Por que tornou-se possível libertar Assange

Brasil, México e Austrália reivindicam sua libertação e somam peso diplomático à campanha, que até agora reunia ativistas. Ameaça dos EUA e Reino Unido ao jornalismo fica exposta. Luta precisa crescer, mas algo importante se moveu

Por Chris Hedges no Consortium News | Tradução: Maurício Ayer, em Outras Palavras

“Como prisioneiro político, mantido para o prazer de Vossa Majestade em nome de um constrangido soberano estrangeiro, tenho a honra de residir entre os muros desta instituição de classe mundial. Na verdade, vosso reino não conhece fronteiras.”

Com essas palavras, a incômoda presença de um fantasma das masmorras do reino se fez sentir como uma gélida brisa em meio à coroação de Carlos III da Inglaterra, no último dia 6 de maio. O trecho citado é parte da carta endereçada por Julian Assange a Sua Majestade, naturalmente embebida em ironia, em que convida o rei a conhecer a prisão de Belmarsh, onde se encontra em solitária enquanto aguarda julgamento de um pedido de extradição dos EUA. Assange buscou em O mercador de Veneza as palavras do bardo de Stratford para sensibilizar o soberano que o mantém sob custódia: “A qualidade da misericórdia não é forçada. Ela cai como a chuva suave do céu sobre os baixios”. Continue lendo “Por que tornou-se possível libertar Assange”

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Pochmann: A ladeira social no Brasil

No pós-golpe, a quantidade de miseráveis dobrou e a de pobres cresceu 23%. Laços de civilidade foram rompidos — e identidades coletivas, embaralhadas. Enfrentar esta barbárie requer nova concepção de seguridade diante dos dilemas da Era Digital

por Marcio Pochmann, em Outras Palavras

A infraestrutura econômica sobre a qual as classes e frações de classes sociais no Brasil se estruturam sofreu uma profunda derrocada desde a segunda metade da década passada. O aprofundamento da estagnação secular que se abate no país de longa data produziu generalizado rebaixamento no padrão de vida, salvo a exceção de sempre, representada por minoria de super-ricos, poderosos e privilegiados. Continue lendo “Pochmann: A ladeira social no Brasil”

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Safatle: As lições que vêm do Chile

História recente do país mostra: a ultradireita capitaliza sujeitos reativos enquanto esquerda aposta na conciliação. Arrogância de insistir em pautas justas, mas sem conexão com as maiorias, pode frustrar qualquer rebelião popular

Vladimir Safatle, em entrevista à Cult

Na votação para formar uma nova assembleia constituinte no Chile, ocorrida no último domingo (7/5), a direita obteve 34 dos 51 assentos, garantindo maioria no processo para redigir uma nova Carta Magna. Continue lendo “Safatle: As lições que vêm do Chile”

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A população de rua também quer o SUS

Em conferência livre, essa parcela de brasileiros teve a oportunidade de dizer o que pode ser feito para que seja recebida com dignidade pelo Sistema. Consultórios na Rua são política consistente, mas precisam ser melhor disseminados pelo país

por Gabriel Brito, em Outra Saúde

As conferências livres de saúde seguem acontecendo país afora. São essas etapas municipais e estaduais que produzem as milhares de propostas que serão entregues em seu ponto culminante: a 17ª Conferência Nacional de Saúde, marcada para acontecer entre 2 e 5 de julho em Brasília. Continue lendo “A população de rua também quer o SUS”

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Onde ficam os umbigos do mundo?

Para lançar o livro de Francy Baniwa, o fogo ressurgiu no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Desta vez para acolher memórias em 12 horas de vigília multicultural conduzidas por Ailton Krenak, Glicéria Tupinambá, Catarina Guarani, Idjahure Kadiwel e muitas outras vozes. Quem viveu jamais esquecerá

por CRISTIANE FONTES, em Sumaúma

“Chego nessa fase de trazer as palavras deles para vocês conhecerem, entenderem nosso mundo, como somos, e o porquê das danças, o porquê das curas, o porquê do benzimento, o porquê das aves serem como são, o porquê do ser humano ser assim.” Continue lendo “Onde ficam os umbigos do mundo?”

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Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais realizam Encontro para discutir violações do estado

Seminário discutirá medidas e empreendimentos que impactam territórios tradicionais no estado

José Odeveza, na Terra de Direitos

Diante das diversas violações contra os direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais pelo estado de Minas Gerais, movimentos se unem na realização do “Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais: em defesa dos territórios e do Direito de Consulta Prévia, Livre, Informada, Consentida e de Boa-fé”, entre os dias 19 e 21 de maio em Ribeirão das Neves – MG. O evento é promovido por diversas entidades, Povos e Comunidades Tradicionais do estado, que têm se articulado em rede pela defesa do Direito de Consulta de Povos e Comunidades Tradicionais garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outras legislações brasileiras. Continue lendo “Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais realizam Encontro para discutir violações do estado”

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Justiça reitera ordem para demarcação de terra indígena no Acre

Funai deverá informar em que estágio se encontra o processo

Por Agência Brasil

A Justiça Federal do Acre voltou a determinar que seja dado andamento à demarcação da Terra Indígena Manchineri do Seringal Guanabara/Jaminawa do Guajará, na região hoje conhecida como Riozinho Iaco, que teve seu processo de identificação iniciado há cerca de 20 anos. Continue lendo “Justiça reitera ordem para demarcação de terra indígena no Acre”

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A trincheira da democracia política. Por Tarso Genro

Gabriel Boric enfrenta a primeira grande crise política e de gestão do Estado, pela esquerda, na América do Sul

em A Terra é Redonda

O anjo da história do quadro de Paul Klee, citado por Walter Benjamin, olha o passado e vê destruição e guerras, mas no futuro ele vê o esfuziante progresso e a esperança. O endereço do Presidente Gabriel Boric em Santiago é quase uma metáfora da sua situação política no Chile: orfandade, liberdade e esperança. Gabriel Boric reside na rua Huérfanos, situada entre as ruas Libertad e Esperanza. Continue lendo “A trincheira da democracia política. Por Tarso Genro”

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Baixo orçamento, culpa terceirizada: como a Funai de Bolsonaro respondia à crise Yanomami. Por Rubens Valente

Documentos de 2018 a 2022 revelam que a invasão garimpeira foi seguidamente alertada, mas não enfrentada

Na Agência Pública

Documentos produzidos pela Funai revelam a debilidade das respostas do órgão de proteção aos direitos indígenas dos governos de Jair Bolsonaro (2019-2022) e de Michel Temer (2016-2018) a uma série de cobranças e denúncias feitas por diferentes órgãos, parlamentares e entidades a respeito da invasão garimpeira, da desnutrição e das doenças na Terra Indígena Yanomami. Os papéis, que somam 592 páginas em 86 documentos, foram entregues no mês passado pela Funai à deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) por meio da Lei de Acesso à Informação. Outras 1.345 páginas também liberadas pela Funai são cópias de ações e inquéritos abertos pelo MPF (Ministério Público Federal) para cobrar medidas do governo. Continue lendo “Baixo orçamento, culpa terceirizada: como a Funai de Bolsonaro respondia à crise Yanomami. Por Rubens Valente”

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Justiça determina que Funai crie grupo de trabalho para acelerar demarcação de terras indígenas em Rondônia

Indígenas Guarasugwe sofreram processo de extermínio ao longo dos anos que os levou à dispersão. Processo na Funai está parado há oito anos

Ministério Público Federal em Rondônia

Atendendo pedido do Ministério Público Federal (MPF) na ação civil pública 1002051-40.2022.4.01.4103, a Justiça Federal em Vilhena (RO) determinou à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) a criação, em até 60 dias, de um grupo de trabalho para elaborar um Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação das terras dos povos indígenas Guarasugwe, em Pimenteiras do Oeste (RO). A medida será importante passo para acelerar o processo de demarcação, que está praticamente parado há mais de oito anos na Funai. Continue lendo “Justiça determina que Funai crie grupo de trabalho para acelerar demarcação de terras indígenas em Rondônia”

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