A morte de Dom e Bruno, o crime organizado e a perda de território

Por Vladimir Passos de Freitas, na Conjur

No dia 5 de junho passado, o jornalista inglês Dom Phillips desapareceu com o indigenista brasileiro Bruno Pereira, nas proximidades da comunidade ribeirinha São Rafael e da cidade de Atalaia do Norte, no Vale do Javari, oeste do estado do Amazonas.

Dom praticava o jornalismo investigativo, modalidade que se caracteriza pela tentativa de descoberta de fatos misteriosos, via de regra envolvidos com a prática de crimes, faltas administrativas graves e corrupção de autoridades e servidores públicos. Bruno era servidor da Funai, da qual estava licenciado, e exercia as atribuições de consultor da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari.

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Amarildo é parte de esquema ligado a tráfico de armas e de drogas, que gira em torno de um homem apelidado de Colômbia

Amarildo da Costa Oliveira cresceu em família de pescadores e atirava contra indígenas que tentavam expulsá-lo de reserva no Javari

Por Vinícius Valfré, enviado especial do Estadão, no Terra

No mercado de Benjamin Constant, no extremo oeste do Amazonas, moradores não se arriscam a dar informações sobre Amarildo da Costa Oliveira, de 41 anos, matador confesso do indigenista Bruno Pereirae do jornalista Dom Phillips. Ao ser preso, “Pelado”, como é conhecido, se descreveu como um “homem simples” e “arrependido” pelo duplo homicídio que impactou o mundo. Não há registros policiais envolvendo o nome dele no último um ano e meio, período disponível para consulta. As Polícias Civil e Federal e os indígenas, contudo, têm informações de inteligência de que ele está longe de ser um pescador pacato do Vale do Javari. Pelado é suspeito de integrar uma extensa rede criminosa que vai além do comércio de pirarucus e outras espécies raras de peixes. Seu esquema tem ligações diretas com o tráfico de armas e de drogas.

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Líder de pescadores acusa mídia de “sensacionalismo” e deputado fala em “fato isolado”

Em reunião com cerca de 100 famílias e presença de deputado, representantes de colônias e sindicalistas se queixam de que pescadores estão sendo vistos como “bandidos”

Por Rubens Valente, José Medeiros, na Agência Pública

Em meio à comoção provocada pelo assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, líderes de pescadores se reuniram neste sábado (18) no ginásio de esportes no centro de Atalaia do Norte (AM) com o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) e fizeram críticas à imprensa pela cobertura do caso. Membro da bancada evangélica e vice-presidente da Frente Parlamentar da Pesca, o deputado chamou as mortes de “fato isolado”, mas manifestou solidariedade às famílias das vítimas.

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Fim trágico de Bruno Pereira e Dom Phillips é um êxito para Bolsonaro. Por Janio de Freitas

Omissão encontrou no presidente a oportunidade e sobretudo os motivos para ser como um plano oficial

Na Folha

O fim trágico de Bruno Araujo Pereira e Dom Phillips é um êxito para Jair Bolsonaro. Com a morte de dois inimigos, um êxito a mais no colar dos êxitos de destruição, peça a peça, da pequena estrutura de proteção humana e segurança territorial havida na Amazônia.

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MPF recomenda à Funai que anule Portaria 418 e restabeleça procedimento de identificação e delimitação da TI Tekoha Guasu Guavirá no PR

Localizada nos municípios de Guaíra, Altônia e Terra Roxa, no Paraná, TI sofre com revés no processo de demarcação

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou, nesta sexta-feira (17), recomendação à Fundação Nacional do Índio (Funai) a fim de que instaure procedimento administrativo para permitir a anulação da Portaria nº 418, de 17/03/2020, que, por sua vez, invalidou o processo administrativo de identificação e delimitação da Terra Indígena (TI) Tekoha Guasu Guavirá, localizada nos municípios de Guaíra, Altônia e Terra Roxa, no Paraná. No documento, o MPF recomenda que no novo procedimento seja assegurada a participação das comunidades atingidas pela decisão, em cumprimento à Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), observando os protocolos de consulta eventualmente existentes da Comunidade Indígena Avá Guarani.

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PFDC afirma que poder público negligencia sua obrigação de preservar o meio ambiente, os povos originários e os defensores de direitos humanos

Em nota pública, órgão defende apreciação e a ratificação do Acordo de Escazú, bem como reforço na atuação dos órgãos de controle na região do Vale do Javari

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) emitiu nota pública, nesta sexta-feira (17), na qual afirma que o poder público tem sistematicamente negligenciado sua obrigação de preservar o meio ambiente, os povos originários e os defensores de direitos humanos. “Para além de lamentar o ocorrido, as autoridades brasileiras têm o dever de trabalhar para que tragédias como essa não mais aconteçam em nosso país”, afirma o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, em referência ao assassinato do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, na região do Vale do Javari.

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A louca. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Heloísa não sabe se está louca. Talvez, não saber da própria loucura seja dela sintoma. Ou lucidez extrema. Qual a diferença? Ela vê coisas que, ao que parece, só ela as vê. Percebe coisas sofridas e com elas se espanta. As percebe e pensa. Ou pensa através delas? Ou por elas? Heloísa não sabe.

Vê com clareza coisas que por lhe serem claras, deveriam ser claras para todo mundo. E não vê coisas que todos tomam como claras e, por isso, ela também deveria ver com clareza. Já ouviu falar de loucos que veem o que ninguém mais vê, mas louco que não vê?…

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Por uma esquerda que seja antirracista para além das hashtags

Newsletter da Ponte, por Fausto Salvadori

Se havia alguma dúvida de que a centro-esquerda brasileira que está no poder não aprendeu nada com os protestos antirracistas realizados após as mortes de George Floyd e Beto Freitas e que continua desprezando a luta de negros e indígenas, ela se dissipou no último dia 2 de junho.

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“É preciso dar um outro rosto ao Brasil”

Por Eleonoro de Lucena e Rodolfo Lucena, no Tutameia

Os assassinatos de Bruno Pereira e de Dom Phillips são “um reflexo da violência que a Amazônia passa. Não é o primeiro caso. No ano passado tivemos o caso do rio Abacaxis, onde foram assassinados diversos indígenas, que até hoje não se solucionou. Desapareceu da mídia, como vai desaparecer daqui a pouco o caso do Bruno e do Phillips também. Esse modo de avançar nas terras indígenas, essa pesca predatória que acontece na região e o garimpo que acontece na região têm levado a uma violência muito grande. Uma violência em relação aos povos indígenas, mas também uma violência em relação às pessoas que têm procurado acompanhar a situação. A impunidade tem aumentado a violência”.

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“Governo perdeu o controle da região”, diz assessor da Univaja

O Correio entrevistou o assessor jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Yuri Niwa Wani Marubo, que trabalhava na equipe de Bruno Pereira

Por Tainá Andrade, no Correio Braziliense

Representante e assessor jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Yuri Niwa Wani Marubo trabalhava na equipe do indigenista Bruno Araújo Pereira. Ele afirmou que o assassinato do colega foi uma grande perda para o país. “Quem ganhou foi a organização criminosa, e quem perdeu foi o Brasil, porque Bruno era a maior autoridade para o reconhecimento dos povos isolados no país”, enfatizou. O indígena da etnia Marubo também relatou um temor: “Estamos muito preocupados com a nossa segurança. Não sabemos como será depois desse caso e como ficarão as lideranças”. Veja os principais trechos da entrevista.

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