O ataque à democracia é constante no discurso de Bolsonaro, mas as condições para a sua consumação já não existem. Por isso é fundamental insurgir-se contra o medo paralisador – e levar esperança a quem dela mais precisa
Por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras
Os processos eleitorais, mesmo quando muito intensos, como aconteceu recentemente na Colômbia (eleição do primeiro presidente de esquerda na história do país e da primeira vice-presidente negra na história da América Latina) e no Chile (rejeição do projeto da nova Constituição que substituiria a atual, herdeira da ditadura de Pinochet), não costumam atingir o nível de drama existencial que a democracia brasileira vive atualmente. Esse drama resulta da ameaça que paira sobre a sobrevivência da própria democracia, uma ameaça que decorre das declarações e mobilizações públicas do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, pondo em causa a transparência do escrutínio eleitoral, fazendo a apologia de um possível golpe de Estado, com apelos às Forças Armadas para intervir e suspender ou encerrar as instituições democráticas, nomeadamente o Supremo Tribunal Federal, um dos principais garantes da normalidade democrática no atual contexto. Continue lendo “Boaventura: Contra o golpe do medo”