Às vésperas do encontro Lula-Trump, Casa Branca avança sobre minerais críticos brasileiros. Apropriação é parte de projeto geopolítico: voltar o país contra o Sul Global e usá-lo como peão, para que o Ocidente controle as novas tecnologias
Por Edna Aparecida da Silva*, em Outras Palavras
O debate recente sobre terras raras no Brasil não diz respeito apenas à expansão de investimentos ou à exploração de recursos naturais, mas à disputa pelo controle das reservas e das condições de sua exploração, financiamento e inserção nas cadeias minerais em escala global. Esse processo se insere em um contexto mais amplo de reorganização do sistema internacional, marcado pela formação de um bloco mineral ocidental sob direção dos Estados Unidos, que articula ação estatal, coordenação entre países aliados – particularmente Estados Unidos, Canadá e Austrália – com a participação de outros membros do G7, e atuação de grandes corporações para estruturar cadeias produtivas fora da China. Nesse cenário, iniciativas voltadas à aquisição de ativos, ao financiamento de projetos e à coordenação de cadeias produtivas não constituem operações isoladas, mas integram estratégias estatais coordenadas, voltadas à redefinição do controle sobre recursos e fluxos de valor em escala global.
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