Antropóloga observa que pandemia e estados de crises que parecem ameaçar ‘os brancos’ são encarados pelos indígenas como realidade concreta e, talvez, irreversível
Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line
Enquanto nós ocidentais pensamos, analisamos, produzimos dados sobre a pandemia, a degradação ambiental, a relação entre os dois, e analisamos novamente, os indígenas vivem em outra temporalidade. Para eles, uma situação de pandemia é real desde que o primeiro ‘branco’ se aproximou e o primeiro parente adoeceu. E a degradação ambiental é vivida até antes desse sujeito chegar na aldeia. Essa é a perspectiva que a antropóloga Nicole Soares-Pinto traz ao analisar, pela figura do xamanismo, a relação que os indígenas têm com o mundo. “Os pajés têm duas visões. Pois as plantas e os animais são vistos pelos pajés em forma humana e são por eles visitados diplomaticamente em suas próprias malocas. O fundo do rio é uma aldeia, a floresta idem, visíveis e acessíveis na experiência de um corpo preparado para isso”, relata, na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
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