Primeiro título honorífico da Unemat é concedido a Dom Pedro Casaldáliga

A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) concedeu seu primeiro título honorífico. O título de Doutor Honoris Causa ao Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia Dom Pedro Casaldáliga foi aprovado pelo Conselho Universitário da Instituição no dia 6 de dezembro. A cerimônia de entrega do diploma de concessão do título ainda será agendada

Por Hemilia Maia – Unemat / CPT

A indicação é reconhecimento da luta pela permanência do câmpus de Luciara no Araguaia, entre tantas lutas que o religioso travou para que a população mais pobre e os indígenas da região tivessem consciência de seus direitos e que lutassem por eles.

Pere Casaldáliga i Pla, nasceu em Balsareny, província de Barcelona, em 16 de fevereiro de 1928. Radicado no Brasil desde 1968 foi nomeado bispo prelado de São Felix do Araguaia pelo Papa Paulo VI e ordenado dois meses depois, no dia 23 de outubro de 1971. Em 1968, quando mudou-se para o Brasil tinha a incumbência de fundar uma missão claretiana em Mato Grosso. Em meio à ditadura militar, o então sacerdote encontrou no Araguaia uma região com alto grau de analfabetismo, marginalização social e concentração fundiária e, consequentemente, a ocorrência de inúmeros assassinatos.

Em entrevista concedida em 2011 à jornalista da Unemat, Lygia Lima, Dom Pedro reporta-se ao pedido que ouviu com maior insistência do povo do Araguaia assim que lá chegou. “Que não esquecesse a educação. Percebemos desde então que a fixação do povo no campo dependia da escola”, recordou Dom Pedro. Segundo ele, em 1991, a decisão da Unemat de se fixar em Luciara, distante 100 quilômetros de São Félix, foi de grande ajuda para tirar do esquecimento, o Vale dos Esquecidos. “O programa Parceladas foi luminoso. Educação na base, no chão. Várias pessoas deste País que passaram por aqui elogiaram muito a experiência”, memorou o bispo emérito.

Fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, Dom Pedro ganhou notoriedade internacional ao denunciar atos de madeireiros, policiais e grandes proprietários rurais no regime militar contra posseiros, peões e povos indígenas. Por sua permanente luta e defesa dos mais vulneráveis, Dom Pedro foi ameaçado de morte por pelo menos seis vezes, sendo a última em 2012.  O octagenário tem por lema “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar.”

Adepto da teologia da libertação e autor de inúmeros livros, Dom Pedro teve ao longo dos anos sua trajetória retratada por vários autores em obras como ‘Nós, do Araguaia: Dom Pedro Casaldáliga, bispo da teimosia e liberdade’, ‘São Félix/Brasil: Uma Iglesia que lucha contra la injusticia’ e ‘Descalço sobre a terra vermelha’, de Francisco Escribano, que dá origem ao filme de mesmo nome ganhador do Prêmio Gaudi em 2015.

Com a saúde bastante debilitada, em função da doença de Parkinson, responsável pela sua renúncia à Prelazia em 2005, atualmente Dom Pedro Casaldáliga vive em São Félix do Araguaia, em companhia de freis agostinianos.

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