Turbinada por dinheiro de bancos e companhias petrolíferas, parte das empresas que buscam gerar créditos para compensar emissões do gás de efeito estufa é suspeita de abusos em contratos com povos indígenas e populações tradicionais. Como o mercado não tem nenhuma regulação do governo brasileiro, os benefícios que poderiam ser gerados estão envoltos em desconfiança e a ‘grilagem verde’ avança sobre a floresta
por CLAUDIA ANTUNES, em Sumaúma
A expectativa de ganhar milhões de reais fazendo o que já fazem sem receber remuneração – cuidar da floresta amazônica – pareceu sedutora aos líderes da Terra Indígena Kayapó, no sul do Pará. Em dezembro de 2022, 30 deles, representando as sete associações da TI, passaram três dias em São Paulo a convite da Carbonext, desenvolvedora de projetos para geração e comercialização de créditos de carbono a partir da conservação de florestas. Nas reuniões, a direção da empresa detalhou a proposta de um “compromisso de parceria” que lhe daria exclusividade, por no mínimo 30 anos, na gestão do carbono capturado pela vegetação do território de 3,28 milhões de hectares, uma área do tamanho da Bélgica e 21 vezes maior do que a da capital paulista. O contrato foi assinado já no mês seguinte, em janeiro deste ano, num encontro na aldeia Kriny, na cidade paraense de Bannach. Porém, em maio, quatro meses depois, acabou desfeito pela própria Carbonext. Segundo a empresa, para proteger a sua reputação. Continue lendo “‘Caubóis do carbono’ loteiam a Amazônia”