Depois de apenas alguns goles de fortes bebidas, Pedro já estava bêbado. Isto não lhe era comum. “Meu corpo é curtido em cachaça!”, dizia para os amigos já gargalhantes de bêbados. Mas, de uns tempos para cá, percebeu-se menos resistente. Com pouco, subia-lhe a embriaguez. Mais rápida, mas também diferente. Como em toda embriaguez, começava com desinibição e alguma efusividade exagerada, nas fases mais avançadas, o mundo girava e o real não parecia mais tão sólido quanto antes. Era nesta última fase que as coisas estavam diferentes para Pedro. Diferentes demais. O mundo visto pela embriaguez já não girava mais, ele agora se refazia diante de seus olhos. Tornava-se outro. Via coisas que, apesar de as ver, sabia que não estavam lá. Mas, ao mesmo tempo, estavam, entende? Pedro não entendia. Só percebia assim. Continue lendo “O bêbado. Por Julio Pompeu”










