Conhecimentos e descobertas: Val Mundukuru e Maria Gadú se unem em série de vídeos na Amazônia

A produção apresenta culturas, encantos e histórias que cercam o Rio Tapajós, no Pará

Por Pedro Stropasolas e Lucas Weber, no Brasil de Fato

Identidade. Conexão. Biodiversidade. Ativismo. São essas quatro palavras que permeiam uma jornada repleta de encontros e resistência ao longo da região amazônica. A série documental audiovisual “O Som do Rio”, lançada recentemente, mostra uma expedição inédita conduzida pela liderança indígena Val Munduruku e a artista Maria Gadú por comunidades tradicionais no Baixo Tapajós.

A obra, dividida em quatro episódios, foge do olhar comum sobre a preservação da Floresta Amazônica. Nela, os povos, a cultura e o território, é quem são os protagonistas.

“É a busca por uma alimentação saudável é a busca de resguardar os lugares ancestrais que para a cultura de um meu povo é muito importante né? Então falar da Amazônia também sobre esse olhar, de que tem pessoas aqui que são importantes para toda esse cenário de proteção do ambiente”, explica Val Mundukuru.

Com direção de Carol Quintanilha, a produção tem a participação do ator Vítor di Castro e do youtuber Felipe Castanhari. Também participam a médica Thelma Assis e o cantor Lenine.

Assista:

Sustentabilidade

Entre os assuntos que a jornada revela, estão os métodos usados pelas comunidades tradicionais da floresta para gerar renda respeitando todos os processos e tempos da natureza, como as atividades extrativistas sustentáveis na região do Baixo Tapajós.

Além de lutar contra a devastação da própria floresta, os ribeirinhos carecem de serviços básicos, como o acesso regular à saúde e saneamento básico. A falta de condições mínimas de permanecer no território é suprida pelo trabalho de ONGs como o Projeto Saúde e Alegria.

“Esses moradores fazem um papel e um serviço de proteção desses recursos naturais que de uma certa maneira geram benefícios globais, de regulação climática, manutenção da biodiversidade, essa coisa toda. Em troca, ao invés de políticas de bem viver, acabam recebendo bala e doença de branco”, ressalta Caetano Scannavino, coordenador do projeto.

Vidas

A luta de Val Munduruku e a de Maria Gadú se cruzam em muitos aspectos.

“Ela [Maria Gadú] faz parte de um processo da minha vida muito importante né? Que é o de aceitação enquanto uma pessoa é lésbica. Então as canções dela, quando eu escutava, eu entendia que tudo isso né? Não tinha nada de errado uma mulher gostar de outra mulher”, afirma Val Muduruku.

Nascida em Jacareacanga (PA), mas atuando hoje em Alter do Chão (PA), Val esteve presente nas duas últimas edições da Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas. E reforça: “é preciso incluir os indígenas no debate ambiental. Não só tendo espaços de fala, mas também com a ampliação do poder nas decisões”.

“Antes de falar também dessa questão ambiental, é falar da Amazônia das pessoas. É quem são essas pessoas que estão aqui, que fazem também essa defesa, e que são importantes, tem vivência para isso. É de estar aqui atuando diretamente como que também as pessoas sobre tudo estão sendo impactadas né?”, defende Val Mundukuru.

Edição: Daniel Lamir

A cantora e compositora Maria Gadú participa da série, ao lado de Val Mundukuru – Reprodução

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