Os recém-editados decretos presidenciais permitem que cidadão circule portando uma arma desde que declare ir a um local de treinamento ou manutenção —qualquer local, sem vínculo obrigatório com associação ou clube
Por Carolina Ricardo e Beatriz Graeff, no El País
Jair Bolsonaro foi eleito com promessas de facilitar o acesso a armas de fogo para a população, tentando lastrear essas propostas em alguma relação com a segurança pública. Um dos primeiros atos normativos de seu Governo mirou exatamente esse objetivo e desde então foram editadas mais de 30 normas sobre o assunto. No entanto, a suposta preocupação com a segurança logo se desmascarou no discurso ideológico impulsionado pelo presidente, traduzido nos bordões “povo armado jamais será escravizado” e “não é sobre armas, é sobre liberdade”, entre outros. Além de revelar um deslumbramento quase infantil pelos movimentos pró-armas dos Estados Unidos, trata-se de uma tentativa de apropriação cultural que não encontra e nunca encontrou eco na sociedade brasileira.
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