Contradições. Por Marcio Pochmann

No Terapia Política

Em plena terceira década do século XXI, os dados mostram que, no Brasil, o consumo dos ricos voltou a ser cada vez mais deslocado da produção nacional, pois provém do exterior e é financiado pelo saldo comercial dependente das exportações agrominerais. São as contradições perversas que afloram no Brasil. Com o mercado interno associado crescentemente à demanda dos não ricos brasileiros, em geral, emerge a contradição de o país ser simultaneamente o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador de alimentos do mundo, enquanto a fome se difunde e a inflação dos alimentos se torna insuportável à população.

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Doutora Zeneida: as encantarias de uma pajé. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“La raíz del árbol no canta. Canta la copa, no más”. 
(Zamba Tata Juancho de Jorge Cafrune.1976).

Lembro bem, foi em 2007, em Soure, Marajó, perto da praia do Mata-Fome – um nome desse ninguém esquece. Com a pajé Zeneida e o karai guarani Wherá Tupã, atravessamos um manguezal, cujas raízes expostas vinham buscar oxigênio na superfície. Os dois deram uma aula de etnobotânica no meio da mata, num terreno mais alto de solo firme. Cada planta foi nomeada, identificada, cheirada, acariciada, reverenciada, catalogada, classificada e enaltecida em suas propriedades medicinais e alimentícias. Era um momento mágico. A mata resplandecia. O designer amazonense Amaro Jr., que tudo filmava, deu uma paradinha para enxugar lágrimas furtivas e falou:

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A vitória da nota de 10 dólares e a destruição da República. Por Tarso Genro

Estão longe de serem superados os efeitos da destruição política e moral da democracia liberal-representativa causada pela eleição de Bolsonaro

No Sul21

Busco inspiração num conto genial de O.Henry, “Histórias de uma nota de dez dólares”, para falar um pouco do difícil momento que atravessamos, na política, na economia, na cultura e na questão religiosa, tomada esta como o conjunto de avanços dos oportunistas nas religiões do dinheiro sobre a laicidade do Estado, somado às cumplicidades dentro do Poder Legislativo para a destruição da República. Na “Parte I”, do conto, o autor adverte, para explicitar com quem estamos falando, na sua peça de ficção: é com a moeda! Ela, o substrato da política real das classes dominantes do mundo, simbólico mediador das trocas na circulação dos bens materiais e do capital financeiro, diz: “Eu sou uma nota de dez dólares, ano 1901. Talvez você já tenha visto alguma na mão de algum amigo seu.”

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Balsas usadas para garimpo ilegal no AM são construídas na orla de Manaus, a 3 km de instalação da Marinha

Trabalhadores afirmam que construções acontecem há cerca de um ano nas margens do igarapé no Educandos. Na semana passada, operação da Polícia Federal destruiu 131 embarcações usadas por garimpeiros.

Por Karla Mendes, g1 AM

Balsas usadas para garimpo ilegal no Amazonas são construídas por operários de um estaleiro na orla de Manaus. No local, é possível ver algumas embarcações prontas, com estruturas específicas para fixar as dragas.

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Candidatura de Moro completa a brasilidade do absurdo. Por Janio de Freitas

Ex-ministro de Bolsonaro tem um bordão de uso diário: ‘Não cometi nenhum ato ilegal’

Na Folha

A anulação de 13 condenações aplicadas por Sergio Moro, entre as quais as de Antonio Palocci e Marcelo Odebrecht, situa-se entre duas explicações possíveis.

Ou Moro ignorava que irregularidades de cunho eleitoral competem à específica Justiça Eleitoral ou suas sentenças nos 13 processos confirmam má-fé e parcialidade na apropriação desses casos.

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Em oficina, povos indígenas do médio rio Juruá (AM) identificam violações de direitos indígenas à luz da legislação que devia protegê-los

Há anos, os povos Kanamari e Madija Kulina vivem graves situações de violação de seus direitos civis, sociais e humanos; como resultado do encontro, foi elaborado um documento com as principais reivindicações

Indígenas dos povos Kanamari e Madija Kulina, da região do médio rio Juruá (AM), em encontro para debater as principais violações de direitos indígenas, em novembro de 2021. Foto: Arquivo Cimi

POR LÍGIA APEL, DO CIMI REGIONAL NORTE I

“Vivemos momentos tensos onde os povos indígenas são alvo de ataques sistemáticos de grupos políticos que usam de seus mandatos para promover projetos de leis que violam os direitos originários dos povos, sobretudo os direitos ao território”. Assim constata o documento resultante da Oficina sobre Procedimentos Administrativos de Demarcação de Terras Indígenas – Terra Indígena, um Direito Constitucional – que analisou, com os indígenas da região do médio rio Juruá, a legislação e políticas públicas indigenistas brasileiras e as ações dos atuais governos federal, estadual do Amazonas e municipal de Carauari (AM).

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Frantz Fanon: um clássico para entender o colonialismo

O escritor martinicano ilustrou magistralmente o trauma colonial. Seis décadas após sua morte, recordamos sua obra e seu legado

Por Omer Freixa, no El País

Em 6 de dezembro de 1961, o psiquiatra e intelectual martinicano Ibrahim Frantz Fanon  sucumbia a uma impiedosa leucemia que abreviou sua vida no auge da sua produção acadêmica, com apenas 36 anos, e no ano de publicação de sua última obra, o clássico Os condenados da terra. O pensador marcou época a partir de seus escritos e morreu num momento-chave da história africana, o da chegada das independências, época da qual foi testemunha e protagonista ao militar na Frente de Libertação Nacional (FLN) durante a guerra pela emancipação da Argélia (1954-1962). Como psiquiatra, sua vivência foi fundamental para traçar o perfil das pessoas colonizadas, em um livro que se tornou referência obrigatória para os estudos sobre o colonialismo.

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O racismo ambiental e climático nas favelas do Rio

A crise ecológica não afeta todos de maneira igual. Da mesma forma que grupos vulnerabilizados são alvos do uso desproporcional da força por agentes policiais, também são os que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas e da crise ecológica, sobretudo em função do racismo ambiental e climático

Por Gabrielle Alves e Mariana de Paula, no Diplomatique Brasil

O Brasil – e o mundo – nunca testemunhou tantos desafios ambientais e climáticos. Nos últimos anos, os biomas têm enfrentado picos de desmatamento ilegal, queimadas provocadas pela ação humana, invasões de terras, garimpo ilegal e extração ilegal de madeira. Somam-se a tudo isso a degradação ambiental e os impactos das mudanças climáticas, com eventos extremos cada vez mais intensos e difíceis de se prever — entre ondas de calor, chuvas torrenciais, secas prolongadas, enchentes e deslizamentos de terra.

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Latuff: “existe um esforço para calar vozes que discutem a violência policial”

Trabalhos do chargista usados em escolas e em exposição no Congresso foram alvo de tentativas de censura, a mais recente ocorreu na semana da Consciência Negra. Artista afirma que violência do Estado não pode ser tratada como caso isolado

Por Jeniffer Mendonça, na Ponte

O chargista e o ativista político Carlos Latuff coleciona situações em que seus trabalhos foram alvos de críticas e tentativas de censura ao serem aplicados em escolas. A mais recente ocorreu na semana da Consciência Negra, quando estudantes do Colégio Cívico-Militar Ced 1 da Estrutural do Distrito Federal produziram uma exposição sobre a data. Nos murais estavam charges de diversos artistas com críticas à violência policial.

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STF: Ministro Alexandre de Moraes abre inquérito para apurar declarações de Bolsonaro sobre a pandemia

A medida atende a pedido da CPI da Pandemia, do Senado Federal

STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura de inquérito para apurar declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, a respeito da pandemia da covid-19. A medida atende a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, do Senado Federal, na Petição (PET) 10007.

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