Recomendação do MPF é acatada por secretarias municipais de Educação para abordarem cultura e história indígena local em sala de aula

Objetivo é levar aos estudantes o conhecimento sobre quem são verdadeiramente os “índios” da região onde moram e quais aspectos dos grupos étnicos estão presentes no município

Procuradoria da República em Mato Grosso

Cuiabá, capital de Mato Grosso, acaba de completar 300 anos. Seus primeiros habitantes, antes mesmo da chegada dos bandeirantes, foram os indígenas da etnia Boe (Boróro), dos quais muito ainda se vê no modo de falar, na culinária e na cultura da cidade. Nas escolas municipais de Cuiabá, desde 2016, principalmente no período de comemorações alusivas ao Dia do Índio, as crianças passaram a conhecer ainda mais a história e a cultura desses habitantes originais da região.

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Petra Costa: “Se soubesse do vazamento do Intercept, não teria parado”

Cineasta de ‘Democracia em Vertigem fala a CartaCapital sobre o processo de construção de sua obra – e a desconstrução em processo do Brasil

Por Flávia Guerra, na Carta Capital

Democracia em Vertigem, o novo filme da cineasta Petra Costa, nem havia estreado na Netflix quando o trailer já batia a marca de um milhão de visualizações (mais que sucessos mundiais como Stranger Things). Para além das visualizações, a polarização entre os cliques em “gostei” e “não gostei” rendia campanhas nas redes sociais por quem ainda não havia visto o documentário mas já se posicionava contra ou a favor do conteúdo do trailer.

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João Cândido: o almirante da revolta

No dia em que faria 139 anos, lembramos de um dos maiores símbolos da resistência brasileira

Por Fernanda Alcântara, na Página do MST

A vida de João Cândido é uma daquelas histórias que comprovam o quanto a história do Brasil é escrita e explorada apenas do ponto de vista dominante. Embora o nome de João Cândido (ou do Almirante Negro) soe familiar devido às canções e homenagens realizadas postumamente, ainda há muito o que aprender sobre esta grande figura.

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Bolsonaro é o primeiro presidente brasileiro a admitir a Operação Condor

“O capitão mais estúpido do planeta, arauto da truculência, se gaba de sua especialidade: matar”

Por Luiz Cláudio Cunha *, Congresso Em Foco

Jair Bolsonaro, o capitão-presidente eleito na democracia, acaba de fazer o que não fez nenhum dos generais-presidentes impostos pela ditadura de 1964: é o primeiro governante brasileiro a reconhecer publicamente a “Operação Condor” — a clandestina, secreta conexão multinacional de repressão montada na sangrenta década de 1970 pelos países do Cone Sul do continente, todos então submetidos a regimes militares que, a ferro e fogo, baniram a democracia da região sob o pretexto da cruzada anticomunista.

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Lançamento de reedição de livro recorda cassação de cientistas

Maíra Menezes, IOC/Fiocruz

Em 1970, sob a vigência do Ato Institucional nº 5, dez pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz foram cassados pela ditadura militar. Apesar de as acusações de subversão e corrupção nunca terem sido provadas, os cientistas ficaram impedidos de atuar em instituições públicas no país e só foram chamados a reintegrar aos quadros do IOC em 1986, cinco anos após a publicação da Lei da Anistia. O episódio ficou conhecido como ‘O Massacre de Manguinhos’, título que o pesquisador Herman Lent – um dos mais reconhecidos entomologistas do país e um dos cassados – deu ao livro publicado em 1978, no qual narra e analisa os fatos relacionados à cassação. Considerada, até hoje, como referência sobre os impactos do regime militar para a ciência brasileira, a obra acaba de ganhar uma nova edição, em projeto liderado pelo Instituto de Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), com apoio do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e da Editora Fiocruz. 

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O racismo da academia apagou a história de Dandara e Luisa Mahin

Este texto é uma resposta à historiadora Ana Lucia Araujo, que considera perigosa a inclusão no Panteão da Pátria de guerreiras cuja existência não teria sido provada. O projeto, aprovado pelo Senado, ainda depende da apreciação do presidente. 

Por Ale Santos, The Intercept Brasil

A ESCRAVIDÃO INTERROMPEU a história da África e de seus descendentes, roubando séculos de produção intelectual em troca de trabalho forçado. O Brasil só aboliu a escravidão há menos de 131 anos e é natural ver alguns nomes de heróis afro-brasileiros sendo reconhecidos cada vez mais no Panteão da Pátria, um memorial cívico inaugurado em 1986 para homenagear personalidades brasileiras.

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Dandara e Luisa Mahin são consideradas heroínas do Brasil – o problema é que elas nunca existiram

Este texto é uma resposta a Ale Santos. O escritor considera a inclusão das guerreiras no Panteão da Pátria uma reparação ao racismo na história que ignora a importância da tradição oral. O projeto, aprovado pelo Senado, ainda depende da apreciação do presidente. 

Por Ana Lucia Araujo, The Intercept Brasil

O BRASIL É O PAÍS com a mais longa história de escravização nas Américas, mas ainda hoje lida com dificuldade com esse passado trágico. Último país do continente americano a abolir a escravidão em 1888, o Brasil importou cerca de 5 milhões de africanos escravizados. Ainda nos anos 1850, navios escravistas continuaram a desembarcar cativos trazidos da África ilegalmente em praias brasileiras. Ainda assim, desde a abolição da escravidão, um grande número de brasileiros recusa reconhecer que os africanos trazidos acorrentados nos porões de navios e seus descendentes foram aqueles que construíram o país.

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Bolsonaro: 1984 ou Black Mirror?

O atual governo tenta reeditar 1964 – ao pedir que o golpe fosse comemorado como revolução no último dia 31 de março -, como no livro 1984 de George Orwell, em que o personagem Smith deveria falsificar registros históricos para criar um passado de acordo com os interesses do governo.

por Leonardo Lusitano*, Le Monde Diplomatique

Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência em janeiro, muito tem se falado sobre como sua equipe ministerial estaria tentando reeditar, mais do que 1964, 1984. Estaríamos então numa espécie de distopia, similar àquela do livro clássico de George Orwell. Mesmo que o consenso no campo acadêmico seja o inverso, Vélez, o ex- ministro da Educação, buscava uma versão de 1964 onde não houve golpe nem ditadura e sim uma revolução gloriosa.

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Comissão do Estado brasileiro oficializa perseguição política como causa das mortes de vítimas da ditadura

Certidões retificadas foram entregues a familiares de quatro desaparecidos políticos. Durante cerimônia, Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos oficializou pedido de desculpas pelas graves violações cometidas

Morte “não natural, violenta, perpetrada pelo Estado brasileiro no âmbito de perseguição sistemática a opositores políticos”. Assim passaram a ser reconhecidos os óbitos de Divino Ferreira de Souza, João Massena Melo, Sérgio Landulfo Furtado e Elson Costa – desaparecidos políticos entre os anos de 1964 e 1985, no bojo das ações da ditadura militar no Brasil. A cerimônia de entrega das certidões retificadas ocorreu em 30 de maio, em Brasília, sob condução da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). A iniciativa contou com o apoio da Escola Superior do Ministério Público da União, da Coordenadoria-Geral de Memória e Verdade (SNPG/MMFDH) e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF).

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Helena Besserman e a máxima do “peixinho”

Por Álvaro Nascimento

Ontem, ao assistir no Jornal Nacional o economista Sergio Besserman Vianna (ex-Presidente do IBGE, intelectual que apesar de divergências políticas tinha o meu respeito e que sempre vi como um democrata) defender os cortes do governo Bolsonaro que atingem a realização, pelo IBGE, do Censo de 2020, me veio à mente a figura exemplar de sua mãe, a psicanalista Helena Besserman Vianna, já falecida.

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