O conflito entre o Estado de Israel e a Comunidade Palestina tem seus pressupostos econômicos relacionados com a expansão capitalista dos últimos 200 anos
Em A Terra é Redonda
O apocalipse de São João, considerado o fundador do milenarismo cristão, vê um anjo descer do céu com a chave de um abismo e uma grande corrente. Aí, assevera João, o anjo agarra Satanás e joga-o no abismo, para que ele, por mil anos, “não seduza mais as nações.” João assim estabelece uma garantia temporal mística de “mil anos” para a paz entre as nações, criando um “pressuposto” que é, também, uma condição argumentativa para projetar um bom futuro com o encarceramento do demônio. Se a Profecia de São João estivesse certa, a intervenção do Humano – nas supostas fatalidades mecânicas da História – seria absurdamente desprezível. E sempre fracassada. Quando Netanyahu coloca como argumento central, aos adversários da sua política de crimes de guerra, que aqueles querem proibir Israel de se defender, ele cria uma distância cada vez maior entre ele e o campo democrático, em todo o mundo, porque mente: os que pedem o cessar fogo, as negociações de Paz e o diálogo na região, não querem impedir Israel de se defender, querem que ele pare com o massacre da população de Gaza, condenando – de forma concomitante – à morte, tanto os integrantes do Hamas, como a sua população civil. Mulheres, velhos, crianças, jovens vão sendo assassinados todos os dias, bombardeados impiedosamente! Os resultados das suas ações militares já não são “neutros”, dentro de uma estratégia de defesa, mas são partes de uma estratégia pré-concebida de extinção do povo palestino, como eterno inimigo objetivo. São inimigos porque existem! Continue lendo “A guerra insana e seus demônios. Por Tarso Genro “