Rio Grande do Sul: da vanguarda do ambientalismo ao alto consumo de agrotóxico e à construção de usina de carvão. Entrevista especial com Francisco Milanez

Professor denuncia projeto de desmonte da legislação ambiental do estado, que já foi referência nacional, apenas para atender a interesses de poucos e pôr em risco a população

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Velho militante das causas ambientais, o professor Francisco Milanez recorda que o Rio Grande do Sul chegou a ser um dos estados da federação mais progressistas quando o assunto é ambientalismo. Movimento que levou a uma legislação que serviu de modelo para muitas outras. “A lei de agrotóxicos de 1982 foi a primeira do Brasil. Essa legislação foi escrita dentro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – Agapan e escrita pelo deputado Antenor Ferrari, então deputado pelo MDB”, recorda. No entanto, toda essa legislação está sendo desmontada em nome da liberação de mais e mais agrotóxicos. “A alteração principal é liberar, permitir que sejam registrados e utilizados agrotóxicos no país que não são permitidos no país de origem, o que é uma coisa vergonhosa”, aponta, em entrevista concedida via mensagens de áudio pelo WhatsApp para o Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

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Um 8M de lutas feministas e populares

Dia Internacional de Luta das Mulheres não pôde, em 2021, ser de multidões. Mas saímos às ruas e redes, em todo o Brasil, para exigir, durante a pandemia, a volta do auxílio emergencial, vacinas para todos e o fim urgente do governo genocida

por SOS Corpo

A gente sempre enfrenta o bicho olhando no olho. A tônica do movimento feminista sempre foi de agir pela transformação do mundo, ocupando massivamente as ruas, para fazer o enfrentamento ao patriarcado racista colonial. Sempre sem medo, porque isso nós temos mas não usamos, como nos ensinou Margarida Alves. Mas esse 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, precisou ser diferente por conta do grave momento de descontrole da contaminação do coronavírus no Brasil e em respeito à vida de milhões de pessoas que ainda poderiam estar entre nós se o governo Bolsonaro/Mourão, o Congresso Nacional e os demais poderes competentes estivessem encarando a maior crise sanitária do país de maneira efetiva e eficaz.

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O descarte do general Pazuello

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

O DESCARTE DO GENERAL

Quando o general da ativa Eduardo Pazuello assumiu interinamente o Ministério da Saúde, no dia 15 de maio, o Brasil registrava pouco menos de 15 mil mortes na pandemia. Dez meses depois, estamos chegando à marca das 280 mil vidas perdidas para o coronavírus. O pano de fundo da saída de Nelson Teich e da demissão de Luiz Henrique Mandetta foi basicamente o mesmo: a pressão de Jair Bolsonaro em prol da defesa de uma panaceia, a cloroquina, e da livre circulação de vírus e pessoas. O general assumiu o cargo para cumprir essas ordens. Ao longo da gestão, cumpriu outras mais, sendo o episódio da volta atrás na aquisição da CoronaVac o mais humilhante. Justamente porque obedeceu aos desmandos do presidente, Pazuello agora será descartado por um Bolsonaro em busca de um novo figurino político que o dissocie do caos sanitário que ele ativamente promoveu.

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Boaventura debate impasse nas eleições do Equador

Ultradireita e correísmo disputam o 2º turno. Setores indígenas e de esquerda tendem ao voto nulo. Sociólogo português questiona: seria correto, em nome da crítica ao “desenvolvimentismo”, permitir vitória de um banqueiro da Opus Dei?

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

Querida amiga, querido amigo: 

Agradeço-vos todo tempo que gastastes em conversar comigo durante as últimas semanas sobre o processo eleitoral em curso no vosso país. Como vos disse, eu fiquei perplexo perante toda a controvérsia internacional entre várias famílias de esquerda a respeito do vosso processo eleitoral ainda em curso. Para recapitular: parece ser uma astúcia da razão que o processo político do Equador, um país situado no centro do mundo como o nome indica, se tenha transformado nas últimas semanas no campo de uma feroz disputa entre intelectuais e ativistas de esquerda, oriundos não só do Equador como de outros países da América Latina e da Europa, dos EUA, da África do Sul e da Índia.

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Bolsonaristas assumem órgãos ambientais da Câmara, e ambientalistas preveem ‘passagem da boiada’

Por: João Fellet, em BBC News

A aliança entre Jair Bolsonaro e o centrão enfraqueceu um dos focos de resistência na Câmara dos Deputados à agenda ambiental do governo.

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Belo Sun: no pior momento da pandemia, Funai autoriza reunião presencial de mineradora com indígenas

Funai alega ausência de internet e finalização da vacinação dos indígenas na Volta Grande do Xingu (PA). Já são mais de 20,1 mil casos de Covid-19, em Altamira e taxa de ocupação do Hospital Regional chegou a 97%

ISA

Em nota técnica publicada no dia 10 de fevereiro, a Fundação Nacional do Índio (Funai) detalhou “protocolos de saúde” para que a mineradora canadense Belo Sun possa realizar reuniões para apresentação e validação de seus estudos de impacto ambiental junto a indígenas das Terras Indígenas (TIs) Arara da Volta Grande do Xingu e Paquiçamba (PA) em formato misto, presencial e virtual. Essa decisão ocorre quando o país atravessa o pior momento da pandemia de coronavírus sendo os povos indígenas um dos grupos mais impactados e vulneráveis. Altamira, cidade referência para as duas TIs, já contabiliza 20,1 mil casos e a taxa de ocupação do hospital regional superou 97%.

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Distorção em cálculo inflou balanço das multas ambientais de 2019

ClimaInfo

O governo Bolsonaro recorreu à “contabilidade criativa” para inflar os dados sobre autuações ambientais aplicadas pelo IBAMA. Segundo informou Rubens Valente no UOL, o Palácio do Planalto fez um cálculo incomum que elevou em quase 50% o total de multas registradas pelo IBAMA em 2019. Em uma operação realizada em Porto Velho (RO), ao invés de aplicar a multa de R$ 500 por saca de soja de 60 kg produzida em uma fazenda autuada, o IBAMA multiplicou o valor por quilo de soja produzida. O cálculo gerou uma distorção bilionária no valor da multa, que ficou em R$ 1,27 bilhão – ao invés de R$ 21 milhões, que seria o montante calculado pelo padrão tradicional do IBAMA.

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Direção militar do ICMBio impõe “mordaça” em trabalhos acadêmicos de servidores

ClimaInfo

Os militares que comandam o ICMBio sob a gestão Salles resolveram censurar a produção científica de seus pesquisadores, obrigando-os a apresentar eventuais estudos e relatórios à direção do órgão antes da submissão às revistas científicas. Segundo Fabiano Maisonnave, na Folha, a portaria 151 publicada na semana passada delega à Direção de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio “a competência para autorizar previamente a publicação de manuscritos, textos e compilados científicos produzidos no âmbito e para este Instituto em periódicos, edições especializadas, anais de eventos e afins”. Tal Direção é comandada pelo tenente-coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, Marcos Aurélio Venancio.

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Mentiras do governo brasileiro ditas na ONU fortalecem as denúncias das organizações indígenas e indigenistas

Cada vez mais o governo brasileiro se enreda em suas próprias lorotas quando confrontado com relatórios, reportagens, dossiês e outras manifestações institucionais consistentes

por Roberto Antonio Liebgott, em Cimi

O governo brasileiro, em meio à fase mais mortífera da pandemia do novo coronavírus, se vê obrigado a dar explicações aos organismos internacionais quando denunciado, o que, para surpresa apenas de seus asseclas, têm ocorrido com intensa periodicidade. Mas estas explicações, um habitual apanhado de mentiras, distorções de números, manipulações de dados e cinismo retórico diante da morte e da dor, convencem a comunidade internacional?

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Grupo Thomazini, que doou carro para Jair Renan, também faz fortuna na pecuária

Empresa de eventos do filho 04 de Bolsonaro tem, entre suas atribuições, fazer leilões de gado e feiras agropecuárias; João Antonio Thomazini comprou em julho uma fazenda do ex-deputado Camilo Cola, antes avaliada em R$ 105 mil, por R$ 26 milhões

Por Alceu Luís Castilho, em De Olho nos Ruralistas

A edição deste domingo de O Globo conta que Jair Renan Bolsonaro recebeu um carro elétrico de R$ 90 mil da Neon E. Motors, pertencente a um grupo capixaba comandado pela família Thomazini. O jornal descreve o grupo como atuante nos setores de mineração e construção. Falta um tentáculo nesse polvo: a pecuária. A Fazenda 3JR não é uma empresa qualquer no setor: em julho de 2020, por exemplo, comprou por R$ 26 milhões uma fazenda que pertencia ao ex-deputado federal Camilo Cola (MDB-ES), quase centenário. E que tinha sido avaliada pela família, há dez anos, por R$ 105 mil.

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