Famílias do Engenho Gongo, em Itambé (PE), denunciam mais uma invasão das terras em que vivem

Cerca de 50 famílias agricultoras do engenho Gongo foram surpreendidas com mais uma invasão em sua comunidade, na manhã da quarta-feira, 24. Segundo informações locais, cerca de 15 funcionários, que teriam sido contratados por um intermediário vinculado à Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana-de-açúcar (COAF), foram à localidade para iniciar o cercamento do imóvel, com cavadeiras para instalação de cercas com arame farpado.

Setor de comunicação da CPT NE 2

Segundo agricultores da comunidade, ao se reunirem para impedir o cercamento, foram informados pelos funcionários que a determinação da ação partiu do suposto dono do engenho, que ora dizem ser Marcelo Petribú, ora Antônio Rueda.

O Engenho Gongo está situado no município de Itambé, terra de Paulo Roberto Pinto, conhecido por “Jeremias”, assassinado em 1963 a mando dos donos do Engenho Oriente em razão de sua atuação na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais na região. A semente de Jeremias e de sua batalha por vida digna no campo germinou entre os camponeses e camponesas de Itambé.

Na comunidade do engenho Gongo, vivem 50 famílias agricultoras posseiras, sendo a maior parte formada por trabalhadores(as) rurais que, em 2011, com a falência da Usina Cruangi, foram demitidos sem o recebimento dos direitos trabalhistas. Diante desse cenário, suas famílias se organizaram para permanecer na área exercendo a agricultura camponesa e familiar.

Os agricultores e agricultoras do engenho já solicitaram a desapropriação do imóvel ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco (Iterpe). Apesar de a área atender a todos os critérios da política de Reforma Agrária, os órgãos não deram seguimento ao pedido da comunidade, deixando-a vulnerável às tentativas de despejo e acirrando o quadro de conflito por terra na localidade.  Processos de usucapião também tramitam na justiça de Itambé para garantir a permanência dos(as) agricultores que vivem no local.

A comunidade do Engenho Gongo é apoiada pela Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), pelo Movimento das Comunidades Populares (MCP), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), pelo Mandato do Vereador de Itambé Ronaldo Fernandes, além de outras entidades locais e estaduais.

 

 

Foto: Divulgação

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