Hoje, o país nas ruas. E depois?

Tsunami da Educação contagiou as escolas e pode espraiar-se pela sociedade, a partir desta quarta. O que ele revela sobre as fragilidades do projeto neoliberal e a necessidade de uma oposição verdadeira

por Antonio Martins, em Outras Palavras

Poucas vezes uma greve foi tão necessária quanto a que estudantes e educadores farão hoje, em centenas de cidades. Ela pode tirar o país de uma contradição paralisante, que perdura há meses. Por um lado, o governo Bolsonaro patina. A completa ausência de projeto, a precariedade intelectual e a incapacidade do diálogo fecham-lhe os caminhos. Seus projetos estacionam no Congresso. Uma sequência de atos irresponsáveis aumenta, a cada dia, os riscos de um impeachment – ou de revezes que levem à renúncia. A mídia, que abriu caminho para ele, indispõe-se. No entanto, uma espécie de agenda implícita avança avassaladora – que não tinha, até agora, oposição relevante. Desmonte dos serviços públicos, a ponto de faltarem, no SUS, medicamentos vitais. Ataques ao mundo do trabalho, na forma de contrarreforma da Previdência, inviabilização dos sindicatos, preparativos para adoção da “carteira verde-amarela”, sem direitos. Pico de violência contra negros, pobre e periferias, agora com uso de novos instrumentos de terror, como os “caveirões voadores” e o assassinato por snipers posicionados em plataformas de tiro. Onda obscurantista, que vai da “Escola sem Partido” à equiparação dos abortos a homicídios. Espectro de uma mega-leilão que pode entregar o Pré-Sal às petroleiras internacionais.

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Quarta-feira, tsunami!

“Com roupas negras, iremos às ruas. E cada estudante tem uma mãe, um pai, um vizinho que não concorda com a retirada de dinheiro da educação e que precisa de muito pouco para ser convencido protestar conosco”

por Pedro Gorki*, em Outras Palavras

Na segunda-feira, 6/5, eu estava junto às centenas de estudantes que protestavam do lado de fora do Colégio Militar do Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca. Dentro, o presidente Jair Bolsonaro, cujo governo anunciou, recentemente, o corte de 30% do dinheiro da educação. Enquanto Bolsonaro estava fechado, cercado por alto esquema de segurança, com medo da reação popular e de encarar os jovens que lá estavam, o protesto dos secundaristas ganhava o apoio da população, das pessoas que passavam a pé, nos carros, dos trabalhadores, de quem escutava as reivindicações e concordava com elas.

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Posicionamento das lideranças, Xamãs, Pajés e associações da Terra Indígena Yanomami sobre vídeo divulgado na página oficial do presidente Jair Bolsonaro (+vídeo)

Boa Vista, Roraima, 18 de abril de 2019

“No dia 17 de abril, o presidente Bolsonaro recebeu indígenas em Brasília. Nós Yanomami e Ye’kwana assistimos ao vídeo divulgado na página oficial do presidente das redes sociais e viemos responder o que foi dito em nome do povo Yanomami.

O Yanomami que aparece falando com o presidente não representa o povo Yanomami. Estamos reunidas 06 associações da Terra Indígena Yanomami, pajés, xamãs e lideranças Yanomami e Ye’kwana. Nós sim representamos o povo Yanomami e Ye’kwana, escolhidos por nossas comunidades para falar em nome delas. Somos mais de 26 mil Yanomami e Ye’kwana, que vivemos na Terra Indígena Yanomami.

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A possível reinvenção da Política

Manifestações gigantescas foram muito além do #elenão e sugerem que há, nas ruas, enorme potência repolitizadora – não captada pelos partidos. Como articulá-la?

por Antonio Martins, em Outras Palavras

A multidão que se uniu contra o fascismo, no sábado, foi imensa e ubíqua. Centenas de milhares em São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Belo Horizonte, Manaus e tantas outras capitais. Passeatas como há muito não se via em cidades médias de quase todos os Estados. Presença de grupos importantes mesmo nas ruas de muitas localidades menores. Sons e cores do Brasil em capitais do mundo, sugerindo que, depois de dois anos de infâmia, o país pode voltar a ter presença internacional importante. A multidão autoconvocou-se rapidamente pela internet, para lembrar que a rede, mesmo em tempos de vigilância, precisa ser disputada e pode ser ferramenta indispensável de convocação. Em duas semanas, um chamamento lançado por poucas mulheres – porém, capaz de dialogar com o desejo político de muit@s, articulou o que foi, de longe, a manifestação mais numerosa e mais importante e da campanha eleitoral. (mais…)

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Outra vitória para Rio das Pedras: Light é obrigada a remover medidores problemáticos

por Tyler Strobl, em RioOnWatch

Em uma grande vitória para os moradores de Rio das Pedras, a Light foi ordenada a remover seu mais recente modelo de medidor elétrico espalhado pela cidade. Com moradores reportando contas de energia extremamente altas nos últimos meses, essa decisão vem como uma grande vitória para a recém-formada Comissão de Moradores de Rio das Pedras, a qual, em apenas três meses, mobilizou-se de forma bem-sucedida para pressionar vereadores a agirem. (mais…)

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20 Princípios para Uma Mobilização Comunitária Bem Sucedida

O livro de Kahn, “Creative Community Organizing: A Guide for Rabble-Rousers, Activists and Quiet Lovers of Justice” (Mobilização Comunitária Criativa: Um Guia para Agitadores, Ativistas e Amantes Quietos de Justiça), é um manifesto para os politicamente ativos

Si Kahn – RioOnWatch

Fui um agitador e ativista social por 45 dos meus quase 66 anos, e ganhei minha vida como um profissional de direitos civis, trabalhistas e mobilizador comunitário, e também como um artista. Em minhas memórias políticas, Mobilização Comunitária Criativa: Um Guia para Agitadores, Ativistas e Amantes Quietos de Justiça (Berrett-Koehler, 2010), relaciono histórias de algumas das grandes campanhas de reforma social na história americana recente, das quais tive o privilégio de desempenhar um papel–incluindo o Movimento dos Direitos Civis do Sul, a greve dos mineiros de carvão do Condado de Harlan e a luta para abolir prisões privadas geridas por fins lucrativos e detenção de famílias imigrantes. O livro tem lições que espero que inspirem e motivem uma nova geração de mobilizadores comunitários e jovens ativistas–e qualquer outra pessoa que procure causar impacto nas suas comunidades, desde músicos e donas de casa, até professores e políticos. (mais…)

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Manifestações como as de 2013 provavelmente se repetirão, por Vladimir Safatle

Na Folha

Um dos traços mais evidentes do pensamento oligárquico está em sua forma de descrever o povo e as massas. São normalmente representações de uma espécie de sonâmbulo que age de forma irrefletida e nunca escapa por completo de um estado de sonolência. Daí as injunções sobre o estado de anestesia do povo, de sua apatia e indiferença. No Brasil, tal pensamento está tão enraizado que o país costuma se ver a si mesmo como um gigante dormindo. (mais…)

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