Movimento ecossocialista lança Sonia Guajajara como pré-candidata à Presidência da República

“A Luta pela Mãe-Terra é a Mãe de Todas as Lutas”
(Sônia Guajajara)

Tania Pacheco

Coordenadora executiva da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e liderança inquestionável nas principais lutas indígenas dos últimos anos, Sonia Bone Guajajara está sendo lançada pelo Setor Ecossocialista como pré-candidata à Presidência pelo PSOL.

Na Carta em defesa de seu nome, o movimento apresenta Sonia Guajajara como a alternativa para “arrancar das mãos das corporações o controle das decisões políticas e da produção econômica, reformular desde a matriz energética até os nossos valores, descolonizar a Vida”, o que significaria ainda “abrir caminho para a sociedade da felicidade e do amor, da justiça, do bem-viver e do reencontro com o restante da natureza em oposição à distopia de terra arrasada a que o capitalismo nos está conduzindo”.  E diz, sobre ela:

“Militante do PSOL filiada desde 2011, seus discursos ecoam pelo mundo dando visibilidade a uma realidade que o capitalismo costuma esconder. Fala de sociedades que têm na reciprocidade o fundamento de sua existência, sociedades que produzem modos de vida baseados no bem viver e ainda de pessoas que recusam ter suas vidas dirigidas pelo mercado. Falas que permitem às pessoas enxergarem na resistência indígena ao sistema uma possibilidade de ressignificar nossa própria sociedade porque desnaturaliza aquilo que anos de inculcação ideológica ocultou, e perceber que um mundo novo pode ser construído. Suas falas chocam as elites e aqueles que desacreditam na capacidade que o povo tem de propor mudanças e de se auto governar”.

Abaixo, a íntegra da Carta, que pode ser endossada AQUI:

***

Carta por uma Candidatura Indígena, Anticapitalista e Ecossocialista à Presidência do Brasil

“Vivemos tempos duros, tempos de extremismo conservador, de ataques brutais aos direitos sociais e trabalhistas, de desmonte da educação, da saúde, da ciência e tecnologia e serviços públicos em geral. Tempos em que corruptos contumazes escapam ilesos para seguirem suas “carreiras” políticas e em que jovens da periferia são executados às centenas ou apodrecem em condições sub-humanas nos presídios.

Vivemos tempos em que a arte é perseguida, mas em que o trabalho escravo é tolerado, em que a especulação imobiliária avança sobre o lar dos mais pobres, sobre o Verde. Tempos em que querem pôr mordaça na escola, em que se pretende silenciar os tambores dos terreiros e em que os únicos sons audíveis sejam os das motosserras e das balas nas chacinas.

Vivemos tempos de destruição inédita da Natureza de que somos parte e que nos dá a Vida. Tempos em que nos inundam com um Belo Monte de mentiras, devastação e dor, em que a Samarco deixa sua marca no Rio Doce, em que a mineração nos arranca a RENCA. Tempos em que cada hectare desmatado, cada termelétrica ligada e cada poço de petróleo perfurado se traduzem – na linguagem do aquecimento global – em secas mais severas, furacões mais intensos e ondas de calor mortíferas. Ruim antes do golpe. Desastroso depois dele.

É uma sensação de fim de mundo!

Mas para parcela da nossa população, aquela que já habitava este pedaço de chão há milênios, esse fim de mundo vem de longe. Colonização, devastação, genocídio, escravidão, patriarcado, racismo, latifúndio, saqueio de riquezas sangraram a América originária e a África sequestrada desde então. E esse fim-de-mundo segue, como locomotiva/colheitadeira louca, ensandecida, atropelando e consumindo matas e rios, povos indígenas, negros e negras, sem-terra e sem-teto, LGBTs, jovens, trabalhadores e trabalhadoras, pessoas com deficiência. Segue rumo ao abismo do colapso ecológico, da falta d’água, da extinção de espécies, do sufocamento dos oceanos com plástico. Há que se dar um freio.

Os povos indígenas têm se colocado na linha de frente do combate a esse modelo insustentável, que fede a morte. E nada mais justo que reconhecermos esse papel na forma de uma candidatura à presidência nascida da raiz mais profunda deste território. Para defender um programa de justiça, igualdade, defesa dos direitos de cada um e cada uma, de cada povo, de cada espécie; dos direitos à água e à terra, dos direitos da água, da terra e da Terra. “Não há plano B”!

O “plano A” é arrancar das mãos das corporações o controle das decisões políticas e da produção econômica, reformular desde a matriz energética até os nossos valores, descolonizar a Vida. Significa abrir caminho para a sociedade da felicidade e do amor, da justiça, do bem-viver e do reencontro com o restante da natureza em oposição à distopia de terra arrasada a que o capitalismo nos está conduzindo.

Após cinco séculos de exploração, opressão, etnocídio, colonização, racismo, negação de direitos humanos, culturais, ambientais e territoriais de nossos povos originários e de origem africana para saciar a fome insaciável do capital e de seu modelo de desenvolvimento predatório, injusto e insustentável, temos a possibilidade de uma candidatura que represente, simbolize e verbalize não apenas a resistência a essa trágica histórica, mas, que aponte a perspectiva de uma sociedade que conjugue o ecossocialismo com o bem viver da cosmogonia indígena.

Por isso, apresentamos o nome da companheira Sônia Guajajara para encabeçar nossa chapa presidencial nas eleições do próximo ano.

Sonia Guajajara é hoje uma das maiores lideranças indígenas e ambientais do mundo. É coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB e esteve à frente das principais lutas travadas, unificando mais de 240 etnias em torno de pautas que combatem os interesses dos setores mais poderosos da nossa sociedade. Foram inúmeros enfrentamentos no Congresso Nacional contra uma série de projetos e propostas de emendas constitucionais que visam retirar direitos duramente conquistados e contra os projetos neodesenvolvimentistas dos últimos governos – construção de barragens, estradas e hidrelétricas que ameaçam não apenas suas terras e modos de vida, mas todas as formas de vida.

Militante do PSOL filiada desde 2011, seus discursos ecoam pelo mundo dando visibilidade a uma realidade que o capitalismo costuma esconder. Fala de sociedades que têm na reciprocidade o fundamento de sua existência, sociedades que produzem modos de vida baseados no bem viver e ainda de pessoas que recusam ter suas vidas dirigidas pelo mercado. Falas que permitem às pessoas enxergarem na resistência indígena ao sistema uma possibilidade de ressignificar nossa própria sociedade porque desnaturaliza aquilo que anos de inculcação ideológica ocultou, e perceber que um mundo novo pode ser construído. Suas falas chocam as elites e aqueles que desacreditam na capacidade que o povo tem de propor mudanças e de se auto governar.

Política também se faz com símbolos através dos quais enviamos mensagens a toda sociedade e uma campanha eleitoral é um momento privilegiado que o PSOL dispõe para enviar algumas mensagens. A próxima campanha pode simbolizar que os mais de 500 anos de luta de todos/as oprimidos/as não serão esquecidos. Pode mostrar para a sociedade que o PSOL é um partido que se coloca radicalmente ao lado dos/as que lutam contra todas as formas de opressão do capital. Apresentar Sonia Guajajara nesta campanha à presidência será inesquecível!

O debate amplo, aberto, solidário e democrático e a decisão coletiva são a via que defendemos como a mais justa e segura para uma construção comum. Assim reconhecemos, na beleza que é a pluralidade do PSOL, não apenas a existência como o valor e a legitimidade de diversas pré-candidaturas no partido. Compõem nosso setorial ecossocialista diferentes correntes e militantes que também as constroem, mas ter Sonia como pré-candidata é um fato político extraordinário, de grande significado para a resistência indígena, negra e popular em nosso país, na América Latina e no Mundo. O Setorial Ecossocialista do PSOL se orgulha profundamente de apresentar seu nome como alternativa para a disputa em 2018.”

Comments (17)

  1. Juiz de Fora, MG, 9 de junho de 2018

    AOS BRAZILINDIOS
    DA
    CIVILIZAÇÃO BRAZILINDIA

    O dia 8 de Junho de 2018, no bairro de São Pedro (cidade alta) de Juiz de Fora/MG, na Av. Presidente Costa e Silva, 2776 (Fone – 32 – 3031-9772),a partir das 20 hs, ficará indelevelmente gravado no calendário cultural da ‘JUIZ DE FORA NAÇÕES – INAMIGO – A MARGEM TERCEIRA DO RIO PARAIBUNA’ pela presença solar de uma Guerreira Atlante – SÔNIA BONE GUAJAJARA, originária do Estado do Maranhão, candidata a vice-presidente da Republica na chapa encabeçada por GUILHERME BOULOS, líder do MTST, pelo PSOL (RUMO AO SOL) nas eleições de Outubro de 2018.

    Lançando uma ‘CULTURA’ (CULTO À LUZ) sobre tudo aquilo que o povo desconhece em termos de CIDADANIA PLANETARIA (BHUMI – PACHAMAMA – GAIA, o planeta Terra como um ser vivo), – inclusive a ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU), que realizou de 3 a 14 de junho de 1992, no Rio de Janeiro a ‘CONFERENCIA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO’ (ECO/92 – CUPULA DA TERRA), sendo que as ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL (OSC), denominação batizada por ocasião da vigência do Decreto nº 8243, de 23 de Maio 2014 – INSTITUI A POLITICA NACIONAL DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL (PNPS), data da assinatura tão excelsa que pode vir a revogar o ‘1º DE ABRIL – DIA DA MENTIRA’, de origem patriarcal, – passando a vigorar o ‘DIA DA VERDADE BRAZILINDIA – 23 de Maio’, uma referência a ERA DE AQUARIO (CRIANÇA/MULHER/JUVENTUDE/IDOSO-ANCIÃO), vigente deste 24 de fevereiro de 1949, e divulgada a partir de 28 Setembro 2005 (20 hs).

    E dar conhecimento ao BRAZIL DA CIVILIZAÇÃO BRAZILÍNDIA e à ONU, da existência de um símbolo mitológico/ecológico (ECO/92) do resgate do sagrado feminino da humanidade (INDIGENA – MONARQUICO – NEGRO – REPUBLICANO – SINARQUICO), uma professora da Realidade Virtual intitulada de ‘GNOSOS – O Espírito da ECO’, localizada nas 7 cédulas do REAL ($) – PADRÃO MONETARIO DO BRASIL. A ser decodificado por uma HUMANOCRACIA – ou seja, a partir dos indígenas, os primeiros habitantes da Terra Brasilis, já que nós temos 33% de DNA atlante (indígenas) e 28% lemuriano (negros) segundo o geneticista Sergio Danilo Pena da UFMG, descoberta extraordinária que batiza o ‘POVO BRASILEIRO’ (denominação com prazo de validade vencido, – povinho, súdito, gente, plebe, pobre, índio, povão, multidão, negro, cigano, plateia, público, torcida, Macunaíma, adepto de um Brasil colônia fundo do quintal dos EUA, numa Casinha de Cachorro, da cultura da reclamação, latindo o tempo todo, querendo assim com o seu complexo de vira-latas resolver os problemas sociopata (COMUNISMO – SOCIALISMO – CAPITALISMO, LIBERALISMO E NEOLIBERALISMO), enfim, tudo que é pífio, depreciativo, pejorativo – ajoelhado e de pires na mão, massa de manobras, marionete de sistemas sociais, religiosos, comunicacionais e de políticos retrógados.

    Em seu lugar inaugurando neste 2018 a ‘UNIVERSIDADE DO POVO BRAZILINDIO’ (PATRIMONIO ORAL DA VERDADE OBJETIVA – novos brasileiros renascidos em Junho de 2013, cidadãos não contaminados pela sombra, mentira, corrupção e impunidade – guerreiros da luz do arco-íris, com supervisão do 3º SETOR BRAZILINDIO – Decreto nº 8243, de 23 Maio 2014 – INSTITUI A POLITICA NACIONAL DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL – PNPS), e com participação popular.

    Conta e Tempo

    Deus pede estrita conta de meu tempo.
    E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
    Mas, como dar, sem tempo, tanta conta
    Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

    Para dar minha conta feita a tempo,
    O tempo me foi dado, e não fiz conta,
    Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
    Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

    Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
    Não gasteis vosso tempo em passatempo.
    Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

    Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
    Quando o tempo chegar, de prestar conta
    Chorarão, como eu, o não ter tempo…

    Frei António das Chagas,
    in ‘Antologia Poética’

  2. Todos os países em que prosperaram delírios semelhantes aos dos PSOLentos, TODOS!!!, se tornaram ditaduras miseráveis, opressoras e assassinas. Mas as múmias vermelhas não desistem da sanha de exterminar liberdades, riquezas e, principalmente!, vidas humanas.
    Incrível é que ainda há tolos o bastante pra acreditar em gente como o Boulos, de quem só se sabe que é um vândalo inconsequente.

  3. Mario Kossow, você diz que a esquerda brasileira “…está ainda na década de 50 e profundamente ultrapassada e incoerente.”, divirjo: a esquerda brasileira, nos anos 1950 já era profundamente ultrapassada e incoerente.

    A existência de um Psol, por exemplo, e uma bizarrice anacrônica que só acontece na América Latina. No Leste Europeu, que penou na mão da vermelhada, o sr. Boulos não conseguiria arregimentar nem um só “militante”.

  4. Delírios sem-noção que, na remota (felizmente) hipótese de serem implantados, levariam qualquer país ao desastre econômico e social.

    Tem mesmo que ache plausível uma patacoada dessas ao ponto de votar no PSOL.

    É até uma ironia que um partido com ideias tão retrógradas e fora da casinha se intitule “progressista”.

    Sorte é que Boulos e caterva não chegarão ao Planalto nunca.

  5. Tenho 30 anos de luta, ate que ponto o PSOL também náo é um movimento burgues, que pouco se comunica, abre as portas, empodera e dialoga. Tambem não é elitista, e sonhador demais. Acho otimo a presença indigena sendo valorizada, mas pode ser um tremendo erro, novamente, lançar pessoas tão distantes da cultura e da realidade projetada, ilusoria e sedimentada no ego coletivo brasileiro. O ego hedonista, bonitinho, riquinho, materialista, egoista, dominado, milionário e demagogo de sempre, ou do operario sofrido e guerreiro que acha que representa o povo, quando foi outro engodo mercenario. PSOL precisa fazer seminarios com a gente, filtrar nas redes sociais as verdadeiras militancias do planeta , os grandes seres passaros ecologistas serios, por ex nunca ouvi falar desta mulher com este nome mexicano, então precisamos estilhaçar estas redomas sociais e politicas e se comunicar mais, vcs são pagos para isso, nós não, e a prática de concentração de poder ainda é muito forte na esquerda brasileira, que está ainda na década de 50 e profundamente ultrapassada e incoerente. Sejam exemplo da mudança verdadeira, que o povo vai sentir no coração

  6. Circula nas Redes há um bom tempo, em tom de brincadeira uma solução para o país: entregar aos índios e pedir desculpa pelo estrago.

    Porém, neste momento, tenho total concordância com a proposta apresenta pelo Movimento Ecossocialista do PSOL, de radicalização e enfrentamento a esse modelo imposto, que já se mostrou totalmente ineficaz e degenerativo.
    Me contempla o trecho extraido do Manifesto:
    “Falas que permitem às pessoas enxergarem na resistência indígena ao sistema uma possibilidade de ressignificar nossa própria sociedade porque desnaturaliza aquilo que anos de inculcação ideológica ocultou, e perceber que um mundo novo pode ser construído”

  7. O discurso é bonito, é tudo que o povo sonha e quer. Mas estou totalmente desacreditada com “salvadores da patria” e politicos honestos.

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