Por Halley Margon, em Terapia Política
Política é magia. Quem sabe invocar as forças das profundezas, a este seguirão.”
Hofmannsthal citado por Carl E. Schorske em Viena Fin-de-Siécle
Tanto quanto o Estado e a política moderna, nós, os cidadãos que legitimamos esse Estado e essa política, somos filhos do Iluminismo. Mesmo que já um tanto quanto descrentes, seguimos nos esforçando para acreditar na razão e na racionalidade como guias de conduta e da vida em sociedade, na palavra como mecanismo do pacto que vigia as paixões e os comportamentos e negocia as possibilidades de mudanças (apesar de tudo e meio insensatamente, mantemos a fé na ideia de progresso e avanço da vida social) e garante a convivência entre as diferenças – mesmo as mais absurdas e injustas. Longínquos talvez, renitentes, mas ainda assim, herdeiros de uma tradição básica. Quem sabe apenas para podermos dormir sem temer que vençam as sombras: sempre à espreita, prontas para capturar nossas ações e conduzir nossas vontades. Continue lendo “A recalcada raiva do homúnculo”