Os ruralistas, a esquerda brasileira, o eco-liberalismo e a Amazônia

A bancada ruralista promoveu retrocessos que colocam em risco o futuro da Amazônia, ao mesmo tempo que o eco-liberalismo ocupa um espaço negligenciado pela esquerda.

Por Marcelo Brito, Voyager

Resumo: os governos mais devastadores para a Amazônia são aqueles apoiados pelas forças políticas mais retrógradas do Brasil, ou seja, o regime militar e o governo Temer. Porém, apesar de alguns acertos, o histórico dos governos Lula e Dilma na Amazônica também não foi muito bom. Isto pode ser visto na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na tramitação do Código Florestal e na lei da terra legal. Isto em parte se explica pela composição do Congresso, em que a bancada ruralista é muito numerosa, e também no presidencialismo de coalizão. Mas isto não explica tudo. Existe uma invisibilidade da Amazônia para o Centro-Sul do Brasil, o que inclui até mesmo a esquerda política e acadêmica do Centro-Sul do Brasil. Mesmo que muitos movimentos sociais da Amazônia, nascidos durante a redemocratização do Brasil, tenham forte ligação com organizações de esquerda. Quem acaba ganhando grande visibilidade como “defensor da preservação da Amazônia” é um eco-liberalismo de grandes empresas com “responsabilidade sócio-ambiental”, grandes grupos de mídia e ONGs. A esquerda precisa recuperar o protagonismo na defesa da Amazônia, para evitar a cisão da luta pela justiça ambiental com a luta pela justiça social, e para evitar a cisão na luta pela defesa dos povos oprimidos das diferentes regiões do Brasil. (mais…)

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Grandes obras e a ameaça à sobrevivência de povos indígenas

Entre os impactos observados estão pressões sobre os serviços de saúde e acesso a terra, alterações das dinâmicas de rios, na qualidade da água, ar e solo e perda de espécimes de fauna e flora

por Priscila Passos*, no blog do Brasil Debate

Não é de hoje que os povos indígenas convivem com a espoliação de seus modos de vida tradicionais, suas terras e sua organização sociocultural, decorrentes de ações da sociedade envolvente nos planos econômico, ideológico e cultural. (mais…)

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Especial Amazônia Resiste: Depois de Belo Monte

Em três semanas de viagem, a reportagem da Pública encontrou indígenas vivendo em palafitas insalubres em Altamira e visitou os Arara na terra indígena mais desmatada recentemente no país

por Ciro Barros, Iuri Barcelos, da Agência Pública

Lentamente Altamira desperta de seu sonho de barragem. Seis anos após o início das obras, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte ainda tem um enorme passivo socioambiental a ser encarado. O leque de desafios é tão grande quanto o volume de concreto da terceira maior hidrelétrica do planeta. Do saneamento básico urbano à implementação de planos de atividades produtivas e de vigilância em aldeias indígenas atingidas; da construção de escolas e postos de saúde a problemas nos Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUCs), os bairros erguidos pela Norte Energia para reassentar 4 mil das 10 mil famílias removidas pela obra, segundo os números do MAB  (Movimento dos Atingidos por Barragens) e do ISA (Instituto Socioambiental) – a empresa diz que são 8 mil famílias removidas. Foram as más condições dos reassentamentos que motivaram a suspensão da licença de instalação da usina em setembro. (mais…)

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Linhões de transmissão foram planejados em solo inadequado e não poderão transportar energia. Entrevista especial com André Aroeira Pacheco

Patricia Fachin – IHU On-Line

As críticas feitas ao Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, que previa investimentos em infraestrutura e a priorização das hidrelétricas no planejamento energético, se concretizaram, diz o biólogo André Aroeira Pacheco à IHU On-Line. “A grande maioria dos projetos não tinha viabilidade ambiental, econômica e social, e o governo teve que lançar mão de instrumentos antidemocráticos e repressivos para viabilizá-los. Foi o caso do uso da suspensão de segurança contra as judicializações, da troca de comando dos órgãos licenciadores para assegurar decisões políticas ao invés de técnicas no licenciamento ambiental e do uso da força nacional e do exército em inúmeras situações, para garantir a execução dos trabalhos”, lembra. (mais…)

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Índios afetados por hidrelétrica de Belo Monte cobram estruturação da Funai

Representantes de 11 terras indígenas foram ao Ministério do Planejamento pedir nomeação de aprovados em concurso público. MPF quer implantação de medidas que atenuem impacto da obra

Procuradoria-Geral da República

Representantes de 11 terras e nove povos indígenas afetados pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, no médio Xingu, compareceram ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG), no dia 20, para cobrar a nomeação de servidores aprovados no último concurso da Fundação Nacional do Índio (Funai). O certame destinou 220 vagas, a maioria para indigenista especializado. A estruturação da Funai na região de Altamira (PA) é uma medida condicionante, requisito para liberação da licença de instalação da obra, e que até hoje não foi cumprida, razão pela qual o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública. (mais…)

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“O Governo e Belo Monte têm uma dívida impagável com a população do Xingu e de Altamira”

Antônia Melo da Silva recebe o Prêmio Soros por defender os direitos de 30.000 indígenas desalojados pela construção de Belo Monte

Por Lola Hierro, El País Brasil

Antônia Melo da Silva (Piripiri, Piauí, 1949) não é um rosto novo na luta pelos direitos humanos e ambientais. Está há mais de duas décadas na linha de frente de uma batalha que não está disposta a perder; a que ela — e centenas, milhares como ela — mantêm contra as barragens de Belo Monte, às margens do rio Xingu, no Estado brasileiro do Pará, que forçou 30.000 pessoas a abandonar suas terras. Sua tenacidade e coragem lhe valeram ser reconhecida, aos 68 anos, pelo prêmio anual da Fundação Alexander Soros, uma organização destinada a promover os direitos civis, a justiça social e a educação mediante a concessão de subvenções a movimentos que se destacam nesse trabalho. Antônia recebeu o prêmio em 10 de outubro em Nova York, representando o Movimento Xingu Vivo para Sempre, a associação que ela mesma fundou e com a qual tornou sua causa conhecida no mundo todo. (mais…)

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“Mataram meu filho. Mas não quero polícia mais armada, eu quero políticas públicas”, por Eliane Brum

Com Belo Monte, Altamira mergulha num ciclo de violência e uma mãe se alia à comunidade para um levante pela paz

No El País Brasil

Em apenas quatro dias, de 29 de setembro a 2 de outubro, Altamira foi manchada pelo sangue de nove assassinatos. Estes são os assumidos pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará. Pode ser mais. E pelo menos mais uma pessoa foi morta, desta vez pela Polícia Militar, em 11 de outubro. Málaque Mauad Soberay, 47 anos, foi uma das mães que hoje chora pelo seu filho morto. Magid, de 22 anos, era estudante do sexto semestre de Geografia no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira. Málaque, que ganha a vida fazendo salgados para vender, destacou-se na manifestação contra a violência que percorreu as ruas da cidade. Ela puxou um coro que não era de vingança, como é tão comum em momentos de dor extrema. Málaque não pediu mais sangue. Málaque não pediu linchamento. Málaque pediu amor. Amor até mesmo pelos assassinos do seu filho. E especialmente por suas mães. (mais…)

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Luta inspiradora: Antônia Melo, histórica defensora ambiental do Xingu, recebe prêmio da Fundação Alexander Soros

No Conectas Direitos Humanos

Antônia Melo da Silva, ativista ambiental brasileira historicamente reconhecida pelo seu trabalho enquanto coordenadora geral do Movimento Xingu Vivo para Sempre, recebeu, nesta terça-feira, 10, o prêmio da Fundação Alex Soros para ativistas ambientais e dos direitos humanos. (mais…)

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Justiça Federal autoriza uso de força policial para paralisar obras de Belo Monte

Ordem de paralisação foi enviada ao presidente da Norte Energia e ao Ibama em 14 de setembro, mas até agora não foi cumprida

Procuradoria da República no Pará

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, autorizou o uso de força policial para garantir que a ordem de paralisar as obras de Belo Monte seja cumprida, em obediência à decisão proferida no julgamento do último dia 13. Os ofícios ordenando a paralisação foram enviados pelo tribunal, no dia 14, para o presidente da Norte Energia e para a presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), mas até agora as obras não foram suspensas. (mais…)

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TRF1 ordena adequação das casas destinadas aos atingidos por Belo Monte em Altamira. E suspende licença de instalação da usina

Decisão suspendeu a Licença de Instalação de Belo Monte, o que vai obrigar a paralisação das obras da hidrelétrica no rio Xingu

Procuradoria Regional da República – 1ª Região

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, ordenou hoje (13) a suspensão da licença de instalação da usina de Belo Monte. Com a suspensão, ficam paralisadas todas as obras da hidrelétrica que está sendo construída no rio Xingu e que tinha previsão para conclusão em 2019. (mais…)

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