Documentos revelam instrução formal da Casa Branca para proteger as big techs norte-americanas. No caso brasileiro, é mais grave: despacho soma-se à investigação contra o PIX e a tentativa de governar os dados nacionais. Ações ajudam a compreender por que a regulação não sai do papel
Por James Görgen, em Outras Palavras
A agência de notícias Reuters revelou nesta semana que o governo de Donald Trump emitiu uma instrução formal a seus diplomatas em todo o mundo para combater ativamente qualquer iniciativa de soberania e localização de dados adotada por outros países. O documento — um telegrama interno do Departamento de Estado datado de 18 de fevereiro e assinado pelo secretário Marco Rubio — classifica essas medidas como ameaças diretas aos serviços de inteligência artificial, à computação em nuvem e aos fluxos globais de dados. Lido isoladamente, parece mais uma nota diplomática de rotina, mesmo que bastante grave. Lido em conjunto com a investigação da Seção 301 aberta pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) contra o Brasil em julho de 2025 e com movimentos no G20 e na Organização Mundial do Comércio (OMC), a instrução revela uma estratégia coordenada e de largo espectro para impedir que nações soberanas regulem como as grandes plataformas estadunidenses tratam os dados e o conteúdo criado por seus cidadãos na internet. Continue lendo “Como Trump sabota a soberania digital brasileira”










