Bia e Alê: ‘Não vamos deixar Bruno e Dom morrerem’

Beatriz Matos e Alessandra Sampaio se encontram para uma conversa sobre viver e lutar pela vida depois de um ano do assassinato brutal de seus maridos

por VERÓNICA GOYZUETA, em Sumaúma

Elas tinham vidas discretas, distintas e distantes. Bia estava realizada como professora da pós-graduação em antropologia na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. Longe dali, em Salvador, Alê planejava uma loja de artesanato online com artistas do norte, enquanto criava bolsas em sua máquina de costura. As vidas de Beatriz Matos e Alessandra Sampaio dificilmente se cruzariam não fosse a tragédia. O assassinato brutal de seus maridos, Bruno Pereira e Dom Phillips, há um ano, no Vale do Javari, na Amazônia brasileira, as uniu. O laço nascido da dor virou afeto. Bia e Alê tornaram-se cúmplices na busca da vida em tempos brutos. Continue lendo “Bia e Alê: ‘Não vamos deixar Bruno e Dom morrerem’”

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Bruno e Dom seguem sendo assassinados

No momento em que o luto se encerra para os indígenas do Vale do Javari, o Congresso brasileiro dá mais um golpe que pode ser fatal para a Amazônia e seus povos

por BETO MARUBO, FABRÍCIO AMORIM e HELENA PALMQUIST, em Sumaúma

Quando o indigenista Bruno Pereira foi morto no Vale do Javari, em junho de 2022, os oito povos indígenas contatados da região se fecharam em luto, cada um segundo seu rito próprio. O povo Kanamari fez seu ritual de luto por um ano inteiro, como é costume dele quando morre um parente: os sobreviventes raspam os cabelos, alguns cultivos são interditados, certos tipos de artesanato deixam de ser confeccionados e a memória do falecido é regada com cantos e lágrimas. A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), organização para a qual Bruno trabalhava quando foi assassinado, mudou sua logomarca em sinal de luto. Ela, que antes continha um desenho de montanhas, palmeiras e um pássaro em um círculo, passou a ostentar uma fita preta. Em 5 de junho de 2023, o luto se encerra e a logomarca da Univaja voltará a representar o Vale do Javari. A fita preta vai desaparecer, mas as intensas relações que Bruno construiu com os povos do Javari e de todo o Brasil estarão vivas. Continue lendo “Bruno e Dom seguem sendo assassinados”

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Povo Yanomami: “A floresta não é uma coleção de árvores, mas um universo de povos vivos”. Entrevista especial com Bruce Albert

“Talvez, em função da minha idade e do meu tempo de praia, ou seja, há 50 anos trabalho com os yanomami, vi várias coisas que me impedem de ter ilusões”, diz o antropólogo francês

Por: Patricia Fachin, em IHU

“Yãnomamè = (1) homem, pessoa, gente. (2) Yanomami de língua yãnomamè. (3) Língua yãnomamè.” A definição de yanomami, segundo o Dicionário Yãnomamè-Português (1987), de Loretta Emiri, escritora, poeta e fotógrafa italiana que viveu e conviveu com o povo yanomami, define também a experiência do antropólogo Bruce Albert, outro estrangeiro que, no encontro com o diferente, estabeleceu um pacto etnográfico de confiança com o xamã Davi Kopenawa Yanomami e sua família. “Aprendi tudo deles, aprendi a crescer como pessoa. Foi o primeiro lugar onde vi gente morrer, assisti a cerimônias funerárias, ajudei a fazer partos, ou seja, aprendi o fundamental da humanidade muito novo. (…) Para mim, tudo isso teve uma importância pessoal muito grande. Aprendi o que é o fundamental da vida: da vida, da morte, do perigo, da coragem, da lealdade, do humor”, relata na entrevista a seguir concedida via Teams ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Continue lendo “Povo Yanomami: “A floresta não é uma coleção de árvores, mas um universo de povos vivos”. Entrevista especial com Bruce Albert”

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Carmen Camlem Criri: “O marco temporal significa a morte dos povos indígenas”

Lideranças e representantes indígenas de todo o país se manifestam contra a tese do marco temporal; a retomada do julgamento está prevista para o dia 7 de junho

Cimi

“No passado, o povo Xokleng morava na beira do rio” lembra Carmen Camlem Criri, cacica da aldeia Kóplág da Terra Indígena (TI) Ibirama-Laklãnõ. O rio, ao qual se refere a cacica, é o Itajaí, que banhava as terras férteis que existiam na TI Ibirama-Laklãnõ antes da construção da barragem Norte. A obra realizada durante a ditadura militar, no final da década de 1970, afetou sensivelmente a vida do povo Xockleng e, de modo particular, a das mulheres. Continue lendo “Carmen Camlem Criri: “O marco temporal significa a morte dos povos indígenas””

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Caso Bruno e Dom revelou fragilidade da proteção aos indígenas

Afirmação é da presidenta da Funai, Joenia Wapichana

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Nascida em uma comunidade indígena da zona rural de Boa Vista (RR) e militante de longa data do movimento, a atual presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, acredita que o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, em junho de 2022, voltou a atrair a atenção do país e do mundo para um problema histórico: a fragilidade da proteção dos territórios indígenas de todo o Brasil, em particular da Amazônia. Continue lendo “Caso Bruno e Dom revelou fragilidade da proteção aos indígenas”

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Uma BR-319 no meio do caminho

Uma reportagem sobre uma rodovia deveria percorrer a própria extensão da estrada. Na BR-319, isso é impossível. Durante seis meses em um ano, vários trechos entre Manaus e Porto Velho ficam intrafegáveis. Pode-se culpar o inverno amazônico com suas chuvas torrenciais ou até a floresta, que há décadas engoliu o asfalto sem dó. Pode-se, sem surpresa, atribuir aos governantes o abandono da rodovia federal que só operou, de fato, por 12 anos. Inaugurada em 1976, a BR-319 não é reconstruída porque os povos que habitavam o País antes mesmo de ele ser chamado Brasil não aceitam mais deixarem de ser ouvidos. Eles resistem bravamente.

Por Leanderson Lima e Alberto César Araújo (Fotos), na  

Tapauá (AM) – Na Amazônia, estradas são sempre relacionadas a problemas ou soluções, a depender de quem esteja falando delas. O corte raso de árvores nativas para dar passagem a vias transitáveis tem trazido bem mais do que veículos para dentro da floresta. O ciclo é conhecido: primeiro o desmatamento desenfreado, acompanhado da grilagem de terras e de extensas áreas que viram pasto, o gado chega, parte e, em poucos anos, dá lugar à monocultura, na maioria das vezes, de soja. As precárias condições da BR-319 têm freado essa lógica destrutiva. Continue lendo “Uma BR-319 no meio do caminho”

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Os mitos sobre a origem do patriarcado

Por Angela Saini, na BBC Future

Em 1930, o Zoológico de Londres anunciou que iria fechar o recinto dos babuínos. O fechamento chegou às manchetes dos jornais da época. Por anos, o “Morro dos Macacos”, como era conhecido, foi o palco de cenas sangrentas de violência e mortes frequentes.

A revista norte-americana Time noticiou o incidente que foi a gota d’água para o fechamento: “George, um jovem membro da comunidade de babuínos, roubou uma fêmea pertencente ao ‘rei’, o babuíno maior e mais velho do Morro dos Macacos”. E, depois de um cerco cheio de tensão, George acabou matando a fêmea.
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A Corte Celestial: o outro marco temporal. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“Anhangá me fez sonhar com a terra que perdi” .
(Villa-Lobos. 1933. O canto do pajé).

A Suprema Corte Celestial de caráter supraétnico convocou seus ministros, representantes de diferentes cosmogonías, para julgar o outro marco temporal relativo aos não indígenas que ocuparam terras no Brasil.  Compareceram os criadores do universo de 305 povos originários e os Orixás de matriz africana, que desconstruíram as falácias dos deputados federais (depufedes) da bancada ruralista e formaram jurisprudência para orientar o Supremo Tribunal Federal (STF). Continue lendo “A Corte Celestial: o outro marco temporal. Por José Ribamar Bessa Freire”

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Abraji e organizações de liberdade de imprensa repudiam censura judicial contra The Intercept

Abraji

As organizações de defesa do jornalismo abaixo assinadas repudiam com veemência e consideram muito preocupante a decisão de uma juíza do Rio de Janeiro que determina a retirada da internet de vídeos e textos referentes à série de reportagens “Em nome dos pais”, do The Intercept Brasil. O material trata sobre injustiças cometidas contra mães e crianças em nome da Lei de Alienação Parental.

No último dia 30 de maio, o site e a autora das reportagens, Nayara Felizardo, foram notificados da decisão da juíza Flávia Gonçalves Moraes Bruno, da 14ª Vara Cível da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A magistrada concedeu liminar decidindo que a repórter e o site estavam obrigados a retirar o material de jornalismo investigativo de todas as plataformas, sob pena de multa diária. Continue lendo “Abraji e organizações de liberdade de imprensa repudiam censura judicial contra The Intercept”

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Após derrotas no Congresso, Sonia Guajajara diz que não entregará ministério de bandeja

Pòr Leandro Prazeres, da BBC News Brasil

No espaço de duas semanas, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, enfrentou sua primeira crise política como integrante do Governo Federal. E não foi uma crise qualquer.

Primeiro, o Congresso Nacional retirou, com aval do governo, a responsabilidade de sua pasta no processo de demarcação de terras indígenas. Depois, em um novo movimento, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que instituiu o marco temporal para as demarcações de terras indígenas em 5 de outubro de 1988.

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