Assassinato de Bruno e Dom ocorre em meio à destruição da FUNAI

Análise traz contexto de violência e ameaças contra direitos indígenas e faz parte de uma série que será publicada sobre o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips

Por Janelson Ferreira*, na Página do MST

Na noite desta quarta-feira (15), foram confirmadas as mortes do indigenista Bruno Pereira, 41 anos, e do jornalista Dom Phillips, 57 anos. A Polícia Federal informou que Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, confessou o assassinato de ambos. O homem está detido pela polícia desde o último dia 7. 

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PGR anuncia reestruturação do MPF para enfrentar o crime na região onde indigenista e jornalista foram assassinados

Em Tabatinga, Augusto Aras presta solidariedade às famílias de Bruno e Dom e defende união de instituições para evitar novas violações

“Eu volto a Brasília disposto a mover as instâncias do Estado para a defesa da Amazônia e seus cidadãos, sejam eles indígenas isolados ou não”. A afirmação é do procurador-geral da República, Augusto Aras, e foi dada neste domingo (19) em Tabatinga (AM), onde o chefe do Ministério Público brasileiro participou de reuniões para tratar dos desdobramentos do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips. A comitiva com representantes da Administração Superior do MPF se reuniu com lideranças indígenas, procuradores da República lotados no estado, além de autoridades estaduais e federais com atuação na região e responsáveis pela investigação do caso.

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Incra diz que pagou R$ 147 milhões a mais ao desapropriar gleba dos Dallagnol

Pai, tios e primos do ex-procurador da Lava Jato estão entre os donos de 17 fazendas investigadas pela autarquia; cálculo leva em conta as sobreposições de terras e questiona a divisão dos imóveis, em meio à ocupação por posseiros e ao desmatamento

Por Leonardo Fuhrmann e Alceu Luís Castilho*, em De Olho nos Ruralistas

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tenta reverter na Justiça Federal a homologação dos acordos para a desapropriação de terras da Gleba Japuranã, em Nova Bandeirantes (MT). Em sua fundamentação, apresenta um cálculo que aponta um sobrepreço de mais de R$ 147 milhões no valor que está sendo pago.

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Incra cobra de pai de Dallagnol a devolução de R$ 8 milhões aos cofres públicos

Em ação na Justiça Federal em Mato Grosso, autarquia questiona valor pago por 2 mil hectares em Nova Bandeirantes (MT), onde pai do ex-procurador da Lava Jato tinha um latifúndio improdutivo e desmatado; suspeitas vão de corrupção de funcionários a grilagem 

Por Leonardo Fuhrmann e Alceu Luís Castilho*, em De Olho nos Ruralistas

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cobra, em uma ação protocolada na Justiça Federal no Mato Grosso em 2020, R$ 8 milhões do procurador de Justiça aposentado do Paraná Agenor Dallagnol. Agenor é pai do ex-procurador da República Deltan Dallagnol, que foi coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba. Para colocá-lo na condição de réu perante a Justiça Federal, o Incra sustenta que o valor da indenização, pela desapropriação da Fazenda Guapé, de pouco mais de 2 mil hectares, em Nova Bandeirantes (MT), foi inflado de maneira irregular.

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Agricultor é atacado com terçado nas costas em assentamento no Pará

Vítima e outras duas pessoas foram abordadas por grupo de sete homens armados com facões. Caso foi registrado na delegacia. MPF diz que vai investigar o caso dentro inquérito sobre o conflito agrário.

G1 Pará / CPT

Três trabalhadores rurais afirmam ter sido intimidados por sete homens armados com terçados no Assentamento Agroextrativista Ilha dos Carás, em Afuá, na região do Marajó, no Pará. Uma das vítimas foi atingida com um facão nas costas e ficou ferida.

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Processo de desintrusão da Terra Indígena Krikati ganha força após pedido de liminar do MPF/MA

O pedido de liminar foi protocolado após envio de ofício do Cimi, com relatório elaborado pelas lideranças do povo Krikati, a partir do monitoramento ambiental realizado por eles

POR JESICA CARVALHO, ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI REGIONAL MARANHÃO

Em junho, geralmente, na região Sudoeste do estado do Maranhão, os dias amanhecem com neblina. No decorrer do dia, o sol intensifica seus raios e o vento forte acalma o calor constante. Neste clima ameno, mais um passo para vida em liberdade e garantia do Bem Viver foi dado pelo povo Krikati.

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“Ainda reina na Amazônia a impunidade”, diz procurador-regional da República Felício Pontes

Procurador mostra como um modelo predatório e um processo de desmonte dos órgãos públicos levou ao desmatamento de um quarto da Amazônia e à matança de ativistas

Por Carlos Alexandre de Souza, Ana Dubeux, Ana Maria Campos, no Correio Braziliense

O problema da Amazônia não é sua imensidão geográfica. Também não são os recursos financeiros — ou a falta deles. O retrato de uma floresta desmatada, que se tornou um foco de crimes em série, como o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, foi pintado por governos brasileiros, que, ao longo dos anos, impuseram um modelo predatório para a Amazônia e, mais recentemente, o desmonte de órgãos públicos.

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O rabino Uri Lam fez uma kadish – prece pelos mortos, na tradição judaica – com a música indígena que viralizou na voz de Bruno

No Brasil 247

O vídeo de uma celebração judaica num templo de São Paulo ganhou repercussão nas redes sociais neste sábado (18) pela beleza da homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips. Durante reza no Templo Beth-Ei, como forma de lembrar os dois, o rabino Uri Lam fez uma kadish – prece pelos mortos, na tradição judaica. Na oração, ele cantou a música indígena entoada por Bruno em vídeo que viralizou nas redes sociais depois de sua morte. 

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Atos pelo Brasil cobram justiça por Bruno, Dom e Maxciel e pedem saída de presidente da Funai

Por Gabriela Moncau, no Brasil de Fato

“Funai anti-indígena”; “Fora Xavier”; “Basta de ataques aos direitos indígenas”; “Contra o genocídio”. Os cartazes levantados neste sábado (18) no MASP, em São Paulo, marcam o primeiro de um calendário de protestos agendados pelo país, reivindicando justiça pelo indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips.  

Cerca de 100 pessoas compareceram ao ato na av. Paulista, convocado pela associação de servidores da Funai (INA – Indigenistas Associados), o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal de São Paulo (Sindsef-SP) e a CSP Conlutas. Indígenas do povo Guarani Mbya estiveram entre os presentes.  

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Dom e Bruno: Amazônia, sua linda! Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

Quero sua risada mais gostosa / Esse seu jeito de achar /
Que a vida pode ser maravilhosa (Ivan Lins. Vitoriosa. 1986).

Onde está o indigenista Bruno Araújo Pereira, 41 anos, paraibano de nascimento, amazônida por adoção? A cena é paradisíaca. Cercado por árvores no meio da floresta, ele está entoando um canto em katukina, língua dos Kanamari: 

– Wahanararai wahanararai, marinawah kinadik marinawah kinadik; tabarinih hidya hidyanih, hidja hidjanih

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