A violência de todo o dia será discutida em Audiência Pública

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Comunidades da periferia e dos morros de Florianópolis, bem como militantes sociais e juventude estão em processo de luta contra a violência policial que vem recrudescendo dia a dia em Florianópolis. É sabido que a repressão aos pobres não é coisa de hoje, mas nos últimos tempos piorou, com ações extremas no centro da cidade, próximo a bares e espaços de convivência de público jovem, adeptos do Hip Hop e LGBT, marcadamente popular.

Na segunda-feira (25), moradores do Mocotó, no centro da cidade, bloquearam a rua que dá acesso à Avenida Mauro Ramos, denunciando mortes, surras e até a ordem de toque de recolher na comunidade, o que tem assustado as pessoas e inviabilizado a vida. A Polícia diz que está na luta contra o tráfico e age dentro da lei, mas o relato das famílias é de que a ação violenta é indiscriminada. Nem todo mundo que mora no morro é bandido, dizem. E uma pessoa precisa saber o porquê de estar sendo detida ou surrada. Também questionam que esse tipo de ação fique focado apenas nas comunidades pobres quando é sabido que os traficantes mesmo, os graúdos, os que abastecem as bocas, não vivem nos barracos da periferia. E jamais se soube de uma ação policial violenta em áreas nobres da cidade. Mesmo quando prende algum traficante de peso, tudo é feito dentro dos trâmites, com mandato e tudo. Na comunidade, não. 

Ainda na segunda-feira, enquanto a comunidade do Mocotó se mobilizava numa ação desesperada, já que suas demandas não têm visibilidade, foi feita uma visita ao Batalhão Central da Polícia Militar, onde uma comissão do Movimento Popular, que já vem acompanhando esse aumento da violência policial contra pobres e movimentos sociais,  entregou um documento denunciando as ações da PM e convidando o comando da instituição para participar da Audiência Pública que acontece nessa quarta-feira (27), na Assembleia Legislativa, às 18h e 30min, justamente para debater o abuso policial e a violência. Faixas foram colocadas em frente ao quartel, para informar a sociedade sobre a questão. Logo em seguida o grupo foi até o terminal urbano, para conversar com as pessoas e também convidar para a audiência.

Hoje à noite, na Alesc, os movimentos pretendem discutir em profundidade com todas as autoridades locais e espera-se que representantes da PM e da Prefeitura também participem. A luta social não é crime e as comunidades de periferia não são redutos de ladrões e bandidos. Tanto na luta popular como nos espaços de moradia da periferia da cidade estão os trabalhadores buscando viver com dignidade. À violência do crime não pode se contrapor outra violência, é o que argumentam. 

Os movimentos sociais estão chamando concentração para as 18h e 30 min, em frente à Assembleia. A Audiência Pública começa às 19horas. Esse é um tema que diz respeito a todas as pessoas, pois a continuar o processo indiscriminado da violência, ninguém está protegido. Nem os policiais, nem a população. A proposta do debate é encontrar caminhos de proteção e de paz, afinal, a polícia existe é para proteger os cidadãos. Todos e Todas.  

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