Covid-19: nota técnica da Fiocruz traz evidências sobre importância de vacinar crianças

Por Ricardo Valverde , Agência Fiocruz de Notícias

A Fiocruz divulgou nesta terça-feira (28/12) uma nota técnica que ratifica e enfatiza a importância da vacinação contra a Covid-19 em crianças. A publicação, embasada em estudos e critérios científicos, ressalta que a imunização da faixa etária de 5 a 11 anos vai colaborar com a mitigação de formas graves e óbitos por Covid-19 nesse grupo, reduzirá a transmissão do vírus e será uma importante estratégia para que as atividades escolares retornem ao modo presencial. No último dia 16, a Anvisa autorizou a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a Covid-19, depois de serem feitos testes pré-clínicos e ensaios clínicos em diferentes fases e da utilização do imunizante nessa faixa, em outros países.

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Caruaru: sem lama, Alto do Moura é o caos

A escassez de barro ameaça o futuro dos artesãos que colocaram Alto do Moura, em Caruaru (PE), no mapa da arte mundial

Por João Gabriel Lourenço, na Ponte

Barro. Para alguns, não passa de sujeira, algo que fica abaixo de nossos pés. Para 700 pessoas do Alto do Moura, bairro da cidade de Caruaru, interior de Pernambuco, o barro é fonte de sobrevivência e sustento, tão valioso quanto ouro. É a matéria-prima de peças de artesanato que fizeram do Alto do Moura um centro de arte figurativa reconhecido em todo o mundo. Hoje, esse legado está ameaçado. O barro sobre o qual o bairro construiu seu modo de vida está chegando ao fim.

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Perspectivas da economia para 2022. Por Paulo Kliass

No Terapia Política

As condições da economia brasileira ao longo de 2022 deverão jogar um papel fundamental na definição dos acordos em torno das candidaturas e dos próprios resultados das eleições de outubro do ano que vem. Em outras situações de maior “normalidade” da vida democrática e institucional, a situação econômica do país e as condições de vida da maioria da população sempre atuaram de forma a favorecer determinadas coalizões ou complicar a vida de outras candidaturas. Assim, o aprofundamento do quadro de estagnação econômica, o retorno de índices inflacionários preocupantes e a permanência do desemprego em níveis inaceitáveis certamente ocuparão um papel relevante no debate sucessório.

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Ínclito, Nunes Marques, do STF, mantém condenação de mulher que furtou chocolate em Minas

Caso chegou ao STF por meio da Defensoria Pública de Minas Gerais, que pedia a aplicação do princípio da insignificância ao caso

Por FOLHAPRESS, em O Tempo

O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), indeferiu pedido de absolvição de uma mulher condenada por furto de 18 chocolates e 89 chicletes, avaliados em R$ 50 à época dos fatos, em 2013.

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A chuva acabou com o pouco que a gente tinha, diz indígena na Bahia

Segundo o governo baiano, são 116 municípios afetados pelas chuvas, 358 pessoas feridas e 20 mortos.

Por FOLHAPRESS, em O Tempo

Indígena do povo tupinambá, Ana Carolina Bié diz que a comunidade onde vive foi duramente atingida pelas chuvas, que já mataram 20 pessoas na Bahia e deixaram mais de 30 mil desabrigados.

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Peneirando o sentido do Natal de Jesus Cristo. Por Gilvander Moreira

Tempo de Natal e de virada de ano é tempo propício – kairós – para fazermos revisão de vida, retrospectiva e resgatar o que de mais humano existe em nós e na humanidade. Para isso, faz bem peneirarmos o sentido do Natal: o do mercado idolatrado e o de Jesus Cristo. Uma avalanche de mensagens natalinas chegou a nós por meio das redes virtuais, eufemisticamente chamadas de ‘redes sociais’. Mensagens para todos os gostos: muitas ingênuas e uma minoria, críticas, criativas e inspiradoras.

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Governo Bolsonaro recua e cancela autorizações para garimpo na Amazônia

Ministro do GSI havia permitido sete projetos de pesquisa de ouro em região na fronteira

Na Folha

O ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, cancelou nesta segunda-feira (27) a autorização de sete projetos de pesquisa de ouro em uma das áreas mais preservadas da Amazônia. O recuo, feito em ato do Conselho de Defesa Nacional, foi publicado no Diário Oficial da União. Como revelou a Folha, o ministro havia dado aval aos projetos de garimpo na região de  São  Gabriel da Cachoeira (AM), cidade mais indígena do Brasil, onde estão 23 etnias.

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A planejada exploração de terras indígenas aumenta o risco de novas pandemias: 1 – O Projeto Millenium

Por Lucas Ferrante, Reinaldo Imbrozio Barbosa, Luiz Duczmal & Philip Martin Fearnside, na Amazônia Real

Uma nova cadeia produtiva de alimentos comerciais está surgindo que visa maximizar os lucros em detrimento do meio ambiente e das comunidades tradicionais da região amazônica. Além disso, a combinação do impacto ambiental com a criação de animais confinados (incluindo porcos e aves), em locais onde os animais podem ter contato com outras doenças, traz o perigo de gerar uma nova pandemia de proporções mundiais. Publicamos um trabalho na prestigiada revista Regional Environmental Change, disponível aqui, que explica este risco [1]. Segue uma tradução do conteúdo:

As forças que impulsionam o desmatamento na Amazônia aumentaram significativamente desde que Jair Bolsonaro assumiu como presidente do Brasil em 1º de janeiro de 2019 [2-5]. A região amazônica tem sido alvo de expansão de novos centros industriais, e novas estradas têm dado acesso a áreas antes intocadas [3, 4, 6]. A administração presidencial está tentando abrir terras indígenas para permitir não indígenas instalarem plantações de monoculturas nessas áreas e consolidar esse setor na região amazônica por meio do afrouxamento da legislação ambiental federal [7, 8]. Aqui relatamos como essas mudanças estão vinculadas a uma nova cadeia de produção de produtos alimentícios comerciais em detrimento do meio ambiente e das comunidades tradicionais, e como isso aumenta o risco de novas pandemias.

Uma das empresas instaladas na região para esse fim é a Millenium Bioenergy que, a princípio, teria sua produção voltada apenas para biocombustíveis [4, 9]. No entanto, a empresa anunciou que fará “parcerias” com comunidades indígenas e outras comunidades locais para produzir milho, peixe, galinhas, porcos e gado confinado para venda à empresa [9, 10] (Veja entrevista com representante da empresa: [11]). Um representante da empresa que cuida do licenciamento ambiental nos disse que os planos para essa iniciativa nos estados do Amazonas e Roraima (Figura 1), seriam para produzir biocombustíveis a partir de monoculturas em terras indígenas e outras comunidades tradicionais (Veja entrevista com representante da empresa: [11]).

As comunidades não seriam pagas, mas a empresa subsidiaria o estabelecimento de uma cadeia produtiva de animais confinados que consumissem rações produzidas pela própria empresa com o talo do milho e demais materiais vegetais descartados no processo de produção do biocombustível. As peças publicitárias da empresa (Veja: [10]) corroboram esse plano de integração dos povos indígenas e suas terras à cadeia produtiva do agronegócio. Segundo o representante da empresa em entrevista oficial conosco, esses produtos seriam exportados pelo porto de Georgetown, Guiana, principalmente para a China e outros países asiáticos, mas também para os Estados Unidos e Europa (Veja entrevista com o representante da empresa: [11]). [12]

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Notas

[1] Ferrante L, Barbosa RI. Duczmal L, Fearnside PM (2021) Brazil’s planned exploitation of Amazonian indigenous lands for commercial agriculture increases risk of new pandemics. Regional Environmental Change 21, Art. 81.https://doi.org/10.1007/s10113-021-01819-6

[2] Abessa D, Famá A, Buruaem L (2019) The systematic dismantling of Brazilian environmental laws risks losses on all fronts. Nature Ecology and Evolution 3: 510–511. https://doi.org/10.1038/s41559-019-0855-9

[3] Ferrante L, Fearnside PM (2019) O novo presidente do Brasil e “ruralistas” ameaçam o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e o clima global. Amazônia Real, 30 de julho de 2019. https://amazoniareal.com.br/o-novo-presidente-do-brasil-e-ruralistas-ameacam-o-meio-ambiente-povos-tradicionais-da-amazonia-e-o-clima-global/

[4] Ferrante L, Fearnside PM (2020) Os planos de biocombustíveis do Brasil impulsionam o desmatamento. Amazônia Real 13 de janeiro de 2020. https://amazoniareal.com.br/os-planos-de-biocombustiveis-do-brasil-impulsionam-o-desmatamento/

[5] Vale MM, Berenguer E, de Menezes MA, de Castro EBV, de Siqueira LP, Portela RCQ (2021) The COVID-19 pandemic as an opportunity to weaken environmental protection in Brazil. Biological Conservation 255: art. 108994. https://doi.org/10.1016/j.biocon.2021.108994

[6] Ferrante L, Fearnside PM (2020) BR-319: O caminho para o desmatamento da Amazônia. Amazônia Real, 07 de agosto de 2020. https://amazoniareal.com.br/br-319-o-caminho-para-o-desmatamento-da-amazonia-08-08-2020/

[7] Ferrante L, Fearnside PM (2020) O Brasil ameaça terras indígenas. Amazônia Real, 06 de maio de 2020.

[8] Siqueira-Gay J, Soares-Filho B, Sánchez LE, Oviedo A, Sonter LJ (2020) Proposed legislation to mine Brazil’s Indigenous lands will threaten Amazon forests and their valuable ecosystem services. One Earth 3: 1–7. https://doi.org/10.1016/j.oneear.2020.08.008

[9] NovaCana (2019) Usina de etanol de milho da Millenium Bioenergy em Roraima já pode sair do papel. https://bityl.co/5J9a

[10] BrasilAgro (2019) Millenium Bioenergy vai produzir etanol a partir do milho no Amazonas.https://bityl.co/5J9l

[11] Ferrante L (2020) Entrevista com representante para licenciamento ambiental para o projeto de Millenium Bioenergy no Amazonas e Roraima. https://bityl.co/87I7

[12] O trabalho em inglês do qual este texto foi traduzido está disponível para livre acesso em [1].

Os autores

Lucas Ferrante é Biólogo formado pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL), Mestre em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e doutorando em Biologia (Ecologia) no INPA. Foi primeiro autor de notas em Science e Nature Medicine sobre o impacto de COVID-19 na Amazônia, inclusive em povos indígenas, e coordenou o grupo formado a pedido do Ministério Público-AM sobre o COVID-19 em Manaus. ([email protected]).

Reinaldo Imbrozio Barbosa é Engenheiro Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Doutor em Biologia Tropical (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui especial interesse em estudos relacionados às mudanças climáticas, uso e ocupação da terra, dinâmica de ecossistemas e emissões de gases do efeito estufa decorrentes das atividades antrópicas na Amazônia. É Pesquisador Titular do INPA, Professor do Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais da UFRR (Doutorado/Mestrado) e Professor colaborador nos cursos de Pós-graduação em Ecologia e Ciências Florestais do INPA (Doutorado/Mestrado). Bolsista Produtividade do CNPq entre 2009-2019. Suas publicações e métricas podem ser encontradas aqui.

Luiz Henrique Duczmal é Professor Titular do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É doutor em Matemática (PUC/RJ 1997), com pós-doutorado na Connecticut University (2002), Harvard University (2004), Pennsylvania State University (2006) e Universidade de Faro, Portugal (2008). Fez graduação em Matemática (UFMG 1986) e mestrado em Ciências da Computação (UFMG 1991). Bolsista do Programa Pesquisador Mineiro (Fapemig). Tem experiência na área de Estatística, com ênfase em Estatística Espacial (monitoramento ambiental, clusters espaciais irregulares, vigilância sindrômica e epidemiológica, modelos SEIR de coronavirus (COVID-19), workflow, fontes múltiplas de dados, visualização geográfica) e Estatística Computacional (algoritmos evolutivos, otimização multiobjetivo, autômatos finitos, finanças, estatística industrial, redes de comunicação, etc.).

Philip Martin Fearnside É doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 700 publicações científicas e mais de 600 textos de divulgação de sua autoria que podem ser acessados aqui. https://philip.inpa.gov.br

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Figura: Mapa com locais das indústrias de Millenium Bioenergy 

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Da Folha: “Defesa gasta verba da Covid para comprar filé mignon e picanha, diz TCU”

Pasta usa R$ 535 mil do combate à pandemia com itens de luxo; ministério diz que atua contra a doença e auditoria é preliminar

Por Constança Rezende, na Folha

O Ministério da Defesa gastou recursos destinados ao enfrentamento da Covid-19 para a compra de filé mignon e picanha. A constatação é de uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União). Segundo informações do levantamento sigiloso feito pela Selog (Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas) obtido pela Folha, foram usados R$ 535 mil em itens considerados de luxo.

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Fernanda Almeida: No SUS, uma alternativa à “guerra às drogas”

Cresce a compreensão de que a política brasileira para substâncias psicoativas é brutal e desastrosa. Nos CAPS-AD e nas Redes de Atenção Psicossocial há bases para a mudança, diz a assistente social, psicanalista e ativista Fernanda Almeida

Entrevista a Antonio Martins, no Outras Palavras

O Brasil poderá, um dia, livrar-se da “guerra às drogas”? No início de novembro, um estudo internacional conduzido pelo grupo Harm Reduction Consortium [“Consórcio pela Redução de Danos”] apontou a política do país em relação a substâncias psicoativas como a pior, entre 30 nações analisadas – abaixo de México, Indonésia e Uganda. O relatório apontou dois problemas essenciais na conduta do Estado brasileiro. Sua base é a repressão generalizada – cujo foco não são nem as grandes redes de distribuição, nem os consumidores de classe média, mas comunidades onde o comércio das drogas “ilícitas” é feito. E, por se apoiarem num proibicionismo sem nuances, as políticas não dão apoio aos usuários que de fato necessitam de tratamento.

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