Cassius de Almeida Silva é investigado pelo Ministério Público Federal após denúncias feitas por famílias assentadas
Jaqueline Deister, Brasil de Fato
Cassius Rodrigo de Almeida Silva foi exonerado do cargo de superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária no Estado do Rio de Janeiro. O ex-funcionário, que é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por assédio e coação de assentados, foi afastado da função no dia 3 de março pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Teresa Cristina Correa da Costa Dias.
Embora o ex-superintendente não tenha sinalizado em suas redes sociais uma possível candidatura política, a saída de Cassius do cargo coincide com o prazo de desincompatibilização estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou seja, de afastamento, em caráter definitivo ou temporário, de um pré-candidato de determinado cargo ou função pública.
Em 2018, o biólogo de formação candidatou-se ao posto de deputado estadual pelo Rio de Janeiro pela coligação Solidariedade/ PTB e obteve 3.300 votos, não se elegendo para uma cadeira no legislativo do estado.
Nos últimos meses, Cassius tem usado a rede social para exaltar os feitos do governo de Jair Bolsonaro (PL) e atacar os partidos progressistas.
O ex-superintendente foi substituído por Leandro Pires Conti Guimarães, que é ocupante efetivo no cargo de geógrafo no Incra desde 2004.
Repercussão
A exoneração de Cassius foi bem recebida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para Luana Carvalho, da Direção Nacional do MST no Rio, a expectativa é que a mudança amplie o diálogo do órgão com os movimentos sociais.
“Para nós foi uma grande conquista a saída do Cassius da Superintendência do Incra no Rio. Ele é bolsonarista e vinha aplicando uma política de colocar o nosso povo contra o MST, de cooptar e desestruturar a nossa área de assentamento. Fazia política de promessas, mas que nada foi cumprido. O objetivo do Cassius era tirar a força do MST no Rio. Vemos como conquista essa exoneração. Esperamos que o atual superintendente possa abrir um atual canal de diálogo com os movimentos sociais para que a gente possa implementar essa pauta da reforma agrária e dar prosseguimento a ela no estado do Rio de Janeiro”, comentou.

Em postagens, o ex-superintendente não poupa elogios ao governo Bolsonaro / Foto: Reprodução/Facebook
Sob Suspeita
O trabalho de Cassius à frente do Incra foi alvo de uma investigação do Ministério Público Fderal (MPF) após denúncias de assédio e coação contra assentados da reforma agrária no interior do estado.
Como mostrou reportagem do Brasil de Fato, as denúncias contra o ex-superintendente começaram em abril de 2021 a partir da assinatura de contratos para a liberação de créditos habitacionais de até R$ 34 mil para a construção de moradia nos projetos de reforma agrária criados ou reconhecidos pelo Incra.
Segundo os advogados que representam os assentados, o ex-superintendente coagiu as famílias a assinarem documentos e a transferirem o recurso financeiro para uma empresa não cadastrada no órgão que seria a responsável pela obra.
A reportagem procurou o Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso. O órgão informou que não comenta investigações que estão em andamento.
Edição: Mariana Pitasse
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Imagem: Em 2018, Cassius candidatou-se ao posto de deputado estadual pelo Rio de Janeiro – Foto: Reprodução/Facebook
