Brasil: A água sob o domínio do rentismo?

Crise climática é usada por instituições internacionais para tentar capturar o saneamento do país, estimulando privatizações e PPPs. Resultado: o privado abocanha subsídios, entrega péssimos serviços e coloca em risco a soberania nacional. E governos caem na arapuca…

por Helder Gomes e Merci Pereira Fardin, em Outras Palavras

Devemos ficar muito atentos ao movimento de expansão das privatizações e das Parcerias Público-Privadas (PPP) na área do saneamento ambiental. O grande capital e as agências multilaterais de financiamento (Banco Mundial, entre outras) aproveitam muito bem o momento de explicitação da crise climática, bem como da urgência que ela impõe por mudanças nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, para difundir programas de reestruturação das cidades, como sinônimo de adequação aos chamados desafios do novo milênio. No entanto, o que está em jogo, de um lado, é a concorrência pelo controle das fontes de água potável pelos grandes conglomerados capitalistas, que disputam as fontes de matérias-primas em nível mundial. (mais…)

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As corporações que controlam as águas do Brasil

Um punhado de transnacionais, associadas a grandes fundos e bancos, apressa-se a controlar as empresas de saneamento. O preço é irrisório – às vezes, menos que um ano de receita. O ganho estratégico é enorme. O BNDES financia a mamata

por Dalila Calisto*, em Outras Palavras

Recentemente, a empresa Equatorial, uma das principais distribuidoras de energia elétrica do país, assumiu a gestão da Sabesp, maior empresa de saneamento do Brasil, após ter disputado e vencido, sem concorrência, o leilão que levou à privatização da empresa, em julho de 2024. Em 2021, a Equatorial já havia sido vencedora do leilão, que privatizou o saneamento no estado do Amapá. Na época, por meio do pagamento de R$930 milhões de reais, a empresa tornou-se responsável pela gestão dos serviços de distribuição de água e coleta de esgoto em dezesseis cidades do Estado, passando a atender cerca de 700 mil pessoas. (mais…)

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De volta às doenças ligadas ao saneamento

Avança a ideia de que muitas enfermidades contemporâneas não podem ser compreendidas apenas por seus agentes infecciosos. Uma classificação brasileira – a DRSAI – ajuda a compreender a relação entre saneamento inadequado e epidemias como a dengue

Por Mariana Cristina Silva-Santos, Priscila Neves Silva e Léo Heller, do Instituto Rene Rachou – Fiocruz Minas, em

Muitas doenças que possuem como causa um agente biológico infeccioso também possuem rotas ambientais de transmissão determinantes. Trabalhos acadêmicos vêm procurando compreender essas relações e agrupar doenças e fatores ambientais na forma de classificações. Uma dessas abordagens inclui uma importante classificação ambiental, extensamente utilizada no Brasil, chamada DRSAI – Doenças Relacionadas ao Saneamento Inadequado (Costa et al., 2002). Na época de sua formulação, o rol de doenças que ela incluiu foi adaptada ao contexto brasileiro e abrange cinco categorias de doenças: de transmissão feco-oral, de transmissão por inseto vetor, de transmissão através de contato com a água, de transmissão relacionada com a higiene e, por fim, de transmissão causadas por geo-helmintos e teníases. Construída há mais de duas décadas, esta classificação possibilitou inúmeros avanços no conhecimento e na construção de indicadores sanitários, uma vez que o cerne da sua proposta foi direcionado a explorar os indicadores de internações hospitalares por doenças advindas da ausência de saneamento. (mais…)

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Água: história de uma privatização infame

Como o governo Lula manteve (na contramão do resto do mundo) as políticas de Temer e Bolsonaro para o saneamento. Paradoxo: megafundos globais controlam as águas brasileiras com financiamento do BNDES. A universalização, pretexto falso

Por Marcos Helano Montenegro, Amauri Pollachi, Edson Aparecido da Silva e Ricardo de Sousa Morettii, em Outras Palavras

Foi após o golpe que derrubou Dilma Roussef que setores empresariais e financeiros interessados na privatização do saneamento usaram a universalização dos serviços como pretexto eficaz para alcançá-la. Identificando o possível beco sem saída em que nos meteram, os autores mostram quais são os verdadeiros desafios a superar, desnudam as mazelas da prestação privada, denunciam o papel do BNDES na oligopolização dos prestadores para ao final propor algumas das necessárias correções no rumo da política pública para o setor. (mais…)

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Uma vitória contra a privatização das águas

Notável reviravolta em Jaguariúna-SP. População e servidores organizaram-se em comitê. Promoveram audiências públicas, ocuparam ruas e redes sociais e pressionaram os vereadores. Resultado: prefeito recuou em seu plano de desestatizar companhia de saneamento

por Renata Furigo, Igor Tadeu de Araújo e Marcos Montenegro, em Outras Palavras

Em 30 de agosto passado o prefeito Gustavo Reis (MDB) comunicou que havia desistido do projeto de privatização dos serviços de saneamento básico de Jaguariúna – SP, cidade de 61 mil habitantes localizada na Região Metropolitana de Campinas. O anúncio foi feito em reunião com funcionários do Departamento de Água e Esgoto da Prefeitura e com representantes do Comitê em Defesa da Água (CDA). (mais…)

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Dengue: por que ignora-se o papel do saneamento?

Abastecimento de água, esgoto sanitário e coleta de lixo são fatores decisivos na propagação das doenças do mosquito. Mas são pouco debatidos, em momentos de crise. Uma série de estudos mostra que há caminhos melhores para conter arboviroses

Por Josiane Queiroz e Priscila Neves Silva, em Outra Saúde

A indisponibilidade ou precariedade de serviços de saneamento está por trás da incidência de surtos de dengue e outras arboviroses – mas é largamente ignorada no debate público. É o que indicam uma série de estudos publicados no Brasil, que analisaram a situação de dezenas de cidades. Entre os fatores mais preocupantes, estão a irregularidade de abastecimento de água, que obriga moradores a estocarem água, a ausência de esgotamento e falta de planejamento urbano, que empurra a população a terrenos irregulares. Quem mais sofre, os estudos deixam claro, também são os brasileiros mais vulneráveis. E a situação está piorando. (mais…)

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Água: o drama das favelas e comunidades

Apesar da melhora, Censo mostra a grande deficiência em democratizar o acesso ao saneamento. Isso pode se agravar com as privatizações que, em busca de mais lucros, excluem assentamentos informais do direito humano à vida e saúde

por Ricardo de Sousa Moretti e Liza Maria de Souza Andrade, em Outras Palavras

O emaranhado de leis federais, estaduais e municipais, extenso, complexo, confuso, não é ensinado pelos pais nem pela escola básica. Nem poderia. Pode-se imaginar uma cena hipotética, caricata, de um pai ou professora lendo os diários oficiais para saber e ensinar as novas leis promulgadas ou modificadas naquele dia. Curioso lembrar que não se pode alegar o desconhecimento da lei para justificar seu descumprimento. Supõe-se que todos saibam todas as leis, mesmo sem qualquer tipo de ensino formal sobre elas, que se modificam a cada dia. Porém, o aprendizado da lei tem algo de intuitivo, de acúmulo de vivências, que se dá pelos hábitos e costumes de uma sociedade. Apesar da lei formalmente instituída, grupos diversos, em um mesmo país, assumem regras diversas que têm força de lei informal naquela comunidade específica. Algumas leis maiores são de conhecimento geral e são assumidas também de forma geral. (mais…)

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