, empurrando a disputa para o posto de vice na chapa. Enquanto setores do mercado prefeririam outro governador nessa composição, Michelle Bolsonaro e parte expressiva de lideranças evangélicas insistem no seu nome para a vaga. (mais…)

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Guilherme Casarões: Trump esvazia ordem mundial e gera “momento nefasto” para as Américas

Cientista político analisa a retomada da Doutrina Monroe e os riscos de uma nova era de intervenções na América Latina

Por Andrea DiP, Sofia Amaral, Ricardo Terto, Stela Diogo, Agência Pública

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro e de Cilia Flores seguem repercutindo desde os primeiros dias do ano. O episódio reacende debates sobre soberania, intervencionismo e os limites do uso do discurso do combate ao narcotráfico como justificativa para ações militares e políticas externas agressivas. (mais…)

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O evangelho da política segundo o diabo: como figura do mal absoluto afeta seu voto

Personificação do mal, diabo atravessou religiões e regimes até se tornar recurso recorrente do tabuleiro político

Por Duda Sousa, em Agência Pública

No princípio era o verbo. O coisa ruim, no entanto, faz sucesso desde então como adjetivo. A primeira menção da personificação do mal na Bíblia cristã é a serpente, outra que nunca teve a melhor das imagens, no primeiro livro de Gênesis. A figura do “adversário”, o acusador diante de Deus, só tem vez no primeiro capítulo do livro de Jó, o paciente, e sequer recebe nome em todo o Velho Testamento. “O diabo é uma figura que carrega milênios de medo acumulado”, explica o psicólogo e pós graduando em psicanálise pela PUC Goiás Eduardo Afonso. “Ela opera antes do pensamento”. E não é necessário que se acredite na existência dele para que se produzam efeitos. “Basta reconhecer o peso simbólico da acusação. O medo vem antes da razão. E o ‘diabo’ sabe disso há muito tempo”, avalia. (mais…)

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Teocracia à brasileira

“Bancada Cristã” avança no Congresso enquanto partidos progressistas esquecem movimentos sociais e cortejam lideranças religiosas. Resistência cresce, mas espaço cívico está ameaçado. Feministas alertam: sem Estado laico, não há democracia real

Cfêmea

Precisamos tanto do Estado Laico quanto de alimento, emprego, casa. Sem ele, não teremos democracia e liberdade, especialmente as mulheres. É o que vemos nas teocracias ou nos lugares com leis e instituições baseadas em crenças religiosas. Indubitavelmente, o fundamentalismo religioso é uma estratégia autoritária e patriarcal de poder. (mais…)

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Eleições em Portugal. Por Valerio Arcary

A vitória política da extrema-direita expõe a contradição entre um crescimento econômico superficial e o mal-estar social profundo, onde a crise habitacional, o envelhecimento e a emigração juvenil fertilizam o terreno reacionário

Em A Terra é Redonda

“Mais faz quem quer do que quem pode” “Mais vale prevenir que remediar”
(Provérbios populares portugueses).

1.

O desfecho das eleições foi um desastre, mas não uma surpresa. O candidato mais votado foi António José Seguro (31%, 1,7 milhões de votos) que, pela pressão do voto útil, diante da incerteza das pesquisas, foi beneficiado pela maioria da votação da esquerda, que caiu de 9% nas legislativas de 2025, para 4,5% agora. (mais…)

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Tarcísio x Flávio Bolsonaro: o que há de novo?

Entre os pré-candidatos para 2026, mais do que uma disputa familiar ou partidária. A Faria Lima tenta domesticar o extremismo, e buscar um “CEO” que garanta a agenda ultraliberal sem sobressaltos. Por trás do rótulo da moderação, o mesmo projeto

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

O recente confronto velado entre o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) envolvendo a disputa presidencial de 2026 é revelador das condições estruturais e conjunturais da cena política brasileira e de como as classes dirigente e a elite econômico-financeira se movimentam em meio a esse processo para não perder seu controle. E também uma continuidade de uma história distorcida sobre uma dita “terceira via”, propagandeada pela mídia tradicional como uma espécie de “voz da razão” diante da polarização. (mais…)

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