Vale tudo – o remake neoliberal. Por Luiz Marques

O verdadeiro “vale tudo” não é o gesto anárquico, mas a lógica sistêmica que mercantiliza até a rebeldia, convertendo a luta de classes em drama individual e o SUS em pano de fundo para vender xampu

Em A Terra é Redonda

Lançada em maio de 1988 e finalizada em janeiro de 1989, a novela Vale Tudo traz a icônica cena do personagem que ao fugir da justiça faz o gesto da “banana para o Brasil”. Quem simboliza o mal no remake neoliberal da teledramaturgia ainda é Odete Roitman, cujo sobrenome deriva do iídiche (roit / vermelho, man / homem). A indisfarçável insinuação ideológica dos tempos da Guerra Fria ressurge agora na hegemonia totalitária da mercadoria, segundo o padrão dos shopping centers. (mais…)

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“Prêmio Nobel de Economia”: uma “farsa” a serviço do neoliberalismo

Vencedor do “Prêmio Nobel de Economia” de 2025, Philippe Aghion é convidado para todos os programas de televisão para elogiar o neoliberalismo. O problema é que este prêmio não é um Prêmio Nobel de verdade, e não é nada além de uma garantia de qualidade…

A reportagem é de Vincent Lucchese, publicada por Reporterre, com tradução do Cepat.

Que melhor maneira para justificar tudo do que um “Prêmio Nobel de Economia”? No dia 13 de outubro, o economista francês Philippe Aghion tornou-se co-vencedor do afamado prêmio em 2025, ao lado do americano-israelense Joel Mokyr e do canadense Peter Howitt. Imediatamente, a imprensa conservadora aproveitou a nova aura do vencedor do “Prêmio Nobel” para relembrar suas ideias neoliberais e sua contundente oposição ao imposto Zucman sobre os ultrarricos. (mais…)

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Aposta na vassalagem

Socorro financeiro de Trump e FMI tem objetivos claros: sustentar Milei e seu projeto até as eleições, fazer de Buenos Aires a fortaleza de Washington na América Latina e contrapor-se à presença chinesa. Mas e se o povo argentino disser não?

Por Thomas Palley, no Counter Punch | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

A Argentina voltou aos noticiários com a renovada turbulência financeira impulsionada pela má reputação política do presidente Milei. Essa má reputação é fruto da indignação com o péssimo desempenho econômico da Argentina e da corrupção maciça dentro do governo Milei, e é um mau presságio para o desempenho de seu partido nas próximas eleições de outubro de 2025. (mais…)

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Haverá futuro para os camponeses?

Os anos neoliberais os esmagaram em dívidas e angústias. O sistema os vê como vestígio do passado. Ainda assim persistem, são quase 2 bilhões e produzem 70% dos alimentos. Suas lutas não cessam. Eles podem ser parte de uma alternativa

Por Maryam Aslany, na Aeon | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Em 2007, as Nações Unidas divulgaram um relatório sobre a Situação da População Mundial. O documento assinalava que a vida humana na Terra estava ultrapassando silenciosamente uma marca histórica. Em 2008, a proporção de pessoas residentes no campo caía – pela primeira vez na história – para menos de 50%. Hoje, apenas 42% da humanidade vivem no campo. (mais…)

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A morte e a negação do luto na era do capitalismo acelerado e hiperconectado. Por Sérgio Botton Barcellos

Esses dias tive uma orientanda de doutorado que defendeu uma tese sobre a sustentabilidade, educação ambiental e morte. E fiquei pensando algumas situações. Então, me lembrei quando da morte de Belchior, em 2017, estava em João Pessoa, eu senti uma estranheza e uma tristeza profunda. Não sabia explicar. Mas, sentia que alguém importante tinha partido com um legado artístico e que se propôs a questionar o sistema de vida posto, inclusive os modismos. (mais…)

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Saúde do Trabalhador: como responder à uberização?

Precarização das relações laborais e explosão de acidentes e mortes no local de trabalho ocorreram lado a lado no Brasil. Fortalecer os serviços da Renastt é urgente – mas sem revogar a Reforma Trabalhista e outras formas de desregulamentação, pode ser pouco

Por Guilherme Arruda, Outra Saúde

Nos últimos dez anos, o Brasil viveu uma explosão de acidentes e mortes no local de trabalho. Não por coincidência, trata-se de um período em que se disseminaram novas formas de relação laboral no país, que têm como marca a desregulamentação e a redução das proteções a quem trabalha – a exemplo da uberização e a pejotização. Poderão a Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (STT) e seus instrumentos, como os Centros de Referências de Saúde do Trabalhador (Cerest) e a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Renastt), responder a esse novo e complexo desafio? (mais…)

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“O capitalismo sempre tentou derrotar a democracia”. Entrevista com George Monbiot

Neoliberalismo apresenta-se como uma descrição da ordem natural, diz o jornalista

em IHU

Em A doutrina invisível, o jornalista, ambientalista e terror profissional dos ricos e governos tíbios, George Monbiot, alia-se ao cineasta Peter Hutchison para rastrear como uma filosofia marginal dos anos 1930 foi adotada pelas elites como escudo, armadura e catecismo. E como acabou disfarçada de lei natural: algo tão inevitável quanto a gravidade, mas muito mais rentável para poucos. Como uma ideia tão impopular conseguiu se impor como senso comum global? (mais…)

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