Brasil: há espaço para a Soberania Digital

Atraso do país nas tecnologias do século XXI pode ser encarado. Caíram os argumentos contra a tributação das big techs. É possível obter os necessários – e livrá-los do “ajuste fiscal”. Há luta política adiante – mas, agora, um horizonte viável

Por James Gorgen, em Outras Palavras

Em 5 de janeiro, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou a alteração em um acordo que pode representar a maior oportunidade tributária do Brasil na era digital. Após negociações com a administração Trump, 147 países aprovaram a exclusão de multinacionais americanas do imposto mínimo global de 15% estabelecido pelo Pilar 2 do Base Erosion and Profit Shifting Project (BEPS) em um acordo de 2021. Comentando o feito, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi direto ao ponto: o acordo reconhece “a soberania tributária dos Estados Unidos sobre as operações mundiais de empresas americanas e a soberania tributária de outros países sobre a atividade comercial dentro de suas próprias fronteiras”1. (mais…)

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Eleições: A ameaça invisível das big techs. Por Reynaldo Aragon e Eden Cardim

A dez meses das urnas, resta um ponto cego: qual será o papel das redes sociais, turbinadas por IA? Corporações têm meios técnicos para desviar votos manipulando os medos e desejos de cada eleitor. Para impedi-las, é preciso ação política. Haverá?

Em Outras Palavras

A Eleição Invisível

A eleição brasileira de 2026 já começou — e ela não está acontecendo no território físico, mas no território cognitivo. Enquanto o debate público olha para pesquisas, candidatos e alianças partidárias, a disputa real se desenrola em outra camada da realidade: a arquitetura invisível das plataformas digitais, onde algoritmos e capital privado constroem aquilo que chamo de gerrymandering digital. Trata-se de uma técnica sofisticada, capaz de reorganizar o eleitorado não por regiões geográficas, como no gerrymandering clássico, mas por regiões emocionais, grupos de comportamento, padrões de vulnerabilidade psicológica e tendências de engajamento afetivo. Em vez de redesenhar distritos no mapa, as plataformas redesenham o mapa mental do país. (mais…)

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Identificação de jovens com o fascismo é sintoma de uma época em que gerações temem o futuro. Entrevista especial com Rose Gurski

“O fascismo contemporâneo é o nome político do desespero produzido pela precariedade do laço social”, sintetiza a psicanalista e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Por: Patricia Fachin, em IHU

Múltiplas são as formas de explicar o desejo pelo fascismo, aquela atração que jovens e adultos sentem pelo autoritarismo. À luz da psicanálise, esse sentimento pode ser compreendido como “a nomeação de um sintoma político que descreve uma parte da gramática do desamparo contemporâneo”, diz Rose Gurski. É nesse terreno de desamparo e fragmentação que novos fascismos emergem, segundo a psicanalista. “Eles prosperam não mais como ideologias centralizadas, mas como formas afetivas e micropolíticas de gozo autoritário disseminadas nas redes e nos discursos cotidianos”, afirma. (mais…)

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O manual das Big Techs para impedir leis de remuneração à imprensa

Meta e Google fizeram campanhas, ameaçaram bloquear notícias e fecharam acordos para influenciar leis em quatro países

Por Krisna Adhi Pradipta, Raymundus Rikang, Tempo, Anton Nilsson, Crikey, Carly Penrose, The IJF, Natalia Viana, Agência Pública

Na última década, enquanto as empresas de mídia lutavam para ganhar dinheiro em um mercado digital em transformação, governos propuseram leis para exigir que as Big Techs paguem aos veículos de comunicação pelo uso do seu conteúdo. (mais…)

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“Alugando o inimigo”: como o Google pagou milhões à imprensa para evitar a regulação

‘Google Destaques’ criou dependência financeira e ajudou a empresa a escapar de regras de compensação ao jornalismo

Por Anton Nilsson, Crikey, Carly Penrose, The IJF, Krisna Adhi Pradipta, Tempo, Natalia Viana, Agência Pública

Em 2022, Luiz* ficou entusiasmado ao saber que seu jornal local no Brasil seria contemplado com um contrato com uma das empresas mais poderosas do mundo. Assim como em outros países, muitos pequenos veículos de imprensa brasileiros mal conseguiam juntar recursos para sobreviver. A oferta de dinheiro de uma empresa como o Google parecia um milagre. (mais…)

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Como as Big Techs mataram o PL das Fake News

PL 2630 mudou a relação das big techs com a extrema direita e expôs estratégias de lobby contra regulações

Por Laura Scofield, Natalia Viana | Edição: Marina Amaral, Agência Pública

Quando Jair Bolsonaro entrou no escritório do Facebook em Brasília, no imponente Corporate Financial Center, no fim da tarde de 2 de abril de 2025, a tensão era grande. Para a liderança da Meta no Brasil, era crucial que o encontro não saísse nos jornais. Afinal, Bolsonaro era réu por tentar um golpe de Estado com ajuda dos militares, e um encontro amigável mandaria a mensagem errada apenas meses depois de Mark Zuckerberg dizer que se aliava ao governo Donald Trump. (mais…)

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‘Mais que adultização, é pedofilização’: especialista aponta silenciamento da violência contra crianças nas redes

Anderson Barcelos Martins defende regulação das plataformas para conter discurso de ódio e proteger os pequenos

Brasil de Fato

Depois que o influenciador Felipe Bressanin, o Felca, dominou todas as conversas e sacudiu o país com seu documentário Adultização, até a Câmara dos Deputados se mexeu e aprovou nesta semana o PL 2.628. Através do projeto, as plataformas devem assumir obrigações e criar mecanismos capazes de proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. (mais…)

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