Políticas identitárias

O governo Bolsonaro tem nos dado a triste lição de que estamos perdendo essa luta ou disputa quando ele coloca as vítimas históricas para desempenharem o papel de nossos algozes. Damares e Camargo respectivamente machistas e racistas são a ponta de um iceberg bem mais complexo e que nos obriga, pelo menos assim percebo, a refinar nossos discursos e ampliar os nossos horizontes em face dos modos de lidar com a opressão

por Érico Andrade, no Le Monde Diplomatique Brasil

“o fascismo que está em todos nós,
que ronda nossos espíritos e nossas condutas cotidianas,
o fascismo que nos faz gostar do poder,
desejar essa coisa mesma que nos domina e nos explora”.
Foucault

Tentar inferir da condição de vítima a condição de um agente revolucionário parece-me ter sido um dos principais equívocos de Marx quando atribuiu ao proletariado (a classe explorada) uma vocação revolucionária e que parte da esquerda mimetiza agora sobre o formato das lutas identitárias. Essa passagem longe de estar dada tem que ser ainda construída. E não se trata, é o que gostaria de mostrar, de um exercício simplesmente de desalienação nos mesmo moldes de Marx; como se bastasse apenas descortinar o véu da alienação para que a classe trabalhadora tomasse consciência de classe e imprimisse a tão esperada revolução ou que as minorias tomassem consciência da opressão que sofrem e compusessem as condições sociais para a mudança. O destino que se dá à opressão não está definido.

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Fake news se espalham entre indígenas e dificultam vacinação: “Medo de virar jacaré”

Relatos sugerem que a desinformação chega às comunidades por meio de pastores evangélicos, rádio e mensagens no Whatsapp

Daniel Giovanaz, Brasil de Fato 

Profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) que atuam no Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Rio Tapajós, no Pará, vêm relatando a suas chefias dificuldades na imunização de comunidades indígenas contra a covid-19. Os relatos descrevem que os indígenas estariam se recusando a tomar a vacina com argumentos baseados em fake news – termo em inglês que significa notícias falsas.

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No Brasil, pandemia é usada como “escudo” para retrocessos, aponta estudo

Segundo pesquisa, crise sanitária é vista como “oportunidade” para reverter políticas ambientais em países com maiores florestas tropicais. No Brasil, retrocessos implicaram desmatamento e invasões de terras indígenas.

Por Nádia Pontes, Deutsche Welle

A maior crise sanitária global dos últimos 100 anos é encarada também como uma “oportunidade” para corroer políticas ambientais e sociais nos países com as maiores áreas de florestas tropicais. No Brasil, Colômbia, República Democrática do Congo, Indonésia e Peru, governos têm aproveitado a pandemia de covid-19 para reverter leis de proteção do meio ambiente e como uma brecha para a exploração desenfreada de recursos naturais.

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Governo Bolsonaro decreta a morte de um pedaço da Amazônia. Por Eliane Brum

Ao autorizar Belo Monte a secar a Volta Grande do Xingu, o Ibama mudou de lado e assinou a permissão para um ecocídio na maior floresta tropical do mundo

No El País Brasil

A Amazônia é hoje a principal razão para o Brasil manter alguma relevância internacional. É da conservação da maior floresta tropical do planeta, o maior sumidouro terrestre de carbono do mundo, que dependem os principais acordos internacionais, como o maior de todos eles, o do Mercosul com a União Europeia. É também da sobrevivência da floresta que cada vez mais dependem a autorização e a aceitação dos produtos brasileiros nos mercados europeus e nos Estados Unidos de Joe Biden. Estratégica para controlar o superaquecimento global, a Amazônia está cada vez mais perto do ponto de não retorno, como têm repetidamente alertado cientistas com reconhecimento global, como Carlos Nobre. No momento em que a floresta se converter numa savana, o Brasil será apenas um país com desigualdade abissal, racismo criminoso, miséria em expansão e um presidente que virou piada no mundo. Terá também cometido um suicídio econômico, ao matar a floresta que regula o clima que permite a agricultura, afetando toda a cadeia de produção de alimentos e alguns dos principais produtos de exportação.

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MPF requisita informações do MMA sobre processo de possível fusão entre Ibama e ICMBio

Ata e documentos apresentados em audiência pública promovida pelo MPF foram enviados ao MMA, para que se manifeste formalmente sobre os aspectos apontados, já que não houve representantes do ministério no debate

Procuradoria da República no Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou informações do grupo de trabalho (GT) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que estuda a fusão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). No início deste mês, a Força-Tarefa (FT) Amazônia do MPF realizou audiência pública sobre o assunto, em que falta de transparência no processo de fusão e prejuízos à Amazônia foram apontados pelos participantes.

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Competência para analisar ação contra a Vale por poluição no Espírito Santo não é da Justiça Federal, defende o MPF

Ação popular busca condenação da empresa por prejuízos ao SUS e à saúde da população em virtude de atividade poluidora no estado

Procuradoria-Geral da República

O Ministério Público Federal (MPF) manifestou pelo desprovimento de recurso extraordinário em ação popular que busca obrigar as empresas Vale e Arcelor Mittal a indenizarem o Sistema Único de Saúde (SUS) pelos danos causados em razão de atividades poluidoras em municípios do Espírito Santo. Apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o recurso requer a cassação de decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) que indeferiu o pedido em razão de não ter identificado competência da Justiça Federal para julgar o feito, conforme solicitado pela parte recorrente.

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Racismo Reverso: a dissimulação do discurso

Por Monique Rodrigues do Prado*, em Alma Preta

Na realidade brasileira, as cotas raciais sempre foram em favor da branquitude. O Estado Brasileiro garantiu que negros não entrassem na escola (Constituição de 1824); não tivessem acesso à terra (Lei de Terras 1850, n 601) e que, mesmo depois da “abolição” a distribuição das terras fossem endereçadas aos imigrantes europeus (Decreto 528 de 1890). Ou seja, além de colonizadores, foram também historicamente os cotistas e favorecidos pela lei nacional.

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“Projeto Bolsonaro presidente foi construção de generais”

Para antropólogo que pesquisa o meio militar há 30 anos, livro de memórias do general Villas Bôas explicita politização do Exército iniciada durante o governo Lula e endosso do Alto Comando à candidatura de Bolsonaro.

Por João Pedro Soares, na DW

Quase três anos após um tuíte direcionado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na véspera do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o general Eduardo Villas Bôas revelou que o posicionamento foi redigido em conjunto com o Alto Comando do Exército. A informação, extraída de seu livro de memórias recém-publicado, provocou intensa repercussão nos últimos dias.

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Agroecologia, ancestralidade e capitalismo: rupturas, permanências e reconstruções

Por Patrik Almeida*, na CPT/BA

A extração de minério e a instalação de empresas do agronegócio na região da Chapada Diamantina preocupa grande parte da população que vive nas áreas de exploração desses empreendimentos. Permeada pelo ideal da produtividade em massa e da obtenção de lucro, essas empresas impactam grandemente os ecossistemas e as relações sociais das comunidades circunvizinhas afetando diretamente no bem estar social da população. 

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Deus morreu e agora tudo pode? Reflexões sobre a prisão do deputado

Por Lenio Luiz Streck, em ConJur

O episódio da prisão do deputado Daniel Silveira coloca uma questão central para a democracia, na sua relação com a sua antítese: a ditadura. Ah: antes de falarem que “matei Deus”, leiam até o final. A frase não é minha, se entendem a ironia.

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