“Não dá para dizer que a esquerda e a direita são iguais. Mas o que elas alteram em si, de fato, nas estruturas de poder? Estão alterando algo de fato ou são maquiagens e dimensões limitadas para nos fazer acreditar em uma segurança, proteção ou direito que nunca tivemos e nunca iremos ter?”
Por: João Vitor Santos e Patricia Fachin, em IHU
A violência que perpassa todas as esferas da vida social brasileira “nasce de um projeto colonizador que se perpetua, nunca foi alterado, se mantém, se aprofunda e foi calcado, desde o começo, na violência”, resume José Cláudio Alves na entrevista a seguir concedida via Teams ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “Ou seja, vive-se uma realidade política na qual o Estado, que vem de Lula, passa por Bolsonaro e volta a Lula – pouco importa – mantém uma estrutura de funcionamento extremamente violenta, desigual e que não consegue incorporar as massas populares que nunca foram incorporadas à sociedade. Desde a ditadura esses grupos sociais continuam buscando sobreviver – sabe-se lá como – com políticas compensatórias, com todo tipo de bolsas, que não resolvem a estrutura de vida deles, enquanto a estrutura do crime organizado resolve”, observa. Continue lendo “Milícias e Estado: “Como não se quer confronto, silencia-se. Mata-se. Fica por isso mesmo. A conjuntura vai sendo manipulada” (José Cláudio Alves)”