Desde 2017, ONU cobra ação do Brasil contra crime organizado no Vale do Javari

ClimaInfo

A presença de grupos criminosos no Vale do Javari não é uma novidade. Como observou Jamil Chade no UOL, pelo menos desde 2017 a ONU vem destacando o risco que as comunidades indígenas que vivem na região sofrem e cobra o Estado brasileiro por mais proteção e fiscalização no território. Em um informe publicado cinco anos atrás, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o escritório regional do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos externaram preocupação com o fato de a região enfrentar um “contexto caracterizado por um aumento das incursões e atos de violência contra comunidades em isolamento voluntário e contato inicial no Vale do Javari”.

Os apelos da ONU, como bem sabemos agora, foram solenemente ignorados pelo governo federal. Ao invés de reforçar a presença do Estado no Vale do Javari, a União mostrou uma leniência inexplicável (ao menos em termos republicanos) com o crime organizado nesta região. O desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips pode ser um fio da meada, mas “revela o panorama geral de um Estado omisso e um governo que está entregando a Amazônia ao crime”, escreveu Míriam Leitão n’O Globo. “Quadrilhas de grilagem, roubo de madeira, caça e pesca ilegais, tráfico de drogas e de armas avançam. Os indígenas, os ambientalistas, os indigenistas e os jornalistas têm sido parte da resistência da sociedade”.

Na piauí, o pesquisador Aiala Couto, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explicou como grupos criminosos estão na prática governando essa região de fronteira no norte do Amazonas. “Pesquisas recentes sobre a criminalidade na Amazônia mostram que, na região, o crime é multidimensional, atuando em várias escalas e conectando atividades diversificadas. É uma rede criminosa transnacional, pois conecta grupos que atuam para além do território brasileiro, mas também hiperlocal, graças à presença ativa de grupos nativos na região”.

Enquanto o crime dá as cartas, as Forças Armadas seguem como papagaios-de-pirata do presidente da República. Guilherme Amado destacou no Metrópoles que o comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Jr., gastou tempo para divulgar em sua conta no Twitter uma promoção para militares assistirem ao novo filme “Top Gun”, com Tom Cruise. Assíduo nessa rede social, o militar não postou qualquer informação ou mensagem sobre o desaparecimento de Pereira e Phillips na Amazônia.

Quem sabe o astro hollywoodiano não pinta por aqui para ajudar nas buscas, já que os militares de verdade parecem mais interessados em curtir a vida na salinha do cinema…

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