MPA realiza 4º Encontro Nacional com mais de mil camponeses e foco em memória, estratégia e alimentação saudável

Com Missão Josué de Castro, delegações de todo o país celebram 30 anos de história, projetam o futuro da agricultura camponesa e reafirmam a luta por soberania alimentar e políticas públicas

Comunicação MPA Brasil

Cerca de mil e duzentos agricultores e agricultoras de todo o Brasil estão reunidos no 4º Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O evento, que se estende por quatro dias, combina análise de conjuntura, projeção de diretrizes para os próximos anos e uma forte valorização da memória dos 30 anos do movimento. A programação é conduzida por uma metodologia cuidadosamente desenhada, espaços pedagógicos que resgatam a história e uma cozinha organizada coletivamente com alimentos agroecológicos da agricultura camponesa e de cooperativas do movimento.

Segundo Jucilene Xavier, de Pernambuco, da equipe de metodologia, o grande objetivo do encontro é fortalecer o plano estratégico do MPA. “É fazer uma leitura da conjuntura internacional e, a partir disso, formular as diretrizes de como pensar os próximos períodos”, explicou. Os debates giram em torno de eixos como o plano camponês, o feminismo camponês e popular e a nova geração camponesa, esta última voltada a pensar os novos sujeitos que darão continuidade à vida no campo.

A equipe de metodologia, composta por 12 pessoas oriundas do coletivo nacional de formação e de militantes com longa trajetória, foi responsável por transformar as definições da direção nacional em uma programação política e pedagógica: “desde os espaços de mesa de debates até os momentos de projeção, como estamos e quais os próximos passos”, detalhou Jucilene.

Enquanto as discussões apontam para o futuro, a memória ocupa lugar central. Isabel Ramalho, de Rondônia, à frente da coordenação dos espaços de memória, montou com sua equipe uma exposição fotográfica na entrada do evento e uma mostra de materiais históricos nas ilhas que levam à plenária. “Trouxemos a memória dos 30 anos: fotos, cartilhas, boletins informativos, o MPA Informa. É um espaço para que a juventude e os novos integrantes se apropriem da construção do movimento desde o início”, contou.

A exposição inclui ainda um memorial com imagens de companheiros e companheiras já falecidos. Na abertura, a reação do público surpreendeu. “Todo mundo tentando se reconhecer, lembrar do seu período de chegada ou do pai e da mãe. Hoje já tinha gente sentada em banquinhos lendo os livros. Está muito bonito”, celebrou Isabel.

Do Espírito Santo, a agricultora Cássia Cassaro chegou após mais de 24 horas de estrada, alguns companheiros de caravana enfrentaram até 30 horas de viagem. “A expectativa é muito boa, todo mundo empolgado, quer conhecer pessoas novas, ver o que o MPA tem de novo, lançamentos, esse resgate da cultura, esse dinamismo do país, com cultura, alimentação, dança, festa e esse jeito de cuidar das pessoas”, animou-se. A delegação capixaba trouxe mexerica, biscoitos e outros produtos para compartilhar com as demais caravanas e também para a feira.

“A gente trouxe um monte de coisa aqui pra poder compartilhar e também vender, fazer uma boa feira”, disse Cássia. Ela também reforçou a pauta política: “Nós precisamos reivindicar o direito, precisamos de política pública, precisamos dizer que a agricultura camponesa, homens, mulheres, crianças, tem o que produzir e onde produzir, e alimentar 5 milhões de pessoas de norte a sul do país. É isso que nós queremos com a missão José de Castro, o nosso grande guarda-chuva”.

Para alimentar o encontro, a cozinha funciona com cerca de 50 integrantes, entre militantes do MPA vindos de vários estados e apoiadores locais. A escala de turnos permite que todos também participem dos debates. Eduardo Theodoro, dirigente estadual do Distrito Federal, explicou que os alimentos foram adquiridos via Conab, com opção prioritária por cooperativas ligadas a movimentos sociais e organizações de base. “Tudo é cooperativado. Chegou alimento da Bahia, de São Paulo, das redes do MPA”, afirmou.

O encontro evidencia a combinação entre formulação política, enraizamento na história, prática cotidiana de soberania alimentar e a luta por políticas públicas que garantam vida digna no campo. Sob o grande guarda-chuva da missão José de Castro, o MPA reafirma seu compromisso de alimentar o Brasil e fortalecer a agricultura camponesa.

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