Advogado da CPT no Pará e coordenador da Campanha de combate ao Trabalho Escravo são contemplados no Prêmio João Canuto 2017

O Prêmio João Canuto 2017, promovido pelo Movimento Humanos Direitos (MHuD) desde 2004 com o objetivo de visibilizar pessoas e entidades que se destacam a cada ano nas diversas frentes e instâncias dos direitos humanos, teve cerimônia de entrega nesta segunda, 11 de dezembro

Assessoria de Comunicação da CPT, com informações do MHuD

Dois agentes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) estão entre os oito contemplados pelo Prêmio: José Vargas Jr, advogado paraense atuante na defesa das famílias no caso do Massacre de Pau D’Arco, que vitimou 10 trabalhadores rurais sem terra em ação da Polícia Militar do estado do Pará, configurando o segundo maior massacre no campo da história do Brasil segundo levantamento da CPT; e Frei Xavier Jean Marie Plassat, coordenador da Campanha Nacional de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo, que neste ano acompanhou e denunciou a queda no número de operações de fiscalização, o ataque deliberado do governo sobre o conceito de trabalho escravo e as batalhas judiciais em torno da publicação da lista suja de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo.

Neste ano, também foram contemplados: Conceição Evaristo, escritora mineira premiada com relevante militância no tema do racismo; Odair José Alves de Souza (Dadá Borari), liderança indígena pela luta na demarcação das terras dos povos originários; Silvero Pereira, ator e dramaturgo cearense em prol da causa LGBTI; Vera Malaguti Batista, do Rio de Janeiro, socióloga, professora e autora de livros sobre criminologia crítica brasileira; além das entidades Justiça Global e Movimento dos Atingidos por Barragens.

Durante a cerimônia, o MHuD homenageou in memorian a atriz Vic Militello e o repórter e poeta Bruno Cattoni, personalidades envolvidas na luta pelos direitos humanos e falecidas neste ano de 2017.

Prêmio João Canuto

O Prêmio João Canuto resgata a história de um dirigente sindical do Pará que foi perseguido e assassinado porque lutava pela reforma agrária. Após várias ameaças, morreu com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985, ano em que a CPT iniciava a publicação de seu relatório anual Conflitos No Campo Brasil.

O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará. O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Mesmo sob pressão de organizações de direitos humanos e da Organização dos Estados Americanos (OEA), somente em 2001 é que os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.

A perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de Canuto, três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram sequestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.

Sobre o MHuD

O Movimento Humanos Direitos foi fundado em 2003 por um grupo de artistas, professores, padres com a intenção de através da imagem pública de artistas engajados na causa, dar visibilidade às violações dos direitos humanos como o trabalho escravo, a exploração sexual infantil, a luta pela demarcação das terras indígenas e das áreas dos quilombolas e em favor de ações socio-ambientais. As ações e luta do MHuD pela erradicação do trabalho escravo tem sido permanente e tornaram-se a principal bandeira do Movimento, com o engajamento dos artistas em campanhas, vídeos, manifestos, visitas as áreas de conflito e a pessoas ameaçadas de morte.

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