MST inaugura espaço cultural em São Luís no MA

Ambiente conta com espaço para debates, Armazém do Campo, livraria e muito mais

Por Reynaldo Costa, na Página do MST

Neste último sábado (6), o MST inaugurou o seu espaço cultural em São Luís no Maranhão. A atividade de abertura contou com a presença de vários militantes sociais e apoiadores da reforma agrária, que durante o dia debateram sobre cultura e resistência, confraternizaram e se divertiram. Ao anoitecer, o espaço recebeu a visita do governador Flávio Dino e teve muita música ao vivo. 

Mística, alegria e confraternização marcaram a inauguração do Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis. O espaço conta com uma livraria e um Armazém do Campo, onde são comercializados produtos vindo dos assentamentos e acampamentos do MST.

A inauguração do Solar Maria Firmina foi recheado de atividades, pela manhã foram lançados a Balaios Livraria e o Armazém do Campo. No final da primeira parte do dia, uma aula inaugural foi realizada debatendo o tema “Cultura e Resistência” apresentados pela professora da Universidade Federal do Maranhão Josefa Batista e por Divina Lopes, educadora e da direção estadual do MST.

Juntas ressaltaram que o espaço reflete a cultura como instrumento de resistência: “A poesia, a pintura, o cartaz… a arte em geral precisa ter um sentido e o Solar Maria Firmina quer proporcionar que esse sentido seja o da luta”, afirmaram.

No geral, a ideia do espaço Maria Firmina é ser um local de resistência e de organização da classe trabalhadora. “Um espaço para a militância social produzir conhecimento, arte e se encontrar para confraternizar”, explicou Jonas Borges, do MST.

Durante a tarde, o ambiente se transformou com a realização da Feira da Reforma Agrária, exposição de fotos da lutas do MST e de diversos espaços de vivência com rodas de capoeiras, samba, companhado de almoço com culinária maranhense. 

O local

O espaço vai concentrar a Balaios Livraria, que tem o objetivo de levar conhecimento à militância social a partir de diversos livros e editoras. Com o Armazém do Campo, o Movimento procura apresentar e comercializar os produtos da Reforma Agrária que funcionará ampliado para feiras em momentos especiais ao longo do ano.

Outro espaço interessante no Solar Maria Firmina é o Café Literário, um espaço de vivência para várias atividades como sarais literários e até reuniões. O Café funciona na parte superior do casarão e oferece aos fraquentadores um ambiente ventilado e com a brisa que vem do mar do atlântico.

O Café já proporcionou, na noite de inauguração, muita música, poesia e animação ao público presente, apresentadas pelos artistas Joãozinho Ribeiro, grande intérprete da música e da poesia maranhense, e por Zé Cláudio Monteiro, professor e músico popular.

O nome do Solar, Maria Firmina, é uma homenagem a uma mulher que viveu entre 1822 e 1917. Ela foi a primeira romancista brasileira e é um ícone da literatura negra do Brasil, tendo escrito o primeiro romance sobre a escravidão no Brasil em 1859.

Entre os visitantes da inauguração destaca-se o governador Flávio Dino (PCdoB), que visitou todos os espaços do Solar, vestiu a camisa do MST, assistiu à mistica e apresentações.

Dino lembrou das parcerias que seu governo tem com os movimentos sociais e citou o MST como um exemplo de parceiro para qualquer governo. Sinalizou também que a realização da terceira etapa da jornada de alfabetização “Sim, Eu Posso” é um compromisso, assim como o Armazém do Campo do MST. 

Artêmio Marcelo, historiador da Universidade Estadual do Maranhão, parabenizou o MST pela desafio construído e se referiu ao Solar como um espaço direto de luta. “Este espaço nos transmite uma energia positiva e faz com que prestigiamos e ao mesmo tempo construirmos as lutas”, disse.

Assentado há 20 anos pelo MST, Antônio Ribeiro se mostrou contente e vê como positivo a feira no espaço Maria Firmina. “É importante mostrar para a sociedade o valor da Reforma Agrária, mostrar uma produção sem veneno, com produtos de qualidades. Isso para mim não tem preço. Foi muito certo ter criado este espaço para a exposição de nossos produtos.”

O MST desde suas origens sempre produziu e debateu a cultura, e em vários lugares a organização tem construído espaços que constroem diálogos neste rumo. No Maranhão já existia uma iniciativa neste sentido em Imperatriz, por exemplo. que é a segunda maior cidade do estado, onde a própria sede do Movimento se transforma em feiras e espaços de produção de cultura e resistência.  Entretanto, o Solar Maria Firmina traz como diferencial dedicar um espaço exclusivo para cultura e outras ações libertadoras.

*Editado por Fernanda Alcântara

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