Eleições 2022 em debate. “As urnas confirmam que o Brasil deixa de ser um país capitalista emergente e se firma como país de capitalismo subalterno e dependente”

Nas entrevistas a seguir, pesquisadores analisam o resultado das eleições e a penetração das forças de esquerda e direita na sociedade brasileira

Por: Joao Vitor Santos, em IHU

Uma leitura possível para o resultado do primeiro turno das eleições 2022, especialmente considerando o quadro do legislativo, é de que, se 2018 o bolsonarismo eclode no cenário político nacional, em 2022 mostra sua força e coesão. A análise é de Moysés Pinto Neto, na entrevista a seguir, concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Ele observa que nem a fome e nem tragédia da pandemia foram capazes de arrefecer esse grupo. Pelo contrário, são os dissidentes que levaram a pior nas urnas. “O que prova a força de Bolsonaro é a fidelidade que ele exige e é cumprida pelo séquito, capaz de suportar todas as rupturas e ostracizar quem quer que seja, Janaina, Joyce, MBL, até Moro, que só foi eleito porque se bolsonarizou durante a campanha. Ao mesmo tempo, todos os nomes-chave do movimento, Salles, Damares, Pazuello, Mourão, Mario Frias, todos foram eleitos”, analisa. Continue lendo “Eleições 2022 em debate. “As urnas confirmam que o Brasil deixa de ser um país capitalista emergente e se firma como país de capitalismo subalterno e dependente””

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Lula lá? Vitória progressista e direita subterrânea. Por Pablo Stefanoni

“O resultado eleitoral da coalizão civilizadora organizada para deter o aviltamento da política e da própria sociedade deixou um gosto amargo. Sua votação, que tem muito de reivindicação pessoal, foi o resultado da capacidade do ex-presidente [Lula] em tecer acordos, com o pragmatismo que já o acompanhava em seus dois mandatos anteriores, e de sua vontade de se mostrar absolvido pela História. Contudo, o bolsonarismo mostrou que também é uma força subterrânea”, escreve Pablo Stefanoni, jornalista e historiador, em artigo publicado por Nueva Sociedad, Outubro/2022. A tradução é do Cepat.

IHU

Jair Messias Bolsonaro não pôde ser retirado da cadeira presidencial e do Palácio do Planalto no primeiro turno pela rebelião eleitoral contra seu governo prevista pelas pesquisas. O resultado de Luiz Inácio Lula da Silva ficou dentro do esperado, com mais de 48,4% dos votos, mas o atual presidente superou todas as previsões e obteve 43,2% e mostrou que o bolsonarismo é um osso duro de roer. Continue lendo “Lula lá? Vitória progressista e direita subterrânea. Por Pablo Stefanoni”

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A desmobilização oportuna. Por Bruno Cava

“Não dá pra tapar o sol com a peneira, algo está dando muito errado nas estratégias e discursos que, até ontem, pareciam viver num mundo encantado, de volta da maré rosa progressista dos anos 2000”, escreve Bruno Cava em artigo publicado por Rede Universidade Nômade 

IHU

O mais grave é negar a realidade e seguir negando a realidade. Quem quer motivação ou “good vibes”, por favor, encaminhar-se à conta do tuíter do Felipe Neto, que ele faz melhor do que os analistas-ideólogos. Quem quer cacos ideológicos para reagrupar a narrativa, favor dirigir-se aos meios petistas, que eles já estão confeccionando os produtos. Continue lendo “A desmobilização oportuna. Por Bruno Cava”

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Por que a esquerda brasileira tem motivos para comemorar

Apesar de ver frustrada esperança de vitória de Lula no primeiro turno e assistir a uma nova onda de direita no Legislativo, esquerda recuperou terreno e obteve conquistas como a eleição de mulheres indígenas e trans

por Jean-Philip Struck, em DW

Apesar de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ter vencido no primeiro turno neste domingo (02/10), algo que pesquisas apontaram que tinha chance de acontecer, e de uma nova onda de direita no Legislativo, a esquerda brasileira tem motivos para comemorar. Continue lendo “Por que a esquerda brasileira tem motivos para comemorar”

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Seis perspectivas sobre o resultado das urnas

Bolsonaro ganhou capilaridade, mas perdeu força em grandes centros, taxa de mortalidade por covid-19 não influiu em sua votação, e eleitor fez neste ano opções mais ideológicas, avalia pesquisador do Cebrap

por Bruno Lupion, em DW

O resultado das eleições de domingo (02/10) foi recebido com surpresa por parte dos eleitores e da imprensa. Bolsonaro teve um percentual de votos superior ao que previam as pesquisas e a extrema direita teve um desempenho marcante também para o Legislativo. Continue lendo “Seis perspectivas sobre o resultado das urnas”

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Por que a Saúde precisa que Lula seja eleito

Para Outra Saúde, a eleição do candidato petista é o único caminho para que o SUS possa ser recuperado e reconstruído. Em entrevista, Rosana Onocko, presidente da Abrasco, ajuda a refletir sobre os rumos para uma Saúde mais igualitária

Por Gabriel Brito, em Outra Saúde

Rosana Onocko-Campos em entrevista a Gabriel Brito

O Brasil enfrentará, nos próximos 26 dias, um dos períodos mais decisivos da sua história. A extrema direita está fortalecida no Congresso Nacional e Jair Bolsonaro, embora com desvantagem de mais de 5 milhões de votos, não está derrotado. Outra Saúde, veículo parceiro da Frente pela Vida, reforça sua posição: a única maneira de evitar um desastre é eleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente. Continue lendo “Por que a Saúde precisa que Lula seja eleito”

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A angústia de meu neto ao telefone. Por Luiz Eduardo Soares

Em meio à contagem de votos, recebo a ligação: “E agora, vô? O que será desse país? O que fazer?” A comunicação é difícil e ambos estávamos muito comovidos. Mas ele estava na rua… e seu desespero se converteu em minha esperança

Outras Palavras

Este relato é uma homenagem a meu neto Antonio Tostes, cujo desespero me devolveu a esperança. Dia 2 de outubro, noite cerrada, contagem de votos apertada, TVs, internet, celulares conectados, decepções aos borbotões, a família reunida em torno da fogueira das ilusões, abismada ante o risco de que se fechasse sobre nós a boca do inferno. E a procura em zigue-zague de explicações e perspectivas. Perto do desfecho melancólico, a ligação do neto. Antonio estava na praça, preparando a festa. Ficar em casa numa noite dessas é coisa de velho. Ele precisava de todo espaço do mundo e mais algumas léguas porque o futuro é imenso. Vô, ele diz, e agora, vô, o que aconteceu, vô, o que tá acontecendo, o que será desse país, o que nós vamos fazer, como é possível isso, não consigo mudar a cabeça de alguém que prefere isso, vô, ninguém consegue mostrar a realidade a quem não quer ver. E agora, vô? O que é que a gente vai fazer? Vô, fala a verdade: a gente ainda tem alguma chance? Continue lendo “A angústia de meu neto ao telefone. Por Luiz Eduardo Soares”

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Amor de urna não vinga

“Mãe, vou votar no Lula, o Bolsonaro é mau”, disse meu filho, replicando a exiguidade do debate político em 2018. Surgiu uma esquerda reativa, que acua a si mesma. Precisaremos ir até as entranhas desse processo, se quisermos sair desta encruzilhada

Por Veridiana Zurita, em Outras Palavras

“Mãe, vou votar no Lula”. Enquanto assistia o último episódio de uma série qualquer de super-heróis, a criança justificou “o Bolsonaro é mau, o Lula é o único que pode derrotar ele”. O dualismo simplista daquela fala me tombou, mas no final das contas era real. É real. A limitrofia do debate político nessas eleições chegou a tal ponto que a percepção infantil replica a narrativa do vilão e mocinho, produzida na tela e fora dela. Tudo o que nos resta é tirar Bolsonaro, pra poder respirar. Precisei ser pedagógica com meu filho. Explicar o voto em uma candidata da esquerda radical pareceu impossível. Provavelmente impossível pra mim mesma, diante da realidade do momento. Perdão Sofia, não tive a radicalidade que desejava pra votar em você. Meu voto foi pro Lula sem nenhum entusiasmo, mas foi. Voto decidido na última hora. Literalmente engasgado até o exato momento de apertar 13. Ver a cara do Alckmin na tela, deu pavor, tremedera. De novo um susto que a realidade desse momento nos dá, titubeei. Talvez cancelar? Não dá tempo, confirmei. Continue lendo “Amor de urna não vinga”

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Aliados de Trump fazem campanha nas redes para Bolsonaro e espalham mentira sobre fraude

Steve Bannon e outros publicaram que as eleições brasileiras foram fraudadas

Por Laura Scofield, em Agência Pública

O 1º turno das eleições presidenciais ocorreu ontem (02) sem nenhuma intercorrência ou denúncia concreta de fraude eleitoral, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com 99,99% das urnas apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) seguem para o 2º turno, que será decidido em 30 de outubro. Porém, para ideólogos da extrema-direita norte-americana, os resultados soaram “estranhos”. Continue lendo “Aliados de Trump fazem campanha nas redes para Bolsonaro e espalham mentira sobre fraude”

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Eleições 2022: Bancada Indígena traz mulheres à frente da luta contra a política anti-indígena

Em votação histórica, estados de SP e MG elegem Sônia Guajajara e Célia Xakriabá como representantes do levante dos povos originários no País

Resultado histórico para o movimento indígena, a eleição de duas candidatas indígenas à Câmara Federal marca um novo momento da política nacional com maior representatividade de povos tradicionais e possibilidade de estabelecimento de novos marcos para a cultura de formulação das políticas que ditam os rumos do País. Continue lendo “Eleições 2022: Bancada Indígena traz mulheres à frente da luta contra a política anti-indígena”

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