Controversa mineradora, responsável por dois dos maiores desastres ecológicos da história do Brasil, financia obras para tornar a capital do estado de Helder Barbalho ‘sustentável’. Enquanto isso, os mais vulneráveis seguem afastados do debate climático
Em dois anos e meio, Belém, capital do Pará, na Amazônia brasileira, vai sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30). O tempo é curto para que as intervenções urbanísticas planejadas por conta da COP-30 – obras grandiosas de infraestrutura, turismo, mobilidade e logística – sejam suficientes para enfrentar o abismo socioambiental da capital mais antiga do norte do Brasil. Em novembro de 2025, a cidade amazônica pretende se apresentar ao mundo como um cartão-postal da sustentabilidade. Uma coleção de contradições e problemas, porém, pode comprometer a imagem que o governador Helder Barbalho (MDB-PA), o mais próximo de Lula entre os governadores da Amazônia, pretende vender ao mundo. Entre as contradições, desponta o fato de que a mineradora transnacional Vale é a financiadora de duas das principais obras anunciadas pelo governo do Pará: a construção do Parque da Cidade e a expansão do Porto Futuro em direção às docas. Ligada a dois dos maiores desastres ambientais da história do Brasil, o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, e acusada por povos indígenas, como os Awá Guajá, de violação da floresta e dos direitos de seus habitantes, a Vale representa tudo o que o planeta precisa superar para controlar o aquecimento global e que estará em debate no maior evento do clima, que pela primeira vez será realizado numa capital da Amazônia brasileira. Continue lendo “Vale tudo para maquiar Belém para a COP-30?”










