Um calor descrito como infernal tomou conta da Aldeia Porto Praia, às margens do rio Amazonas. A cena lembrava a de um deserto de areia escaldante. A seca implacável de 2023 não apenas desidratou os cursos d’água da Amazônia, mas impôs uma adaptação quase impossível para os povos da floresta. Como sobreviver se as panelas recheadas de peixe foram substituídas por sardinha, salsicha e outros produtos industrializados? Como ir e voltar se muitas das embarcações não serviam para mais nada? No município de Tefé, quando o rio secou, foi como se a garganta e o coração secassem e morressem
Por Wérica Lima, em Amazônia Real
Tefé (AM) – O que aconteceu em Tefé e em outros municípios da região Norte no ano passado tem nome e sobrenome: racismo ambiental. Populações mais vulneráveis, incluindo indígenas e ribeirinhos, foram os mais afetados pela grande estiagem que atingiu os rios da bacia amazônica. Da noite para o dia, largas “estradas de água” se transformaram em lamaçais, e, conforme os dias passavam, em areia e pó. Muitos acompanharam esse drama pela TV, mas nem podem imaginar como isso afetou a vida da população local. (mais…)
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