Clara Mattei: Brasil precisa de outro rumo

Economista que estudou a fundo a relação entre ajustes fiscais e fascismo adverte, na edição brasileira de seu livro: “arcabouço” de Haddad é “vergonhosamente austero” e compromete o futuro, ao fazer concessões tolas ao mercado

Por Clara Mattei e Mariella Pittari, em Outras Palavras*

É uma verdadeira conquista ver A ordem do capital publicado em português. Afinal, ainda que narre algo que teve lugar na Europa de um século atrás, seguindo uma linha que revisita e revê os fundamentos da economia a fim de relacionar os efeitos das políticas econômicas de austeridade do início do século XX à ascensão do fascismo, neste livro há elementos analíticos que podem contribuir para compreender a natureza e a lógica da austeridade no Brasil atual. Não obstante se concentre nas relações de classe em contextos europeus nos quais a austeridade foi usada como instrumento político para esmagar as reivindicações de democracia econômica, transporta essa dinâmica à compreensão de como as relações de classe foram forjadas em países cujo histórico é de escravidão e colonialismo. Entender as relações de classe da Europa do século XIX serve para calibrar como o discurso da austeridade vem acompanhado de uma pauta argumentativa que cancela o aspecto de classe das políticas adotadas, como se estas atingissem a todos de maneira equânime. Continue lendo “Clara Mattei: Brasil precisa de outro rumo”

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Não tema o déficit, Haddad

Ministro faz coro ao catastrofismo da banca diante do “rombo” fiscal de 2023: 2,1% do PIB. Mas esquece que gastos primários injetam recursos na sociedade – e, se cortados, o crescimento econômico seria pífio. Austeridade é o real vilão e deve ser revista

por Paulo Kliass, em Outras Palavras

As manchetes e os termos utilizados pelos jornalões e pelos grandes meios de comunicação não fugiram ao figurino aplicado pelo povo do financismo a esse tipo de situação. “Rombo!”, “Irresponsável!”, “Gastança!”, “Insustentável!” “Populista!”. Estes foram os termos mais difundidos em suas páginas e telas a partir da divulgação oficial das informações a respeito da política fiscal de 2023. Continue lendo “Não tema o déficit, Haddad”

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A deturpação liberal do anarquismo indigenista

Rejeição à ideia de Estado é marca de povos originários, sugeria o antropólogo Pierre Clastres. A figura do líder não é coercitiva, para gerar excedentes, mas entrega ao vínculo comunal – muito diferente de antipatias ao poder de parte do anarquismo moderno

por Caio Araujo, em Outras Palavras

Em sua magnum opus – “A Sociedade contra o Estado” – o antropólogo francês Pierre Clastres situa, com efeito, o surgimento da instituição Estado a partir do estabelecimento de relações societárias marcadas pela antonímia comando-obediência. Frisa-se, todavia, que o modelo societário analisado por Clastres é o de povos autóctones ou, como ele os concebe, o de sociedades primitivas. O termo “primitivo” não deve ser entendido aqui como uma depreciação evolucionista, sinônimo de atraso e arcaísmo rudimentar. Clastres o emprega para se referir aos povos ameríndios, os quais, diga-se, ele admirava. A ideia de primitividade está mais ligada em sua obra à de originalidade, de preservação de um modo de ser e de aversão à autoridade. São essas sociedades “primitivas” que, segundo ele, rebelam-se contra a nossa concepção de Estado centralizado, expurgando-o da vida social. Continue lendo “A deturpação liberal do anarquismo indigenista”

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Nova Indústria Brasil – NIB: Virtudes e Desafios. Por Cândido Grzybowski

em Sentidos e Rumos

Já estava na hora do governo democrático vitorioso nas urnas de 2022 ser um pouco mais ousado em relação à economia despedaçada e reprimarizada que temos hoje. A NIB é, sem dúvida, uma demonstração política do Governo Lula III de mudar e regular a economia que temos, que só serve aos interesses do rentismo parasitário da classe dominante, contra a maioria da população brasileira. Mas a proposta política é ousada o suficiente? Será capaz de mudar a estrutura e os processos para que a economia seja a base para cuidar de gente e da natureza, como enfaticamente anunciado por Lula na sua posse há um ano e pouco? Continue lendo “Nova Indústria Brasil – NIB: Virtudes e Desafios. Por Cândido Grzybowski”

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Justiça dá 30 dias para governo apresentar plano contra garimpo ilegal na TI Yanomami

A Justiça Federal fixou uma multa de R$ 1 milhão caso a União não apresente um novo cronograma de ações antigarimpo na Terra Indígena Yanomami. 

ClimaInfo

A persistência das crises humanitária e de segurança pública na Terra Yanomami, em Roraima, motivou a Justiça Federal a pressionar o governo federal por mais ação no combate ao garimpo ilegal. A decisão foi anunciada nesta 2ª feira (29/1) depois de uma audiência de conciliação promovida a pedido do Ministério Público Federal com representantes dos Ministérios da Justiça, Defesa, Povos Indígenas, Saúde e Meio Ambiente, além da Polícia Federal, FUNAI, ICMBio e do governo de Roraima. Continue lendo “Justiça dá 30 dias para governo apresentar plano contra garimpo ilegal na TI Yanomami”

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Novo PAC exigirá mais fiscais e servidores para IBAMA e ICMBio, diz Marina Silva

Em meio a negociação salarial com servidores ambientais, a ministra do Meio Ambiente destacou a necessidade de novos concursos públicos para reconstituir o quadro funcional.

ClimaInfo

A implementação da nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) exigirá mais fôlego do IBAMA e do ICMBio na análise ambiental das diversas obras de infraestrutura, o que demanda a reconstituição do quadro funcional desses órgãos. A avaliação é da ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), feita durante um evento realizado nesta 2ª feira (29/1) em São Paulo. Continue lendo “Novo PAC exigirá mais fiscais e servidores para IBAMA e ICMBio, diz Marina Silva”

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Comunidades Quilombolas do Maranhão se reúnem pela resistência contra o MATOPIBA

por CPT Regional Maranhão, CONAQ, MOQUIBOM e Cáritas

A organização de parceiros articulados (CPT, CONAQ, MOQUIBOM e Cáritas) realizou de 26 a 28 de janeiro de 2024 no Território Quilombola São Benedito dos Colocados em Codó / MA, o II Encontro das Comunidades Quilombolas da Região Leste e Cocais maranhense, com o objetivo de proporcionar o processo de formação e partilhar as resistências para a construção de estratégias coletivas para o enfrentamento ao avanço do MATOPIBA, denunciando a omissão do Estado sobre os territórios ameaçados. Estiveram presentes cerca de 97 pessoas oriundas de 06 diferentes municípios, representando 20 comunidades tradicionais quilombolas dessa região. Continue lendo “Comunidades Quilombolas do Maranhão se reúnem pela resistência contra o MATOPIBA”

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quilombo

Fundação Palmares certifica comunidade quilombola no Maranhão

Entidade disponibiliza mecanismo de proteção a moradores da área

Por Fabiola Sinimbu – Repórter da Agência Brasil

A Comunidade Centro do Expedito, formada pelas comunidades Belém 1 e 2, no município maranhense de Codó, foram certificadas pela Fundação Cultural Palmares, conforme a audodefinição declarada, como remanescente de quilombo. A portaria com a medida foi publicada nesta terça-feira (30), no Diário Oficial da União. Continue lendo “Fundação Palmares certifica comunidade quilombola no Maranhão”

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Babalorixá é levado em camburão por PMs em Franca (SP): ‘ação truculenta, horrorosa’

Pai Emerson teve culto interrompido e foi para delegacia após denúncia de perturbação de sossego feita por vizinho; OAB repudiou abordagem

Catarina Duarte, A Ponte

Uma cerimônia da casa de candomblé Ilê Asè Alaketu Oluwáie, em Franca, no interior de São Paulo, foi interrompida na última sexta-feira (26/1) por policiais militares que apuravam um chamado de perturbação de sossego. Pai Emerson, 32 anos, responsável pelo local, foi levado no camburão da viatura até a Delegacia Seccional de Polícia de Franca. A ação foi alvo de denúncias dos candomblecistas que estavam no local e também da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na cidade, que, em nota, repudiou a abordagem a qual avaliou ter havido violação de direitos humanos. Continue lendo “Babalorixá é levado em camburão por PMs em Franca (SP): ‘ação truculenta, horrorosa’”

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Brumadinho: após 5 anos do rompimento da barragem da Vale, ninguém foi responsabilizado pelo crime

Frente à demora da Justiça, atingidos lançam Observatório das Ações Penais para facilitar o acesso às informações

Ana Carolina Vasconcelos, Brasil de Fato

Passados cinco anos desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que atingiu toda a bacia do Rio Paraopeba e deixou 272 vítimas fatais, nenhum responsável foi punido. Ao todo, 16 pessoas físicas foram denunciadas por homicídio doloso duplamente qualificado. A Vale e a empresa alemã de inspeções e certificação TÜV Süd também foram denunciadas por crimes ambientais. Porém, o processo ainda está em fase de citação. Continue lendo “Brumadinho: após 5 anos do rompimento da barragem da Vale, ninguém foi responsabilizado pelo crime”

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