Por Eugênio Aragão, no Brasil 247
As frações de informação tornadas públicas na entrevista do advogado José Yunes, insistentemente apresentado pelos esbulhadores do Palácio do Planalto como desconhecido de Michel Temer, embrulham o estômago, causam ânsia de vômito em qualquer pessoa normal, medianamente decente.
Conclui-se que Temer e sua cambada prepararam a traição à Presidenta Dilma Vana Rousseff bem antes das eleições de 2014. A aliança entre o hoje sedizente presidente e o correntista suíço Eduardo Cunha existia já em maio daquele ano, quando o primeiro recebeu no Palácio do Jaburu, na companhia cúmplice de Eliseu Padilha, o Sr. Marcelo Odebrecht, para solicitar-lhe a módica quantia de 10 milhões de reais. Não para financiar as eleições presidenciais, mas, ao menos em parte, para garantir o voto de 140 parlamentares, que dariam a Eduardo Cunha a presidência da Câmara dos Deputados, passo imprescindível na rota da conspiração para derrubar Dilma.
Temer armou cedo o golpe que lhe daria o que nunca obteria em uma disputa democrática: o mandato de Presidente da República. Definitivamente, esse sujeitinho não foi feito para a democracia. É um gnomo feio, incapaz de encantar multidões, sem ideias, sem concepções, sem voto, mas com elevada dose de inveja e vaidade. Para tomar a si o que não é seu, age à sorrelfa, à imagem e semelhança de Smeágol, o destroncado monstrengo do épico “O Senhor dos Anéis”.
Muito ainda saberemos sobre o mais vergonhoso episódio da história republicana brasileira, protagonizado por jagunços da política, gente sem caráter e vergonha na cara, que só conseguiu seu intento porque a sociedade estava debilitada, polarizada no ódio plantado pela mídia comercial e reverberado com afinco nas redes sociais, com a inestimável mãozinha de carreiras da elite do serviço público.
O resultado está aí: o fim de um projeto nacional e soberano de desenvolvimento sustentável e inclusivo. A mais profunda crise econômica que o país já experimentou. A desconstrução do pouco de solidariedade que nosso Estado já prestou aos mais necessitados. A troca do interesse da maioria pela mesquinhez gananciosa e ambiciosa da minoria que, “em nome do PIB” ou “do mercado”, se deu o direito de rasgar os votos de 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Rasgaram-nos pela fraude e pelo corrompimento das instituições, com o único escopo de liquidar os ativos nacionais e fazer dinheiro rápido e farto, como na privatização de FHC. Dinheiro que o cidadão nunca verá.
É assim que se despedaça e trucida a democracia: dando o poder a quem perdeu as eleições, garantindo aos derrotados uma fatia gigantesca do governo usurpado e até a nomeação de um dos seus para o STF, para assegurar vida mansa a quem tem dívidas com a justiça. A piscadela de Alexandre de Moraes a Edison Lobão, na CCJ, diz tudo.
Assistiremos a tudo isso sem nenhum sentimento de pudor?
A essa altura dos acontecimentos, o STF e a PGR só podem insistir na tese da “regularidade formal” do impedimento da Presidenta Dilma Rousseff com a descarada hipocrisia definida por Voltaire como “cortesia dos covardes”.
Caiu o véu da mentira. Não há mais como negar: o golpe foi comprado e a compra negociada cedinho, ainda no primeiro mandato de Dilma. O golpe foi dado com uma facada nas costas, desferida por quem deveria portar-se com discreta lealdade diante da companheira de chapa. O Judas revelado está.
E os guardiões da Constituição? Lavarão as mãos como Pilatos – ou tomarão vergonha na cara?
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Alexandre Moraes busca apoio para ministro do STF na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Foto: Dida Sampaio, Estadão.

“Diz-me com quem andas e te direi quem és.”
Quando o PT se juntou ao PMDB (de Jáder Barbalho, Sarney e companhia ilimitada), todos os dirigentes petistas sabiam com quem estavam se juntando. Portanto, eu (que fui petista até o início da traição de Lula com sua Reforma da Previdência), não considero que o Temer(oso) tenha dado um golpe em Dilma. Dilma não estava conseguindo aplicar o projeto neoliberal que programou junto com o PMDB, por isso teve que entregar a cadeira para seu companheiro de chapa, para que ele o aplicasse. E foi montada a farsa. Tanto é, que nas eleições de 2016 o PT continuou aliando-se com o PMDB em diversas cidades pelo Brasil afora. E, agora, Temer está conseguindo aprovar seus projetos sem que o PT e a CUT organizem os trabalhadores para derrotarem esses projetos. Será que em 2018 o PT vai se aliar ao PMDB, novamente?
A linguagem dura expressa a revolta de alguém que percebeu a gravidade do momento que o país atravessa, o nível rasteiro a que chegou a vida política nacional, a corrupção desenfreada que domina o Executivo e o Legislativo e a omissão do Judiciário, cujos membros se comportam como vestais que fingem ignorar o que se passa, na verdade cúmplices que tratam como questões técnicas a sucessão de tragédias que se abateu sobre o país. O que falta para que os brasileiros de caráter se unam, quebrem o silêncio e se unam para confrontar essa corja?