A extrema-direita quer a destruição do consenso liberal-democrático do pós-guerra. Entrevista especial com Michele Prado

Para a pesquisadora, não se medem esforços para a busca por “um modelo autocrático, uma ordem hierarquizada por gênero/raça/etnia/religião e classe”, inclusive flertando com o “terrorismo doméstico”

Por: João Vitor Santos, em IHU

Compreender a cronologia e os movimentos que levaram aos atos terroristas de Brasília no domingo de 08-01-2023 é fundamental para identificar seus executores e promotores. Mas, para Michele Prado, que pesquisa a extrema-direita, é preciso mais, compreendendo aqueles atos como parte de uma engrenagem ainda maior. Por isso, ela defende que o que vimos foi uma das estratégias da extrema-direita para levar a cabo seu projeto. “A extrema-direita, aqui ou em outro lugar, busca a destruição do consenso liberal-democrático do pós-guerra. Busca a substituição da democracia liberal e seus pilares básicos por um modelo autocrático, uma ordem hierarquizada por gênero/raça/etnia/religião e classe”, aponta.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Michele chama atenção para a infiltração dessas forças de extrema-direita nas estruturas do Estado brasileiro. “A abrangência da infiltração da extrema-direita nas forças militares e de segurança ainda é desconhecida, pois não há um monitoramento e, muito menos, relatórios transparentes que cubram essa lacuna. O que foi visto foram cenas de conivência e complacência com os extremistas diante do episódio de terrorismo doméstico em Brasília”, analisa. Por isso, a entrevistada lembra que em outros países uma reação dura foi necessária. “Desde 2019, o curso on-line de filosofia de Olavo de Carvalho é oferecido gratuitamente aos militares. Por muito menos, países como a Alemanha já dissolveram pelotão inteiro de polícia federal de elite porque alguns poucos membros expressaram simpatia a ideais de extrema-direita”, destaca.

E esse é apenas um dos aspectos que a pesquisadora evoca. Ela defende também que se conheçam essas forças de extrema-direita para esboçar qualquer reação. Mas, ao que parece, o Estado e grande parte da sociedade subestimaram o poder desses grupos. “Muitos acreditavam que as eleições seriam até mesmo definidas no primeiro turno. Parte dessa análise equivocada pode ser explicada com o mesmo conceito das câmaras de eco: fecham-se dentro de ecossistemas de informações e só recebem conteúdos com viés de confirmação”, adverte.

Por fim, Michele sustenta que é preciso “uma abordagem profissional e multissetorial”. Isso significa que “precisamos entender e promover uma abordagem do extremismo que não esteja restrita a uma perspectiva puramente político-eleitoral. (…) Para a implementação de programas P/CVE (Prevenção e combate ao extremismo violento), é necessário o entendimento de que o extremismo é uma questão social, de saúde e segurança pública. A abordagem deve, portanto, ser institucional e apartidária, sem que precise estar submetida às vontades do governo de turno. Esse é um dos principais desafios no Brasil”, sintetiza.

Michele Prado é estudiosa do extremismo político e integra o grupo de pesquisa Novas Formas de Antissemitismo do Instituto Brasil-Israel – IBI. Já integrou movimentos de direita, mas deixou esses grupos. Entre suas publicações, destacamos os livros Tempestade ideológica – bolsonarismo: a alt-right e populismo iliberal no Brasil e Red Pill: radicalização e extremismo (2021).

Confira a entrevista.
IHU – O que é fundamental para compreendermos a extrema-direita brasileira e o bolsonarismo e que parecemos ainda não ter compreendido?

Michele Prado – É fundamental entender que o bolsonarismo não é uniforme, e que a far-right (termo que abrange tanto a direita radical quanto a extrema-direita) não está restrita ao chamado bolsonarismo e já está estabelecida no Brasil, com representação nas casas legislativas, na imprensa e no debate público. Este é o primeiro ponto, pois muitos se equivocaram ao acreditar que, com a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro, o bolsonarismo iria fenecer. Sem compreender que a far-right brasileira agrega muitas correntes (em alguns casos até antagônicas em certas pautas), o problema do extremismo não é corretamente diagnosticado.

IHU – É possível fazer uma distinção entre extrema-direita e bolsonarismo ou, no caso brasileiro, já não é mais possível separar?

Michele Prado – Conceitualmente, de acordo com a definição de Cas Mudde, um dos maiores estudiosos e especialista em far-right e populismo do mundo, a direita radical rejeita princípios básicos da democracia liberal. Porém, não busca uma ruptura com a ordem democrática.

Há, portanto, dentro do bolsonarismo correntes que ainda estariam dentro do espectro da direita radical. Mas, a partir do momento em que todas as características que classificam a extrema-direita se tornaram cada vez mais evidentes na maior parte do movimento bolsonarista, como o nativismo, o autoritarismo, o ultranacionalismo e, principalmente, uma rejeição brutal à democracia liberal e o desejo expresso por uma ruptura da ordem democrática e sua substituição por um modelo autocrático, o bolsonarismo passa a se inserir de forma inequívoca dentro da classificação de extrema-direita.

IHU – Como, no longo percurso, acabamos chegando a esses tempos de tempestade?

Michele Prado – Há muitos vetores que perpassam desde condições socioeconômicas turbulentas, a perda da confiança nas instituições democráticas, uma autopercepção de que não há representatividade, até o processo de radicalização em massa no qual o Brasil ainda está inserido.

A própria “nova direita” brasileira, que surge no início dos anos 2000 e que, posteriormente, daria origem ao bolsonarismo, foi um fenômeno essencialmente on-line. Ainda em meados dos anos 2000, conceitos da far-right transnacional começam a inundar as novas bolhas, e câmaras de eco digitais foram surgindo a partir do antipetismo, agregando muitas pessoas que passaram a receber, diariamente, conteúdos disseminados por Olavo de Carvalho e seus alunos (que logo se tornariam influenciadores digitais).

Teorias conspiratórias da far-right (especialmente americana), e todas com cerne antissemita, registre-se, como marxismo cultural, nova ordem mundial, globalismo, eurábia, Zog entre outras, substituíram o antipetismo não conspiracionista que vigorava até então.

Desse caldo de mentalidade conspiratória e uma espécie de seita em torno de Olavo de Carvalho, a nova direita se galvanizou de forma on-line agregando outras correntes, como os liberistas e paleolibertários. A partir de 2013, os métodos, os conceitos, as táticas e os influenciadores da chamada alt-right (direita alternativa) americana foram amplamente disseminados pelos formadores de opinião dessa “nova direita brasileira”.

Com conceitos excludentes e desumanizantes, assédios on-line, tropos do supremacismo branco/religioso e masculinista e uma torrente de teorias conspiratórias, a radicalização on-line ganhou força. Os resultados foram o alto potencial para o extremismo violento ideologicamente motivado e o terrorismo doméstico que assistimos hoje, além de uma rejeição à democracia liberal fortemente enraizada no imaginário dos indivíduos que ainda estão capturados nas câmaras de eco digitais da far-right brasileira.

IHU – Em suas redes sociais, analisando os atos de terrorismo em Brasília, a senhora considerou que aquela situação vinha se desenhando há tempos. Gostaria que detalhasse essa ideia e pontuasse indícios de que haveria um ato nas proporções do que foi aquele.

Michele Prado – Sim. No meu primeiro livro, Tempestade ideológica – bolsonarismo: a alt-right e o populismo iliberal no Brasil, lançado no início de 2021, eu já havia previsto que teríamos episódios de terrorismo doméstico de extrema-direita com o alto potencial para uma insurreição extremista nos moldes daquela ocorrida no Capitólio dos EUA.

Os marcadores indicavam isto: um processo semelhante de radicalização on-line e sob os mesmos conceitos extremistas estavam em curso tanto aqui quanto nos EUA e outros países. A retórica de negação das instituições democráticas; os apelos à violência; a mentalidade conspiratória; a imensa rede alternativa de influência digital que influenciadores da direita radical e extrema já haviam estabelecido; a desinformação e a informação maliciosa como regras; a guerra memética; notícias falsas; o nacionalismo cristão; o aceleracionismo militante de extrema-direita; o terrorismo estocástico produzido de forma incessante por Jair Bolsonaro; os sistemáticos ataques dele às instituições; a disseminação, muito antes do período das eleições, da narrativa mentirosa de fraude eleitoral; enfim, todos os marcadores estavam muito evidentes ainda em 2020.

E os alertas não foram poucos.

IHU – Que mensagens da extrema-direita podemos apreender dos atos em Brasília e da forma como ela tem reagido às prisões e ações do Estado brasileiro?

Michele Prado – A reação esperada é justamente a que está ocorrendo: a criação de falsas narrativas que garantam uma mobilização da vitimização, pois a vitimização é um componente frequente e inerente à extrema-direita, visto que precisam, para prosperarem, da criação de bodes expiatórios nos quais colocarão culpa por todos os males que supostamente estão vivendo.

Então, surgem as afirmações: que a direita está sendo perseguida; que existe um complô maligno comandado por um suposto complexo de “globalistas liberais” (registre-se que por “globalistas” estão se referindo a judeus, às vezes dizem explicitamente “cabala” em vez de globalistas); que esse complexo comanda o “sistema” e pretende a destruição da família/emasculação de homens/escravizar mentes/cometer pedofilia etc. É um sarapatel de conspiracionismo que só consegue galvanizar e se amplificar quando se vitimizam.

Por isso, continuarão a produzir narrativas mentirosas, como a de que a insurreição extremista abominável ocorrida em Brasília era obra de infiltrados para culpar a direita. Delírio. Mas é o delírio como método.

IHU – A senhora também defende uma abordagem profissional e multissetorial de prevenção da radicalização e do combate ao extremismo. No que consiste essa abordagem?

Michele Prado – Uma abordagem profissional e multissetorial significa que precisamos entender e promover uma abordagem do extremismo que não esteja restrita a uma perspectiva puramente político-eleitoral (o quadro vigente até então aqui no Brasil) e que consiga agregar vários setores-chave para uma abordagem realmente eficaz. Isso envolve desde psicólogos, sociólogos, cientistas políticos, analistas de dados, criminólogos, professores e educadores, pais e jovens, até vítimas do extremismo, imprensa, academia, membros da sociedade civil, ONGs, líderes comunitários, líderes religiosos, líderes esportistas e, principalmente, a colaboração das plataformas digitais, tanto as big-techs quanto as alt-techs.

Para a implementação de programas de P/CVE (prevenção e combate ao extremismo violento), é necessário o entendimento de que o extremismo é uma questão social, de saúde e segurança pública. A abordagem deve, portanto, ser institucional e apartidária, sem que precise estar submetida às vontades do governo de turno. Esse é um dos principais desafios no Brasil.

O extremismo e suas muitas formas
Já observei que há pessoas públicas disseminando desinformação a respeito do tema ao dizer que não se deve falar em radicalização porque, supostamente, isso criminalizaria a esquerda radical. Declarações desse tipo demonstram a falta de compreensão sobre o assunto e o total desprezo pelo compromisso público com a sociedade, pois o extremismo chega no cotidiano e assume muitas formas. E o extremismo violento de extrema-direita não é a única categoria, apesar de ser a maior ameaça doméstica contemporânea em muitos países e, principalmente, no Brasil.

É preciso investimento (público e privado) em pesquisas e programas de prevenção e contraextremismo, que os resultados cheguem na sociedade e não fiquem apenas restritos a um círculo de elite (financeira, midiática ou acadêmica); que haja transparência e acesso aos dados; intersecção e interlocução com as instituições democráticas; que os profissionais envolvidos estejam comprometidos com a honestidade em declarar se há conflito de interesses ou não ao se analisar determinado campo; participação em fóruns globais de contraextremismo e terrorismo on-line; rigor e compromisso com o espaço cívico.

Ou seja, é um desafio grande o que temos pela frente.

IHU – Qual a centralidade dos chamados influenciadores digitais nas articulações da extrema-direita? Como podemos compreender a lógica e o que move esses sujeitos?

Michele Prado – Os influenciadores digitais comandam as dezenas de câmaras de eco nas quais lideram as pautas que serão disseminadas não apenas numa plataforma específica, mas em todas as suas ramificações, via hiperlinks, por exemplo. Como há muitas correntes da far-right atuando, cada facção se comunica com um público específico, havendo sobreposição eventualmente entre esses públicos, direcionando as narrativas conforme cada nicho.

Por exemplo: há as câmaras de eco em que os temas giram em torno de questões financeiras, e, aos poucos, os influenciadores vão introduzindo conceitos e visões extremistas; há aquelas voltadas para o público feminino, nas quais as influenciadoras misturam dicas de alimentação, decoração, casamento, maquiagem, aos conceitos antifeministas extremistas, teorias conspiratórias, sugestão de submissão feminina e reverberação de ideias de comunidades marginais de misoginia extrema (como as comunidades Red Pill, por exemplo); há as câmaras de eco com uma direita supostamente moderada que introduz conceitos filosóficos oriundos do antiliberalismo radical e reacionarismo religioso. Então, é uma galáxia de muitos agentes que radicalizam seus públicos e alimentam a galáxia de queixas e ressentimentos com teorias e ideias oriundas do esgoto intelectual extremista.

O público, capturado nessas câmaras, passa a acreditar que aquilo que dizem é verdadeiro (especialmente porque, na dinâmica entre os influenciadores, uns protegem os outros) e aos poucos perde seu senso crítico individual, a observação de vozes dissonantes e o contato com a realidade. Estudos recentes indicam que em 18 meses ocorre o processo de radicalização on-line, e há o estabelecimento de crenças extremistas (incluindo o extremismo violento).

IHU – Se vemos, de um lado, essa articulação e organização via meios digitais, também vemos movimentos político-jurídicos que buscam sustentar um golpe de Estado, haja vista a minuta encontrada na casa do ex-ministro Anderson Torres. Como compreender os movimentos da extrema-direita brasileira nessa articulação de golpe?

Michele Prado – Houve uma total infiltração de crenças extremistas de extrema-direita em várias instituições governamentais e de Estado. A abrangência da infiltração da extrema-direita nas forças militares e de segurança ainda é desconhecida, pois não há um monitoramento e, muito menos, relatórios transparentes que cubram essa lacuna. O que foi visto, e é uma bandeira vermelha, foram cenas de conivência e complacência com os extremistas diante do episódio de terrorismo doméstico em Brasília.

Urge lembrar que, desde 2019, o curso on-line de filosofia de Olavo de Carvalho é oferecido gratuitamente aos militares. Por muito menos, países como a Alemanha já dissolveram pelotão inteiro de polícia federal de elite porque alguns poucos membros expressaram simpatia a ideais de extrema-direita.

IHU – O que quer a extrema-direita brasileira? A implosão da democracia? Por que um golpe de Estado? Podemos entender o caso brasileiro a partir da experiência de outros países?

Michele Prado – A extrema-direita, aqui ou em outro lugar, busca a destruição do consenso liberal-democrático do pós-guerra. Busca a substituição da democracia liberal e seus pilares básicos – Estado democrático de direito, separação de poderes, imprensa livre, proteção às minorias e respeito à dignidade humana – por um modelo autocrático, uma ordem hierarquizada por gênero, raça, etnia, religião e classe.

Quando não expressam abertamente o desejo por uma ordem autocrática militarizada, tentam a via alternativa de implosão da democracia liberal e sua gradual substituição por um modelo como o iliberalismo de Orbán na Hungria (país que, inclusive, teve rebaixado seu status para autocracia eleitoral).

IHU – O presidente Lula tem dito que o Palácio do Planalto e as instituições de governo estão contaminadas, ainda cheios de pessoas partidárias da extrema-direita. O novo governo, demais instituições de Estado e até a esquerda teriam subestimado esse enraizamento da extrema-direita?

Michele Prado – Subestimaram, sem dúvida. Muitos acreditavam que as eleições seriam até mesmo definidas no primeiro turno. Parte dessa análise equivocada pode ser explicada com o mesmo conceito das câmaras de eco: fecham-se dentro de ecossistemas de informações e só recebem conteúdos com viés de confirmação.

Antes das eleições eu já alertava que o bolsonarismo tinha uma base muito acima dos 20% que algumas pesquisas indicavam. Eu alertava que era acima de 40% e de fato é. Para chegar mais próximo ao número real, é preciso compreender o bolsonarismo a partir do que foi respondido na primeira pergunta desta entrevista: o bolsonarismo agrega muitas correntes da far-right.

E deixo mais um alerta: as correntes e facções que, eventualmente, romperam com Bolsonaro e o bolsonarismo desde a pandemia já iniciaram um reagrupamento em torno de uma oposição extrema, delinquente e feroz contra o novo governo. Há um alto potencial para o surgimento de milícias antigovernamentais de extrema-direita (como Cidadãos Soberanos, Oath Keepers, boogaloo e 3%, que existem nos EUA). As narrativas já são praticamente idênticas.

IHU – Se no Estado há esse enraizamento, no tecido social ele é ainda mais claro. Como analisa a aderência dessas lógicas da extrema-direita na sociedade brasileira? Quais os desafios para reverter isso e pacificar a população em torno de um bem comum?

Michele Prado – Precisaremos de programas de desradicalização, P/CVE, envolvimento da sociedade civil, criação de contranarrativas persuasivas eficazes e muita empatia e resiliência, pois será preciso um esforço conjunto de longo prazo.

Muitas famílias estão com animosidade dentro de suas próprias casas; muitas se dissolveram com a radicalização e o extremismo. A mentalidade conspiracionista introduzida pela extrema-direita se disseminou de tal forma que até mesmo em searas nas quais o Brasil sempre teve ampla participação popular, como as campanhas de vacinação, hoje exibem índices alarmantes. A cobertura de vacinação contra o sarampo, por exemplo, caiu mais de 40% em menos de uma década. Há um cenário de destruição em muitas esferas, por isso será necessária muita empatia e resiliência de toda a sociedade, em nível micro (no seu entorno) e em nível macro.

IHU – A senhora também não mede as palavras ao considerar os atos em Brasília como terrorismo e chega a considerar que essa insurgência não para por aí. Por quê?

Michele Prado – Porque é a definição que todos os institutos de contraextremismo/contraterrorismo, centros de pesquisa, índices globais de terrorismo, ONU e agências de segurança internacionais que utilizam: o terrorismo doméstico são “atos violentos e criminosos cometidos por indivíduos e/ou grupos para promover objetivos ideológicos decorrentes de influências domésticas, como as de natureza política, religiosa, social, racial ou ambiental”.

Se você promove depredação contra órgãos institucionais, violência, planeja explodir um caminhão-tanque num aeroporto (visando, portanto, alvos civis também), incentiva e mobiliza ataques contra alvos de infraestrutura, isso é terrorismo doméstico.

IHU – Que Brasil é esse que sai dessa experiência com a extrema-direita?

Michele Prado – Mais triste. Mais desunido e desigual. Ao mesmo tempo, também agrupou uma parcela relevante da sociedade, mais de 60 milhões de pessoas, que estão mais firmes na defesa da democracia e por uma sociedade mais justa, inclusiva e humanista.

IHU – Ainda estamos sob uma “tempestade ideológica” ou já estamos iniciando tempos de bonança?

Michele Prado – Ainda estamos, infelizmente. Levaremos um tempo considerável até a bonança.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil

 

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