Belo Monte, a obra que une os polos políticos. Por Eliane Brum

Duas vezes inaugurada, a primeira por Dilma Rousseff (PT), a segunda por Jair Bolsonaro (PSL), a polêmica usina denuncia o drama da democracia brasileira

El País

A polarização entre o bolsonarismo e o petismo é uma realidade. Há outras realidades, porém. E é urgente que elas sejam vistas. Perceber o que quebra a polarização é tão importante —ou até mais— quanto perceber o que a mantém, se quisermos respeitar a memória para, com ela, criar uma história que respeite a Amazônia e os seus povos. Hoje não mais uma opção, mas uma emergência, já que sem a floresta em pé não há possibilidade de futuro. Belo Monte é a obra que demanda o enfrentamento das contradições. É isso o que mostra, mais uma vez, a inauguração —pela segunda vez— da usina erguida no rio Xingu, no Pará. Quem inaugurou a primeira turbina, em 5 de maio de 2016, foi Dilma Rousseff (PT), antes da conclusão do processo de impeachment. Quem inaugurou a décima-oitava e última turbina foi Jair Bolsonaro (PSL), em 27 de novembro. Ambos estavam orgulhosos. Sem enfrentarmos os porquês deste orgulho pela realização de Belo Monte, capaz de superar a atual polarização política do Brasil, seguiremos barrados como país.

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Manuela Carneiro da Cunha: “Belo Monte foi mal projetada, mas enriqueceu muita gente”

Uma das principais antropólogas do país falou à Pública sobre o governo Bolsonaro e a Amazônia: “Nem na ditadura houve um discurso como o do atual governo contra os indígenas”

Por Anna Beatriz Anjos, Agência Pública

“Nós precisamos da floresta e temos que defender a floresta.” Foi assim que Manuela Carneiro da Cunha, um dos maiores nomes da antropologia no Brasil, encerrou sua fala no encontro “Amazônia, centro do mundo”, na última semana, em Altamira, Pará. Ao lado de indígenas, ribeirinhos, pescadores, lideranças de movimentos sociais, ativistas e pesquisadores, ela destacou que a preservação da maior floresta tropical do planeta só é possível pelas mãos das populações que nela sobrevivem e, justamente por isso, entendem a necessidade de mantê-la em pé. “É preciso perceber a importância dos povos tradicionais enquanto guardiões da floresta”, afirma. Manuela conversou com a Agência Pública na Universidade Federal do Pará (UFPA), onde ocorreu o evento, entre uma atividade e outra.

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Projeto de Belo Monte ignora ciclos de estiagens, põe em risco a hidrelétrica e aumenta danos sociais e ambientais. Entrevista especial com André Sawakuchi

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Recentemente, o portal do jornal El País publicou reportagem revelando que a empresa Norte Energia SA, gestora da Hidrelétrica de Belo Monte, reconhece problemas estruturais no empreendimento. Segundo apurou a jornalista Eliane Brum, em outubro, a direção da empresa chegou a enviar correspondência para Agência Nacional de Águas – ANA pedindo autorização para reduzir a vazão afluente do reservatório Intermediário, onde está instalada a maior capacidade de geração de energia de Belo Monte, porque, devido à estiagem, o baixo nível da água no reservatório Xingu colocaria em risco a estrutura da barragem Pimental na calha do rio Xingu. “A urgência da demanda apresentada no documento em questão sugere que o cenário hídrico de outubro de 2019 não foi previsto no projeto da estrutura da barragem Pimental e pelas condições de operação da Usina Hidroelétrica de Belo Monte”, observa o professor do Instituto de Geociências da USP, André Oliveira Sawakuchi.

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Erro de projeto coloca estrutura de Belo Monte em risco. Por Eliane Brum

Em outubro, a Norte Energia SA afirmou em documento que precisava alterar a vazão do reservatório intermediário, devido à seca severa do Xingu, para evitar danos estruturais na barragem principal. Cenário lança incertezas sobre a segurança da hidrelétrica

No El País Brasil

A polêmica Usina Hidrelétrica de Belo Monte ainda não está concluída, mas um documento da Norte Energia SA mostra que há problemas no projeto. Em 11 de outubro de 2019, o diretor-presidente da empresa concessionária, Paulo Roberto Ribeiro Pinto, escreveu à diretora-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Christianne Dias Ferreira, uma carta com o seguinte título: “Ação urgente para controle do nível do Reservatório Xingu da UHE Belo Monte”. No documento, afirma que “o atual período de estiagem tem se mostrado bastante crítico, com vazões afluentes baixas no Xingu, sendo nos últimos dias da ordem de 750 metros cúbicos por segundo”. A usina precisa manter uma vazão acima do mínimo de 700 metros cúbicos na Volta Grande do Xingu, região que vive uma situação de total insegurança das condições de vida provocada pela insuficiência do volume de água liberado por Belo Monte. Assim, a empresa pede autorização para reduzir a vazão no reservatório intermediário, o artificial, para compensar a baixa de água no reservatório do Xingu, sem agravar ainda mais a situação extremamente crítica da Volta Grande. A razão: se não mantiver a cota mínima de 95,20 metros no reservatório do Xingu, a onda negativa que poderá se formar devido aos ventos “atingirá áreas da barragem não protegidas por rocha”. Esta situação, afirma o diretor-presidente da Norte Energia, “pode resultar danos estruturais à principal barragem do Rio Xingu, que é Pimental”. Na tarde de 10 de outubro, dia anterior à data do documento, o nível do reservatório do Xingu já havia atingido 95,20 metros. Ou seja: danos estruturais na barragem estavam no horizonte de possibilidades.

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Lula livre, sim, mas sem fraudar a história. Por Eliane Brum

O PT não contribuirá com a criação de um futuro melhor se seu maior líder seguir insistindo em apagar a memória de Belo Monte

No El País

Luiz Inácio Lula da Silva, preso há mais de um ano, deve ser libertado. E isso provavelmente acontecerá, de um modo ou outro. Lula deve ser libertado porque o processo que o colocou na cadeia está povoado por abusos do poder judiciário e despovoado de provas. Como já escrevi neste espaço, a prisão de Lula não mostrou que até os poderosos são presos no Brasil, mas sim que até os poderosos podem ter seus direitos violados no Brasil. O que cada um acha sobre a culpa ou inocência de Lula não importa, o que importa são provas e o cumprimento do rito legal. É isso que nos protege a todos, é isso o que também separa a democracia da ditadura. É fundamental, porém, fazer uma distinção. Como qualquer brasileiro, Lula tem direito à justiça. Mas Lula não tem direito aos seus próprios fatos.

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Belo Monte e Belo Sun. O desenvolvimentismo triunfalista e violento que afunda a região amazônica em degradações. Entrevista especial com Elielson Silva

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Com a promessa de gerar empregos e prosperidade econômica através de megaempreendimentos de mineração, uma ideia de  desenvolvimentismo acaba sendo vendida como saída para a região amazônica. Mas, na verdade, o que fica para as populações locais são inúmeras degradações, de ambientais a sociais. “Em síntese, é um processo social descontínuo marcado por graves conflitos e violências”, resume  Elielson Silva, pesquisador do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia. O caso da mineradora canadense Belo Sun, que se instalou na  Volta Grande do Rio Xingu, no Pará, é um clássico exemplo desse desenvolvimentismo. Elielson tem acompanhado de perto essas transformações desde os primeiros movimentos de instalação do empreendimento. “A intensificação das atividades da Belo Sun está envolta, por um lado, em regimes de representação sustentados por um  desenvolvimentismo triunfalista, e de outro, por múltiplas violências”, observa.

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Atingidos por Belo Monte tentam barrar a privatização da água

No Mab

Diversos movimentos sociais, instituições e autoridades estão se mobilizando para impedir mais um crime em Altamira (PA): a privatização da água. A prefeitura municipal pretende conceder a operação do fornecimento de água e tratamento e coleta de esgoto para uma empresa privada, em um processo conduzido às pressas, sem participação popular e sem que o sistema esteja funcionando plenamente.

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Após fim do comitê que cuidava de ações socioambientais de Belo Monte, futuro na região é incerto

Projetos paralisados e extinção da participação da sociedade civil ameaçam o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSX).

por Isabel Harari, em Instituto Socioambiental – ISA / IHU On-Line

Seis meses após o governo extinguir o comitê gestor que cuidava das ações do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSX), programa financiado com recursos da usina hidrelétrica (UHE) Belo Monte, o futuro na região ainda é incerto. Criado em 2010, o PDRSX tinha como objetivo investir no desenvolvimento sustentável da região afetada pela construção do empreendimento.

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