CPI vai mirar governadores e prefeitos, mas Planalto não deve conseguir maioria na comissão

Por Maíra Mathias e Raquel Torres, no Outra Saúde

UMA LIMONADA

Após duas horas de divergências entre senadores da base governista e da oposição, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), finalmente instalou a CPI da Covid. E coube a ele fazer do limão uma limonada ao espremer dentro do pedido de investigação das ações e omissões do governo federal na pandemia a proposta de aliados do Planalto de investigar também governadores e prefeitos. 

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Fome, estômago e consciência da superexploração

Na rotina de “N” e “V”, duas catadoras de latinhas e mantenedoras de suas famílias, um retrato do trabalho (e das desigualdades) no país. O que há por trás do abismo entre os que consomem e os que sobrevivem à espera de descartes?

Por Roberta Trespadini*, em Outras Palavras

A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago.
(Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo)

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Barragens: a tragédia invisível de Aurizona

Ruptura de barreira em mina de ouro devastou rio Tromaí e deixou centenas de famílias sem água. Ninguém ficou sabendo. O que isso revela sobre a comunicação contemporânea e sobre o mito de que não há alternativas à mineração predatória

Por Talita Gantus, em Outras Palavras

Uma das barragens da comunidade de Aurizona, em Godofredo Viana, no extremo oeste do Maranhão, a 338 quilômetros de São Luís, rompeu no último 25 de março. Segundo informações, os rejeitos teriam contaminado o rio Tromaí. Incrivelmente, esse acontecimento não circulou nas grandes mídias na mesma proporção em que ela se ocupou de narrar o diário do navio encalhado no canal de Suez. Claro, em uma sociedade globalizada como as que construímos, um navio cargueiro encalhado em uma das principais rotas de tráfego marítimo de mercadorias transnacionais pode trazer impactos mundiais.

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O que é bom para os EUA é bom para o Brasil?

Em poucos meses, governo Biden vacinou 22% da população e destinou trilhões para combater a fome e o desemprego. Tragédia brasileira revela a vassalagem seletiva de Bolsonaro e das elites: querem importar apenas políticas de destruição

por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

A frase foi pronunciada pelo político conservador brasileiro, Juracy Magalhães, logo depois de ter sido nomeado embaixador do Brasil nos Estados Unidos pelo governo militar que depôs o Presidente João Goulart em 1º de abril de 1964. O político era dirigente da UDN, partido que conspirou a favor da ditadura, e havia encerrado seu mandato como governador da Bahia em 1963. Logo após essa breve passagem pela representação brasileira em Washington, ele foi nomeado Ministro da Justiça e depois também chanceler entre 1965 e 1967.

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Boaventura: muito além de Luz e Trevas

Desde Platão, filosofia ocidental cultiva um binarismo, que originou as oposições simplificadoras de nosso tempo. Para superá-las, é útil recorer ao islâmico al-Suhrawardī, à heresia de Giordano Bruno e às cosmovisões ameríndias

Por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

A pergunta mais radical que podemos imaginar pode formular-se assim: por que é que existe o ser em vez do nada? Na filosofia ocidental esta pergunta foi feita por Leibniz na Teodiceia, mas está igualmente presente nas filosofias orientais, tanto na indiana como na chinesa. A radicalidade da pergunta reside em que, sendo aparentemente tão simples, não é possível dar-lhe resposta. Não me detenho nela, mas numa outra, do mesmo calibre, que se me afigura mais produtiva: por que é que existe a luz em vez das trevas? Pode pensar-se que esta pergunta é uma outra maneira de formular a anterior, já que as trevas, a escuridão, são o nada. Só não será assim para as pessoas cegas, para quem a escuridão é tudo, sendo a partir dela que constroem corajosamente a luz nas sua vidas. Mas mesmo para as pessoas que veem, o nada das trevas ou escuridão é um nada pleno de sentidos e conteúdos, que variaram ao longo da história e variam hoje segundo os contextos. A escuridão tanto pode significar o medo de algo no escuro como o medo da escuridão. A escuridão tanto nos pode meter medo como nos pode proteger, tanto nos pode condenar como absolver. E, reciprocamente, o mesmo sucede com a luz ou a claridade. A divindade tanto pode ser a luz plena como a escuridão plena. A escuridão tanto pode ser o horror como o êxtase, tanto evoca a cegueira como evoca diversas visões. Em face desta diversidade e ambiguidade proponho-me analisar três contextos diferentes: o pensamento religioso e laico; o racismo, o sexismo e as geografias da luz e da escuridão; as novas escuridões e as novas cegueiras. Neste texto, analiso o primeiro contexto, deixando os restantes para próximo texto.

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“O vírus é caótico, mas não é democrático”. Entrevista com Boaventura de Sousa Santos

O mais influente sociólogo português no mundo acabou de publicar um novo livro, “O Futuro Começa Agora, da Pandemia à Utopia”. Nesta obra, Boaventura de Sousa Santos defende que o vírus traz uma mensagem. E que é preciso aprender com as mortes que provoca, para que elas não se repitam.

A entrevista é de Nuno Ramos de Almeida, publicada por O Contacto-Luxemburger Wort / IHU On-Line

Eis a entrevista.

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Juiz suspende reintegração de posse em RO e sugere federalização do caso

Acampamento Manoel Ribeiro, em Chupinguaia, teria de ser desocupado até junho; mas o magistrado viu tema de alta complexidade e risco de violação aos direitos humanos para sugerir que o caso passe a tramitar na Justiça Federal

Por Leonardo Fuhrmann, em De Olho nos Ruralistas

O juiz Roberto Gil de Oliveira, da 2ª Vara de Conflitos Agrários de Porto Velho, suspendeu por tempo indeterminado a reintegração de posse do acampamento Manoel Ribeiro, em Chupinguaia (RO). Para decidir pela suspensão, ele levou em conta o relatório da Secretaria de Segurança Pública sobre o caso e as considerações do Comando Geral da Polícia Militar. Militantes de direitos humanos defendem que as duas manifestações comprovam uma tentativa de criminalização dos movimentos sociais. Oliveira sugeriu também a federalização do caso, devido à sua complexidade e ao risco de violação dos direitos humanos.

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Articulação divulga, nesta quarta, Dossiê Agro é Fogo: grilagem, desmatamento e incêndios na Amazônia, Cerrado e Pantanal

Plataforma agrega análises e denúncias sobre as múltiplas dimensões da devastação ambiental e dos conflitos por terra que se dão no rastro do uso criminoso do fogo pela cadeia do agronegócio

CPT

Nesta quarta-feira, dia 14 de abril, às 18 horas (horário de Brasília), será disponibilizado ao público, no endereço https://agroefogo.org.br/, o Dossiê Agro é Fogo: grilagem, desmatamento e incêndios na Amazônia, Cerrado e Pantanal, uma produção que conta com o envolvimento de representantes de movimentos, organizações e pastorais sociais que compõem a Articulação Agro é Fogo.

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Associação Yanomami alerta Saúde que garimpos têm trocado ouro por vacina

Por Rubens Valente, no UOL

A principal organização ianomâmi, em Roraima, denunciou ao Ministério da Saúde e ao MPF (Ministério Público Federal) suposto desvio de vacinas contra a covid-19, em troca de ouro, para garimpeiros que operam ilegalmente dentro da terra indígena.

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Como Cuba enfrenta a covid e desenvolve suas vacinas

No TUTAMÉIA

Cuba registra, desde o início da pandemia, 467 mortes pela covid 19, com um total de 87.385 casos. Com quase o mesmo número de habitantes, a cidade de São Paulo contabiliza 24.216 mortes, com um total de 767.782 pessoas infectadas na pandemia (dados desta segunda, 12.4). A estratégia de seu país para combater a pandemia foi um dos temas da entrevista do embaixador Pedro Monzón, cônsul-geral de Cuba, ao TUTAMÉIA. Ele também falou sobre o desenvolvimento das vacinas e adiantou que a maior parte da população de Havana deve ser imunizada no mês que vem.

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