9 expressões que você usa e não sabe que são racistas

por Isabela Faggiani, no ONDDA

A língua é viva e vai se modificando de acordo com os comportamentos e o modo de vida dos falantes. Por isso, é comum que algumas expressões e gírias acabem morrendo e sendo substituídas por outras.

E, como a nossa sociedade sempre foi racista, também é comum que muitas expressões e gírias antigas tenham uma origem de preconceitos. Porém, ainda há certas expressões que são resistentes ao tempo e, hoje, parece que perderam a sua conotação de racismo, mas não se engane, elas continuam recheadas de preconceito.

Você pode ter usado alguma delas – ou até todas – sem nem saber que a sua verdadeira origem serve para diminuir uma raça inteira de pessoas. Por isso, o ONDDA fez uma lista com 9 dessas expressões. Assim, quem sabe as pessoas não pensam em usar outros termos para se referirem à mesma coisa? Termos que, dessa vez, não tenham um passado maldoso:

  1. A coisa tá preta – Aqui temos uma expressão na qual a palavra “preta” quer dizer algo ruim. Quando “a coisa tá preta” quer dizer que algo deu errado, não está bom. Pensar que algo que é preto ou negro é ruim é uma ideia totalmente racista.
  2. Ovelha negra – Essa expressão é muito usada para designar uma pessoa que se destoa das outras de um mesmo grupo. É a pessoa “diferente”, pois todas as ovelhas são brancas, então uma “negra” seria estranha. Mas, por que usar essa comparação? Serve para reforçar que o normal é ser branco e ser negro é diferente e esquisito. E sabemos que isso não é real.
  3. Mercado negro – Mais uma expressão que liga “negro” a algo negativo. Nesse caso, negro é o ilegal. O ilícito. De novo, o ruim.
  4. Denegrir – A expressão é negativa, usada para falar sobre manchar a reputação ou difamar alguém. Porém, sua origem vem de “tornar negro”, colocando, portanto, o negro como algo negativo e errado. Tornar algo ou alguém negro não deve ser visto como algo negativo ou ruim.
  5. Inveja branca – Aqui vemos o contrário: enquanto o preto e o negro são usados para denominar coisas ruins, o branco é usado como algo bom. A inveja é um sentimento visto como ruim e negativo, mas quando acompanhada da palavra “branca”, é algo positivo. Isso também é racismo. Enaltece o branco, o que, automaticamente diminui o negro.
  6. Mulato/Mulata – A palavra vem de “mula”, que é a junção entre o burro e a égua, ou seja: dois animais diferentes. Usada para denominar pessoas que nasceram de um pai negro e uma mãe branca (ou vice-versa), tem exatamente o mesmo sentido de falar da Mula: uma pessoa que nasce de dois tipos diferentes. Isso iguala essas pessoas aos animais, tira-lhes a humanidade.
  7. Boçal – A palavra quer dizer “rude, grosseiro, imbecil ou ignorante”. Mas a sua origem é de assustar: ela era usada para designar os negros vindos da África que ainda não sabiam se comunicar na língua portuguesa. Por eles não conseguirem usar o português, eram vistos como menos instruídos, por isso a expressão logo se popularizou e começou a ser usada para designar qualquer pessoa que não tenha instrução.
  8. Não sou tuas negas – Essa gíria virou meme na internet. As pessoas começaram a usar como se fosse algo “engraçadinho” para quando alguém começasse a folgar ou mandar. A expressão é totalmente racista e escravocrata. “Não sou tuas negas” seria como um “você não manda em mim”, por que? Porque as negras eram propriedade dos brancos, elas eram mandadas por eles. Portanto, “ser tua nega” significa que você obedeceria a pessoa.
  9. Judiar – Essa palavra é antissemita. Judiar significa “maltratar”, “ser mal” (como um judeu seria). A palavra tem ligação direta com os judeus e dá a entender que quem é judeu é malvado.

Bônus: Dia de branco – A expressão significa que é dia de trabalhar e, diferente do que muitos pensam, não tem origem racista. O primeiro pensamento de quem ouve, porém, é de que ela surgiu por causa do preconceito de brancos contra negros. Dizem que a expressão surgiu na Marinha, por causa dos uniformes brancos que eles tinham que usar para trabalhar. A pegadinha dessa expressão é que, com ela, ocorreu o contrário do que com as outras: enquanto as sete expressões mencionadas acima foram perdendo seu cunho racista, “dia de branco” foi ganhando. Hoje, quando é usada, geralmente vem acompanhada de alguma piada ou algum trocadilho racista. Ela tem um peso muito grande e pode sim ter uma interpretação racista, então fique atento.

Crédito da imagem: Pixabay

Comments (16)

  1. A maior prova de nosso racismo estrutural é a reação da maioria das pessoas quem leem o posto: negam o preconceito racial presentes nas expressões citadas. O Brasil precisa urgente uma virada radical de nossas escolas contra a lógica perversa do capital.

  2. A reação ao texto, em muitos casos ignorante e furiosa, de muitas pessoas brancas é amostra suficiente de que o texto não está certo. Alguns comentários evidenciam que quem postou está precisando urgentemente de terapia psicológica. Por exemplo “assim como querem respeito devem respeitar seu próximo”. Ou a pessoa tem sérios problemas de compreensão de texto.

  3. Nenhuma dessas palavras são usadas para atacar a imagem de ninguém, vamos parar com esses mimimi que ja esta cansativo, vamos respeitar para ser respeitados, assim como querem respeito devem respeitar seu próximo, pois todos são humanos e todos tem o mesmo direito, o que não da é ficar ofendendo um japonês, um chinês, um índio, um branco e ficar por isso mesmo, a luta tem que ser por igualdade, mas pelo visto a página luta por desigualdade. Ninguém é melhor que ninguém.

  4. Eu discordo de várias afirmações no texto. Muitas das expressões listadas, historicamente, não tinham nada de racistas. Esse “tom” negativo foi injetado nelas e hoje são utilizados como fonte de discórdia entre pessoas.

    Em minha opinião, devemos esquecer que somos brancos, negros, pardos, amarelos etc. Quando fecharmos (de verdade) nossos olhos para cores ou raças, nos veremos verdadeiramente como irmãos e iguais.

  5. Eu gosto de acreditar naquela máxima que diz que palavras são como armas… elas não são perigosas per se. Está tudo na intenção[*] do tipo humano que as utiliza… Por isso que é necessária a cautela porque a palavra dita assim assim como a flecha disparada[*] dificilmente pode ser tomada de volta…

    “As palavras são minhas e eu as uso como bem entender” um direito tão simples mas que no seu usufruto (parece que) muita gente faz questão de esquecer que somos responsáveis por tudo aquilo o que dizemos…

    Então temos o politicamente correto que na sua “origem humilde”… era só uma tentativa rebuscada, floreada quiça pomposa de se expressar a palavra respeito, mas que no seu uso coloquial a longo prazo se tornou esta ferramenta autoritária, opressiva e por que não castrante (castrativa?) que visa agredir, limitar, cercear as nossas ignóbeis, inocentes, inofensivas tentativas de fazer humor[3]… neste frio, triste, insensível mundo nosso cada vez mais de cara fechada… Toda a repetição e exagero de minha parte é (quase) toda proposital…

    Foram 3 longos parágrafos para que eu pudesse assegurar a benignidade do meu intento ao redigir este comentário… Mas como o simples ato de comentar pode denotar confronto convém esperar que o bom Deus[4] esteja olhando por todos nós conforme eu sigo com as minhas indagações…

    1 – Como bom fã de cultura japonesa fica registrado a minha surpresa para a origem e destaque apresentado ao dia (de) branco cuja uma pesquisa simples no Google apresentou mais uma sorte de origens atribuídas a ternos de linho, uniformes escolares, jalecos médicos, dia de por a roupa para lavar, e comerciais de sabão em pó… além das já citadas nesta postagem… No mais gostaria de acrescentar também uma data comercial festejada que o Japão chamada White Day (“dia branco”) em que rapazes que foram agraciados com chocolates no dia dos namorados devolvem o favor presenteando as garotas com marshmallows[5]…

    Vale lembrar que por faltar com o simbolismo do martírio de São Valentim no Japão o Valentine’s day (dia dos namorados) é também apenas uma data comercial… chocolates e marshmallows foram escolhidos apenas porque eram de cores contrastantes (preto e branco) e combinados tem um sabor muito bom… Embora como chocólatra é necessário admitir que muita coisa que você mistura com chocolate fica bom… até bacon…

    Mais detalhes sobre dia dos namorados pode ser verificado neste vídeo do meteoro Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=4HlKniyMSiI

    2 – Sobre “A coisa tá preta” eu tenho apenas evidências empíricas, mas eu sempre achei na minha ignorância que a origem tinha haver com todas as frutas, verduras e legumes (até carne em alguns casos) que esquecidas na geladeira, apodreciam e portanto ficavam impróprios para consumo… e embora geralmente o alimento desperdiçado tem várias manchas escuras é necessário reconhecer que leite azedo ainda é branco e que muita coisa estragada pode ser por um mofo verde ou bolores de quaisquer outra cor… O que denota que eu preciso limpar minha geladeira com mais frequência…

    3 – Acho que a defesa do termo “preto básico” citado em um dos comentários pode ser contestada… já que três origens conhecidas são a: que o preto emagrece já que disfarçaria muitos contornos aliado a alguns jogos de luz em sombra, truque bastante útil antes da invenção do photoshop e o realce a compleição pálida das socialaites que caham popularizaram o termo… O benefício da dúvida é estendido ao autor do comentário que deve conhecer algumas origens mais nobres para o termo, que infelizmente não surgiram na minha pesquisa.

    3.1 – Nunca subestime o poder da pesquisa,.. Existe O uso de roupas pretas tanto por homens como mulheres esta relacionado a um outro hábito que já foi bastante comum entre os de alto poder aquisitivo… o fumo… cuja fumaça e cinzas sujavam as roupas brancas com facilidade mas eram imperceptíveis em smokings e vestidos escuros do pessoal da alta roda… o que me lembra que já tentaram me vender um par de botas preto usando este termo mesmo “que preto é cor de gente importante” suponho que haja uma relação implícita aqui… por fim como em inglês fumar é o verbo ‘to smoke’ posso acreditar que estou aprendendo bastante com isso tudo…

    4 – Suponho que este post e todos os outros que apareceram na minha pesquisa sejam baseados em algum nível no artigo “Metáforas Negras” de Vera Lúcia Menezes. http://www.veramenezes.com/metaforas.htm e volta e meia estes posts são respondidos com o comentário jocoso que diz que quando a grana é preta, todo mundo gosta o que pressupõe-se “contrabalancearia” todo o jargão racista… Buscando uma origem relevante para “grana preta” não me retornou nada com países que tivessem uma cédula negra, mas me retornou black money que é uma iniciativa para que pessoas negras possam comprar de empresários negros e fazer o dinheiro circular e fortalecer todas as demais causas que eles apoiam.

    Também retornou ‘black dolar’ que é um notório esquema de lavagem de dinheiro… que envolve comprar cédulas cobertas de tinta que ao serem lavadas com um determinado agente químico se converteriam em notas de dólar bastante convincentes… Uma associação “óbvia” que me ocorreu foi o “sempre valoroso” petróleo (depende da sua posição no que diz respeito ao consumo de combustíveis fósseis) mas ainda falta alguma coisa…

    O guia dos curiosos explica que grana é um sinônimo de semente que em tempos antigos já foi uma preciosa moeda de troca e bom existem sementes escuras… o que me levou a tradição de usar milhos para contar os tentos no truco, que por sua vez ao poker e suas fichas coloridas, codificadas por valor… e a parte interessante é que embora isso possa variar em alguns fabricantes, numa codificação comum as fichas de $100 geralmente são pretas…

    n – gatos pretos, bola 8 preta, na medicina chinesa a cor preta é associada aos rins que de tão necessários temos dois… nas artes marciais a faixa preta é a prova de que o praticante conquistou todas as outras cores… yin e yang… a ideia é que desde que o mundo é mundo a visão é um dos sentidos mais importantes e ao longo de toda a nossa vivência todas as cores já foram atribuídas diversos significados… O manto da morte é negro, mas a sua face cadavérica é branca, puro osso… em tempos e culturas diferentes preto e branco já foram em diversas ocasiões a figura do luto… seja o preto porque “na noite e na morte todos somos iguais” ou na palidez que é invocada na figura do cabelo prateado dos idosos, do frio, dos espíritos, dos enfermos e dos defuntos…

    Em suma, é um esforço louvável combater o uso de certas expressões pejorativas, racistas… mas a evolução constante a qual a linguagem é constantemente submissa apenas há de provar este uma tarefa hercúlea, homérica, sísifo… apenas porque o problema esta na mera discriminação por cores que a ciência já provou errada a tempos atrás…

    https://en.wikipedia.org/wiki/Color_terminology_for_race
    https://en.wikipedia.org/wiki/Scientific_racism
    https://en.wikipedia.org/wiki/Black
    https://en.wikipedia.org/wiki/Dunbar%27s_number

    Por falta de uma solução conclusiva deixo aqui uma citação de Martin Niemöler, livremente adaptada para o contexto aqui discutido…

    https://pt.wikiquote.org/wiki/Martin_Niem%C3%B6ller

    Quando foram atrás dos índios eu não fiz nada… eu não sou índio… não é problema meu.
    Quando foram atrás dos negros eu não fiz nada… eu não sou negro… não é problema meu.
    Quando foram atrás dos gays eu não fiz nada… eu não sou gay… não é problema meu.
    Quando foram atrás dos judeus eu não fiz nada… eu não sou judeu… não é problema meu.
    Quando vieram atrás de mim… ninguém fez nada… não era problema deles…

    Até mais ver..

    [1] Somos seres pensantes e nosso livre arbítrio implica que todos os nossos atos são munidos de intenção[1.1], embora a interpretação fique a completa discrição de nosso(s) interlocutor(es) e talvez de todos mais que estejam passando por perto… Aí entra a incessante discussão sobre quem é mais dono das palavras… quem diz? quem ouve?, quem escreve? quem lê?
    [1.1] acho que sou obrigado a mencionar a exceção aos portadores da síndrome de Tourette

    [2] qualquer coisa que a pessoa tem na mão substitua como preferir e.g. vasos de flores, bolas de bocha, moedas, galinhas de borracha, travesseiros[2.1] etc etc…
    [2.1] Existe o risco da pessoa atingida com força por um travesseiro perder o equilíbrio e bater a cabeça… E pessoas que acham confortável travesseiros preenchidos com feijões ou pedrinhas redondas…

    [3] Reza a lenda (preciso de fontes) que as melhores formas de humor nascem quando limites são desafiados… afinal a necessidade é mãe da criatividade…

    [4] Se você acreditar em um… Para o caso de não… espero poder contar com o seu bom senso…

    [5] Dependendo de para quem você pergunta existiria uma lista em que doces diferentes denotariam respostas diferentes com variação dos níveis de afeto a corajosa declaração da(s) sua(s) admiradora(s)…
    [5.1] Também um adendo de que em alguns casos persiste a tradição que o presente do dia dos namorados deve ser devolvido com no mínimo três vezes o valor, supostamente porque o white day é celebrado em março no dia quatorze por que o valentine’s day é celebrado no catorze de fevereiro em referência ao santo.
    [5.2] Talvez eu seja obrigado a mencionar os “giri” que são os chocolates ofertados não por por afeto profundo, apenas por coleguismo. E com a mudança (fique a vontade para usar o termo “lenta evolução”) dos nossos tempos livre expressão de sentimentos, também é comum que garotas presenteiem garotas, garotos presenteiem garotos e…
    [5.3] Eu tenha de esperar por 14 de abril pelo Black Day (Dia preto) uma data estabelecida na Coreia para os que não ganharam nada possam celebrar a sua solteirice… enfase no celebrar dado que sua quilometragem pode variar se solidão é algo que deveria ser considerado pejorativo…

  6. Até parece que todas as expressões que contêm a palavra “branco” têm uma conotação boa e positiva.

    Pano branco = doença
    Na hora da prova me deu um branco = esqueci de tudo e me dei mal
    Qual é mesmo a cor da cocaína?

    A cor preta também é associada a coisas boas. Aposto que você tem uma peça de roupa preta; o velho preto básico que combina com tudo.

    Enfim, o mundo de hoje tá um saco, ninguém pode falar nada que já tem alguém querendo te julgar. O racismo não está na expressão em si, está na cabeça e na intensão de quem fala e de quem escuta. Eu queria escrever mais, mas preciso trabalhar porque estou no vermelho… desculpa aí quem é vermelho!

  7. Muitas expressões utilizadas no passado não tinham cunho racista e nem preconceituoso. Porém hoje com a disseminação de luta de classes, ou induzir a discórdia entre o povo brasileiro a esquerda passou a dar visão preconceituosa a certas expressões.

  8. Está página, sim, é um mar de preconceitos dentro dessa porcaria do politicamente correto.
    Péssima.
    E ainda vem com pérola sobre a expressão “dia de branco”!
    A expressão “dia de branco” vem do fato de , no Brasil até a década de 1940, a maioria dos homens usarem terno de linho, que é branco, para irem trabalhar. Assim, ir ao trabalho associava-se a usar esse terno branco. Por isso o termo “amanhã é dia de branco”.

  9. Não é porque que eu tô dizendo que algo é preto e de uma forma ruim que eu tô dizendo que a pessoa negra é ruim, essas expressões não tem nada a ver com os descendentes africanos mas sim com a cor preto que sempre representou para a espécie homo uma coisa ruim, afinal de contas, é de noite que a maioria dos animais carnívoros atacam

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