Chefe da FUNAI “lava as mãos” por desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips

ClimaInfo

Em mais uma demonstração de desinteresse e menosprezo pelo desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, o presidente da FUNAI, Marcelo Xavier, mentiu a respeito da viagem deles no Vale do Javari e disse que a dupla deveria ter informado as autoridades federais que estariam se deslocando na região.

“Esta não foi uma missão comunicada à FUNAI. A FUNAI não emitiu nenhuma permissão para ingresso. É importante que as pessoas entendam que quando se vai entrar em uma área dessas, existe todo um procedimento”, disse Xavier, que é delegado licenciado da Polícia Federal, em entrevista à Voz do Brasil (EBC). “[É] muito complicado quando duas pessoas apenas decidem entrar na Terra Indígena sem nenhuma comunicação aos órgãos de segurança e à FUNAI”.  A informação foi desmentida por representantes da Indigenistas Associados (INA), que reúne servidores que atuam no relacionamento com e na proteção de Povos Indígenas. “Não é verdade que Bruno e Dom tenham sido descuidados com solicitação de autorização de ingresso em Terra Indígena. Simplesmente, porque não ingressaram em Terra Indígena. A expedição realizada transcorreu nas imediações, mas não no interior da TI Vale do Javari”, esclareceu a entidade, citada por Chico Alves no UOL. “Espera-se que [o chefe da FUNAI] corrija a informação que transmitiu – com deslealdade, tendo em vista tratar-se de pessoas em situação de vítima, sem condições de responder”.

Por falar em Xavier, a gestão dele à frente da FUNAI tem sido desastrosa em diversos aspectos, em linha com a conduta do atual governo federal como um todo. Como assinalou Matheus Leitão na VEJA, o delegado da PF “tem falhado no papel legal e institucional de proteger e promover os direitos dos Povos Indígenas”. O jornalista lembrou que a exoneração de Bruno Pereira do Carmo de coordenador-geral de índios isolados e recém-contatados da FUNAI aconteceu exatamente por conta de ação de Xavier; em seu lugar, foi indicado o pastor Ricardo Lopes Dias, alguém sem qualquer qualificação técnica para o posto, fora sua experiência como “evangelizador” de indígenas na Amazônia. “Bruno Pereira é o maior especialista em Povos Indígenas isolados do Vale do Javari e era o primeiro a defender que se pedisse autorização à FUNAI para entrada na região”, esclareceu Leitão.

Estadão trouxe informações sobre a exoneração de Pereira da FUNAI em 2019. Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIJAVA), onde o indigenista vem atuando desde sua saída do governo, ele foi alvo da irritação do governo federal depois de participar de uma ação que resultou na destruição de mais de 60 balsas de garimpo ilegal na Terra Indígena. Cínthia Leone também destacou o caso na coluna Crise Climática, do UOL.

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