Considerado sagrado pelos povos indígenas, o rio Juruena é o protagonista de documentário dirigido por Adriano Gambarini, que mostra impacto das hidrelétricas ao rio e aos que vivem dele
Por: Duda Menegassi, em O Eco
A relação de diferentes povos indígenas com a natureza passa pela instância do sagrado e da ancestralidade. O rio Juruena e seus afluentes que formam a sub-bacia do Juruena, onde vivem 20 povos indígenas, é um exemplo dessa relação de respeito, amor e devoção. Celebrado pelos indígenas, mas um ilustre desconhecido da maioria dos brasileiros, o Juruena nasce no Cerrado, em Mato Grosso, e suas águas cristalinas seguem rumo ao norte em uma paisagem que aos poucos deixa a savana para adentrar na maior floresta tropical do mundo. Em território amazônico, o Juruena encontra seu destino na fronteira matogrossense com o Amazonas e o Pará, e dá vida ao famoso rio Tapajós. Apesar da sua importância ecológica e cultural – além de sua beleza cênica – o Juruena permanece invisível aos olhos de grande parte da sociedade. Enquanto isso, projetos de hidrelétricas e barragens avançam sem alarde sobre suas águas. Atualmente, o Juruena e seus afluentes contabilizam mais de 30 hidrelétricas, e mais uma centena estão previstas para serem erguidas na sub-bacia, uma ameaça ainda maior ao já impactado fluxo hídrico, assim como aos povos que dependem do rio para comida, transporte e para algo imensurável: a preservação do sagrado.
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