“A lei de cotas é um desdobramento de uma longa luta das organizações negras”

EPSJV/Fiocruz

Em 2022 completam-se dez anos da lei 12.711/2012 que instituiu um programa de reserva de vagas para alunos egressos das escolas públicas, pessoas pardas, pretas, indígenas e, a partir de 2016, pessoas com deficiência. Em balanço da política, o presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cleber Santos Vieira, comenta a importância da lei como vetor de transformação no perfil discente das instituições. Uma transformação que caminhava já antes da lei ser aprovada, uma vez que a maioria das universidades federais já adotava alguma ação afirmativa para inclusão de alunos vindos de escolas públicas, indígenas, negros e pardos. Desde 2014, os graduandos das universidades públicas vêm em sua maioria de escolas públicas (60%) e de famílias com renda de até 1,5 salários-mínimos por pessoa (70%). Os dados são de 2018, sistematizados por uma das pesquisas mais abrangentes sobre o tema, realizada pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Estudantis da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Fonaprace/Andifes). No entanto, o historiador pontua a falta de monitoramento da política pública e os desafios de permanência dos estudantes, que vão além da necessidade de custeio financeiro. Continue lendo ““A lei de cotas é um desdobramento de uma longa luta das organizações negras””

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Pela terceira vez em cinco meses, tiros são disparados contra Acampamento Marielle Vive, em SP

De dentro de um carro, um homem alvejou a portaria da ocupação do MST em Valinhos (SP), onde vivem 450 famílias

Gabriela Moncau, Brasil de Fato

Por volta das 23h50 desta quarta-feira (17), segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um homem fez disparos de arma de fogo de dentro de um carro na direção da portaria do Acampamento Marielle Vive. A ocupação, onde vivem cerca de 450 famílias, fica em Valinhos, município do interior paulista conhecido por seus condomínios de luxo. Continue lendo “Pela terceira vez em cinco meses, tiros são disparados contra Acampamento Marielle Vive, em SP”

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Vão-se os bois, ficam os danos

Moradores de Aurora do Tocantins, onde o rebanho bovino é maior do que a população, nem sempre têm acesso à carne vermelha, mas precisam lidar com impactos ambientais

Por Giullia Vênus, em Agência Pública

Nas margens do rio Sobrado, a chácara Curva do Rio Presente de Deus Família Feliz, no município de Aurora do Tocantins (TO), é cercada por terras de grandes fazendeiros produtores de gado que chegaram principalmente a partir da década de 1980. A família de nove pessoas que vive ali, numa pequena propriedade, se sustenta trabalhando nos abates. Os miúdos ganhos no corte da carne bovina das grandes fazendas são, muitas vezes, o alimento disponível para eles. Continue lendo “Vão-se os bois, ficam os danos”

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Democracia por um fio. Por Boaventura de Sousa Santos

Blog da Boitempo

Vivemos tempos paradoxais. Durante muito tempo depois da Revolução Francesa, as forças políticas de esquerda foram as mais relutantes em aceitar os limites da democracia liberal. Para vastos e respeitáveis setores de esquerda, a democracia liberal era um regime desenhado para favorecer os interesses das elites e das classes dominantes. Pese embora o fraseado inclusivo (“nós, o povo”, “governo da maioria para benefício da maioria”), a verdade é que os mecanismos tradicionais da exclusão social (desigualdade social, racismo, sexismo) continuavam a reproduzir-se sob fachada democrática. A divisão a este respeito entre as forças de esquerda chegou a ser dramática e, de fato, causou feridas que até hoje não se curaram. Para uns, socialistas e socialdemocratas, esses limites eram ultrapassáveis, mas, para o serem, era necessário entrar no jogo democrático liberal e aceitar transformações parciais progressivamente mais avançadas. Para outros, comunistas e socialistas revolucionários, tais limites eram inultrapassáveis e, de duas uma, ou se inventava outro modelo de democracia verdadeiramente inclusivo ou se recorria à revolução, com o (eventual) recurso às armas. No rescaldo das revoluções de 1848, a divisão pareceu resolvida a favor da democracia liberal. Mas foi sol de pouca dura. A Comuna de Paris de 1871 e a Revolução Russa de 1917 vieram dar nova vida à opção entre democracia liberal e democracia não liberal (radical, direta) ou revolução. O século XX foi um período de tensão permanente entre estas opções, com intensidades diferentes nas diferentes regiões do mundo. Os próprios movimentos de libertação anticolonial viveram essa divisão. Depois do colapso da União Soviética (1989-1991), voltou-se a acreditar que a divisão tinha de novo sido superada pela vitória, agora irreversível, da democracia liberal.  Em que consiste, pois, o paradoxo? Continue lendo “Democracia por um fio. Por Boaventura de Sousa Santos”

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O major Curió e o caráter perverso da ditadura militar. Por Jacques Távora Alfonsin

É costume consagrado e respeitoso o de nada se dizer do mal que pessoas já falecidas praticaram, já que elas não podem mais se defender. No caso do major Curió, porém, falecido no dia 17 deste agosto, é lícito abrir-se uma exceção, por três razões principais: a primeira, pela simples e necessária fidelidade devida à história do Brasil, que as Comissões da verdade revelaram sobre o que ele fez de muito ruim, colocando os seus serviços a toda a sorte de atrocidades que as Forças Armadas do país praticaram desde o golpe de Estado de 1964,  por elas executado; a segunda, pelo exemplo a ser seguido por qualquer brasileira ou brasileiro, pelo brio, a coragem, a determinação das vítimas que resistiram, algumas até ao sacrifício da própria vida, ao poder da atuação violenta e repressora que esse cidadão colocou em prática contra os seus próprios conterrâneos; a terceira, pela extraordinária urgência com que, nos dias de hoje, a democracia, o Estado de direito e a cidadania estão correndo o risco de serem outra vez sacrificadas  pelo ressurgimento da mesma inspiração “bélica”, armada, odienta, que motivou o golpe anterior, dividindo o povo, mesmo a custa das mesmas mentiras. O major Curió encarnou essa inspiração, do tipo que monopoliza o que entende por bem, para poder demonizar quem quer que ouse contrariá-la, como o mal. Continue lendo “O major Curió e o caráter perverso da ditadura militar. Por Jacques Távora Alfonsin”

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O Brasil voltará a ser o país do futuro?

Após despontar como um dos mais promissores do mundo, país teve década perdida, marcada por crise econômica e política e retrocessos sob Bolsonaro. Eleições mostrarão se o Brasil quer continuar andando para trás

por Philipp Lichterbeck, em DW

No final de 2012 cheguei ao Brasil como correspondente. Queria escrever sobre a nação que então era considerada a mais empolgante do mundo. O Brasil era o “país do futuro”, que finalmente florescia para se tornar uma potência política e econômica. Continue lendo “O Brasil voltará a ser o país do futuro?”

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Roberto Liebgott: “Coisa ruim, um monstro de cabeça coroada de chifres com cinco pernas”

Roberto Liebgott, coordenador do Cimi, faz uso de metáforas para explicar antipolítica indigenista do governo brasileiro

Cimi

A antipolítica indigenista do governo brasileiro foi planejada e executada pelo coisa ruim, um monstro de cabeça coroada com chifres, sobre um corpo de cinco pernas e patas cheias de garras afiadas. Continue lendo “Roberto Liebgott: “Coisa ruim, um monstro de cabeça coroada de chifres com cinco pernas””

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Como agregar as várias cidadanias deste país? O desafio de criar um imaginário mobilizador. Entrevista especial com Cândido Grzybowski

“As soluções dominantes que estão no ar não servem para nada”, afirma o ex-diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – Ibase ao comentar os desafios políticos contemporâneos

Por: Patricia Fachin, em IHU

A leitura da “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!” na quinta-feira, 11-08-2022, foi “uma novidade a saudar” no sentido que é uma manifestação da ação cidadã, disse Cândido Grzybowski. Entretanto, adverte, é preciso mais do que atos desse tipo. “Felicito o ato de leitura da carta pública porque mostra que está preocupado com a situação do país, mas isso tem que ser mais do que uma declaração pela institucionalidade democrática. Nós precisamos de muito mais. Se olhar bem, a conciliação de classe que nos levou a isso aí está embutida na Constituição de 88 e esse é o câncer que temos: que para governar tem que ser conciliador, quando, na verdade, para governar, temos que fazer certas rupturas”, observa. Continue lendo “Como agregar as várias cidadanias deste país? O desafio de criar um imaginário mobilizador. Entrevista especial com Cândido Grzybowski”

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Deus e o Diabo na eleição. Por Julian Rodrigues*

O bolsonarismo coloca o tema da religião no centro da disputa: além de ataque à laicidade do Estado, uma armadilha para a esquerda

em A Terra é Redonda

“Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo. (…) O diabo existe e não existe. Dou o dito. (…) E essas melancolias. O diabo não há! (…) Existe é homem humano.” (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas)

“Please allow me to introduce myself; I’m a man of wealth and taste; I’ve been around for a long, long years;stole million man’s soul and faith; stuck around St. Petersburg when I saw it was a time for a change; killed csar and his ministers; Anastasia screamed in vain”. (Mick Jagger e Keith Richards, Simpathy for the Devil)

Um espectro ronda as eleições brasileiras. Não é o espectro do comunismo, suposta ameaça terrível – que voltou a integrar com destaque o repertório do pânico moral impulsionado pela extrema direita. Nos últimos dias, inusitadamente, temos visto é o velho e bom Capiroto (o próprio Belzebu mesmo em si) virar grande tema de debate nessa contenda eleitoral – que opõe o ex-presidente-metalúrgico ao ex-milico fascistóide-presidente de plantão. Continue lendo “Deus e o Diabo na eleição. Por Julian Rodrigues*”

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MapBiomas: queimadas crescem na Amazônia e explodem no Pampa

ClimaInfo

Novos dados lançados nesta 5ª feira (18/8) pelo MapBiomas mostram um aumento preocupante das queimadas no bioma Pampa nos primeiros sete meses de 2022. Entre janeiro e julho, 28.610 hectares de vegetação foram queimados no sul do Brasil, uma explosão de mais de 3.370% em relação ao mesmo período no ano passado. A Amazônia também registrou crescimento da área queimada neste ano: no mesmo período, o fogo queimou 1.479.739 hectares, um aumento de 7% em relação aos sete primeiros meses de 2021. Continue lendo “MapBiomas: queimadas crescem na Amazônia e explodem no Pampa”

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